quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Diz que não e depois queixa-te...


Não há paciência... Um gajo vai para o local de trabalho, com o intuito de produzir, ser útil... trabalhar...
Se há coisa que detesto, mais que insultarem a minha inteligência, é ter que expor um vigarista, destapar a careca a alguém... é um espectáculo triste, a evitar...
Mas, desagradável mesmo, é lidar com uma gaja a quem se disse que não...
Meninos, querem ganhar uma inimiga fiel para toda a vida? Não as comam...quando elas se oferecem.

Tenho um problema, que pensava que era algo bom: gosto de mulheres.
Mas gosto à séria: das coisinhas delas, de ir às compras com elas, ver roupa com elas, discutir coisas femininas. Aprecio, disfruto e compreendo a psicologia feminina, e sou sensível às suas dores, e muitas vezes apoio-as, no sofrimento dos seus amores.
Possuo bastantes e muito próximas amigas, que me contam coisas que nem a si próprias...
Reparo em coisas que só outras mulheres habitualmente notam: unhas, cabelo, pormenores da roupa,sapatos, jóias e acessórios. Coisas que dão motivo para conversa de alguns minutos.
Tirando os gays, não haverá muitos homens assim...

E é assim que me lixo, de quando em vez: esta proximidade toda, conjugada com o facto das minhas preferências serem paradoxalmente inequívocas, assim como uma reserva ao expor da minha vida pessoal, levam algumas alminhas do sexo feminino a julgarem-me sempre disponível. Ou melhor: sempre obrigatóriamente disponível.
Eu explico da melhor maneira: talvez, sem anilha, tenha aspecto de brinquedo para meninas. Mas não o sou.
E meter-lhes isso na cabeça?
Um gajo lida bem com a rejeição, por norma. Habitua-se a isso desde muito cedo. É rejeitado, e no minuto a seguir já nem se lembra...
Uma gaja...Não. Não tem os milhares de anos de contacto com essa realidade, como nós homens...
Pior ainda, se ela sabe que outra conhecida foi bafejada por algum convívio: "Que tem ela a mais que eu?"

Isto é grave. Já perdi clientes femininas, ganhei inimigas que me fizeram perder outras, não respondendo aos seus e-mailzinhos do Dalai Lama e aqueles muito profundos com muitas flores, que por algum motivo associam a uma conversa simpática à qual deram um profundo carácter de proximidade e empatia, com coraçõezinhos à volta... E aos seus convitezinhos para isto e para aquilo, que por um dia eu dizer que gostava, julgam que é meio caminho andado para um romance.

Um homem que assedia sexualmente, é apenas um chato. Uma mulher, é má.

Dificultam-me a vida profissional, as rejeitadas. Não chegam os olhares de mal disfarçado ódio e os pequenos e nervosos sarcasmos. Enquanto não aparece um salvador que as cubra, de eventual brinquedo passo a bonequinho de voodoo...
É uma merda. Felizmente sou caridoso e complacente, por natureza. Mas nas alturas em que para os meus lados os timings me espremem como um limão, elas aproveitam para espetar os alfinetes... e cansam-me ainda mais.

Deixem-me trabalhar! Ganhar a minha vidinha em paz e sossego. E aprendam a lidar com a rejeição. Eu sei que começaram a sair da casca há apenas duas décadas ou, se quiserem, desde que a pílula foi inventada, mas, nem eu, nem outros, temos a culpa...

Hoje tive um dia drenante, nem forças tive para me arrastar para o ginásio. Repousei uma hora ou duas, antes de escrever isto. Felizmente, como os gatos, consigo dormir às prestações...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lembram-se?

Click! no textinho a seguir> Esta é tão conhecida como
o Zé dos Plásticos...
mas era uma profecia sobre o que nos iria acontecer, dois anos depois.
Por favor tirem isto de cima de mim, já estou farto...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Invasões de Campo


Eu vi jogar o Eusébio.
Era muito pequenino, eu, e achava graça ao barulho da multidão nos jogos de futebol, porque, na verdade, não percebia muito bem o que se passava lá em baixo.
Mas o que me divertia mesmo, à séria, eram as invasões de campo. Era giro. Aquela malta toda a correr em múltiplas direcções, aos saltos, os jogadores a fugirem em tronco nú, e um idiota qualquer todo contente com uma camisola vermelha nas mãos...
Bons tempos, embora a preto-e-branco, ao som do Gianni Morandi, das empregadas a passar a ferro e do lamaçal que envolvia a Catedral ( como podia alguém orgulhar-se da majestosidade de um estádio sitiado por lama?).
Depois, começaram a cercar os estádios por fossas (com crocodilos é que era...) e redes altíssimas que obrigavam os potenciais invasores de campo pendurarem-se às mesmas da mesma forma que eu observava no jardim zoológico alguns primatas furibundos a agarrarem-se às grades da jaula.

Foram muitos anos sem Invasões de Campo, um desporto dentro de outro.

E foi aí que comecei a apreciar futebol (Já não havia Invasões de Campo...um tipo tinha mesmo que se entreter com a bola nos pés daquela malta colorida lá em baixo...) além disso tinha um amigo que me levava para os camarotes. E lá é que era: rosbife, champagne, cogumelos recheados... e podíamos ver as repetições numa tv pequenina...

Enfim...

Mas, para os apreciadores, como eu, das Invasões de Campo, tenho uma comunicação importante a fazer: elas...voltaram.

Não. Não nos campos de futebol. Isso acabou, infelizmente.
Agora, para quem quiser apreciar uma bela duma Invasão de Campo em todo o seu explendor, basta continuar sentadinho no seu posto de trabalho na empresa em que exerce o seu métier.
Eu explico: Aqui em Portugal, cultiva-se a imagem do Homem do Renascimento, do Leonardo da Vinci laboral. Assim, um profissional não pode exercer a sua especialização exaustivamente. Tem que tocar todos os instrumentos da orquestra, perdendo-se num sem-número de afazeres dentro das empresas, que neste país seguem a lógica do desenrascanço, contrária à da especialização.

Por isso, quando alguma dúvida (normalmente levantada por quem é habitualmente pago para tomar decisões) se manifesta, o senhor ou senhora, que estão aí sentadinhos no seu lugar, a fazer o que lhes compete, é convocado(a) para uma Invasão de Campo. Ou seja, pedem-lhe a si, e a todos, uma opinião, e forma-se uma roda em volta da questão em foco.
Gera-se uma democrática tertúlia, cujo desfecho será o ouro que o bandido (o senhor que é pago para decidir) recolhe e exibe em qualquer circunstância como sendo a legítima garantia da sua excelente decisão. Assim a resposabilidade dilui-se duma forma democrática, ligeira, como as bolachinas de água e sal. E ninguém é responsável, porque todos viram... durante a Invasão de Campo...

O mal é que, quem está acima, aceita isso bovinamente... Fazendo o mesmo, claro...

Eu cá, gosto de tomar decisões. Não gosto de Invasões de Campo, no meu local de trabalho. Que elas voltem para os estádios, onde é que é giro...
Já fui forçado a cometer erros, E assumi-os, sem mencionar as válidas desculpas exteriores a mim que os geraram. Tomo as minhas autocráticas decisões, boas ou más, Assumo-as e pronto.

Curiosamente, talvez pelo inesperado, talvez pelo insólito da minha atitude, embora sendo eu o prevaricador, a culpa, essa, encontro-a na expressão alheia...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Aqui há gato...

Cick! no textinho ao lado> Na verdade... há dois. E como eu sei que para muitos de nós é um animal desconhecido, eis a minha faceta National Geographic...

Os Tomates

Não... Não é a tradução livre da resposta do general McAuliffe, comandante da força aliada cercada por várias divisões alemãs em Bastogne, ao Alto-Comando alemão que o intimava à rendição.
Trata-se dum prémio cedido pela Magucha, uma Blogger inteligente, audaz, criativa e com um olhar aguçado, que se traduz em mais um mais ingrediente para a minha (nossa) salada.
Magucha: obrigado pelo mimo. Quem não gosta deles? E obrigado também pela tua participação activa na criticável e poluente combustão deste rocket, que lhe enriquece a perfomance.
Continuo a não saber onde pendurar isto, à semelhança das inúmeras telas, serigrafias e outras obras que possuo... Casa de ferreiro…
Mas aqui está ele. Com a devida pompa que merece quem o enviou:

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Discos Voadores


Antes de mais, para abordar este assunto, julgo necessário um pequeno exercício, cuja simples execução vos peço:

Peguem num guardanapo, quadrado. Quanto mais pequeno melhor.
Abram-no completamente.
Com ele aberto, escolham dois dos quatro vértices opostos nos extremos de uma das diagonais que cruzam o centro do guardanapo...

Atenção. Este é um exercício mental que vai mudar completamente as vossas vidas. Mais do que todos os jogos de xadrês, gamão, majong etc.
É um aviso.

...escolheram os dois vértices? Ok.
Agora formula-se a seguinte pergunta: Qual a distância mais curta entre os dois vértices escolhidos?
A diagonal que os une? ...Errado.
Mas não esqueçam a diagonal. Usem-na como referência para dobrar o guardanapo... até os dois vértices se tocarem...

Parabéns! Descobriram a distância mais curta entre os dois vértices, que é a resposta à pergunta formulada neste texto.
Mais importante: descobriram a filosofia do raciocínio do futuro, o dos vossos trisnetos, e com sorte, ainda dos vossos bisnetos, que, quando lhes fizerem a pergunta na escola do futuro, responderão: zero...

Se continuam a pensar que o que aconteceu é um disparate, que a a distância mais curta entre os dois vértices escolhidos é a diagonal que os une, não tenham problemas com isso. Juntem-se aos milhões de contemporâneos de Nicolau Copérnico, que acreditavam que era o sol que se movia em torno da terra quando ele afirmava o contrário. Podem ainda juntar-se aos contemporâneos de Ptolomeu que ao invés dele afirmavam que a terra era plana e aos milhares em comunidades afastadas que acreditam ainda nisso...

Não é fácil, em segundos, convencer uma civilizacão inteira que espaço, tempo e o horizonte rectilíneo são curvos. Mas são.

Muitos cientistas excluem a possibilidade de viagens interplanetárias baseados na filosofia da diagonal do guardanapo: "Ahh...Demora muito tempo...a velocidade máxima conhecida é a da luz...". Mencionam viagens interestrelares com obrigatória animação suspensa e todo o tipo de disparates afins com base na teoria da relatividade cujo prazo útil só se continua a aplicar ao quotidiano.
E depois mencionam a questão da propulsão.
A merda da propulsão é um mito. Andam a perder tempo com combustíveis fósseis, com misturas explosivas que são autênticos venenos atmosféricos... energia nuclear... Esqueçam a propulsão!

O segredo das viagens interestrelares está em conhecer grande parte da filosofia inerente à dobra do guardanapo. Comecem por aí.

E é graças a esse conhecimento que há gente com um aspecto estranho que nos visita num minuto e após uma hora das nossas estará lá em sua casa, no extremo do vértice. Gente que complacentemente nos vê ainda a deslocarmo-nos duma forma complicada e poluente.

Acreditam em discos voadores?
Está científicamente provado que é mais fácil acreditar num boato, que em algo que se vê com os seus próprios olhos.
Quando eu era adolescente, ali na Linha, numa noite de sábado, num verão quente em que toda a gente andava a curtir o ar livre e o calor nocturno, milhares de pessoas assitiram à aparição de aparelhos estranhos no céu a evoluirem num espectáculo de luz, velocidade, acrobacia e cor.
Em Oeiras, Parede, S. Pedro, S. João...Estoril... Eu não vi, mas relataram-me as mesmas características, o que é raro (veja-se o relato das testemunhas dum acidente) no dia a seguir.
Três dias depois, toda a gente que me tinha contado o facto evitou falar no mesmo, houve mesmo quem culpasse o álcool ou a ganza...

Existem milhões de relatos, documentados, agora já com a chancela de governos (como dos E.U.A.) que admitem o "fenómeno".
Eu cá sei é que, quando tinha doze anos, achava que no ano dois mil iria ser assim: tudo a deslocar-se silenciosa e rápidamente pelo céu...
...Sinto-me enganado. É que eu, pelo menos, faço o meu trabalho direitinho.

Senhores cientistas, livrem-nos do petróleo, da poluição, da propulsão... Não se preocupem com fundos, com políticos e o lobby dos combustíveis fósseis.
Os irmãos Wright eram fabricantes de bicicletas, senhores...
e agora toda a gente anda de avião... por enquanto.

Agarrem-se ao guardanapo. Eu sei que se sentem ainda bebés, e que ele vos faz lembrar as fraldas em que estão metidos em relação ao vosso vosso nível de conhecimento, mas ainda assim... Podem começar.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Água

Não bebo tanta como deveria, e a que cai do céu nunca me entristeceu, sempre a ela me ofereci.
Em África, uma cheia nunca era o fim de algo para ninguém. Um transtorno, apenas, o rio a correr pelas ruas. E nós também: crianças, sapos, cães e gatos. E as pessoas tornavam-se melhores com aquela natureza bruta de tempestades sérias.
Tendo evoluído, que teremos esquecido?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Trashin prashin, takun... taw! (trechen II)


Subo a parada: dois iates do Abramovich...

Vim do Ginásio, e, mesmo de encomenda, numa das aulas de Spinning, encontrava-se uma bifa.
Vive cá. Já por ali a tenho visto, desde há bastante tempo.
Como de costume, nós alunos, e o prof, um porreiraço, trocamos umas piadas enquanto a aula decorre e o chão por baixo de mim começa a parecer-se com um laguinho do Monet, ainda sem nenúfares...
Tudo bem até a bifa abrir a boca. Aí, o prof baixa o volume da música, assustando e fazendo saltar os peixinhos do laguinho que me cerca a bike, e com um "Wath?", começa ali uma interface internacional. A partir daí, a aula torna-se bilingue, como o textinho do cabeçalho deste blog:
Mais um minuto!...Just one more minut! Sem misericórdia!... No mercy! (a minha gargalhada assusta o tubarão que persegue os peixinhos, a barbatana que sobressai do laguinho faz uma viragem brusca).

E tudo por causa da bifa, que coitada, já respondia no seu melhor português para minimizar o embaraço alheio...

E não é caso único, lembrei-me de inúmeros do género, logo ali.
Existe por aqui uma reverência por tudo o que fala inglês, francês, alemão ou italiano.
E não só, Isso reflete-se no mercado de trabalho e nos negócios em geral. Um dos meus pares possui um nome estrangeiro: pronto, tem a vida feita, já há muito. O problema é que ele não é medíocre... é mesmo mau. Procura a simplicidade, vendendo-a como tal, mas encontra e oferece a pobreza... e o cliente, sem nenhum mecanismo de percepção capaz (porque quem passa os cheques neste país ainda não possui, na maior parte dos casos, uma cultura global que lhe permita fazer juízos de valor no âmbito do design)... papa com aquilo.
Outro caso, Um portuguesinho da Silva. Esse sim, um excelente profissional, com uma qualidade e capacidade de trabalho exemplares e um merecido lugar no mercado, que inteligentemente potenciou o seu nome duma forma criativa. Mas trata-se duma excepção. E quem o procura normalmente é o empresariado esclarecido, que não papa gato por lebre...

O que prepondera é a nossa subserviência. Lembram-se da vergonhosa frase... "para inglês ver"?

Não tenho razão?
Façam a seguinte experiência: Durante um dia deixem de frequentar os mesmos sítios e vão a outros.
Nos mesmos, falem sempre em inglês com quem vos atende. Não faz mal possuírem tez morena. Respondam que são americanos, se vos questionarem sobre a nacionalidade.
Cuidados a ter: Escolham um dos dois sotaques cosmopolitas: Manhattan ou Brooklin (mais castiço) e tragam uma foto do Bin Laden na carteira*.
Não vai ser difícil. Vocês conseguem. Se há gente que mantém relações duplas e triplas, se existem indivíduas que convencem toda a gente na empresa onde trabalham que ainda vivem com aquele indivíduo importante (mas que acabou com elas há dois anos) para manter o status...enfim, fingir-se de americano durante um dia não vai ser, de todo, difícil.

Vão ver que vos tratam, durante um dia inteirinho, como gente da realeza. Contem-me depois.



Uma coisa é sermos hospitaleiros, o que é bom.
Outra é abrirmos a boca e a nossa língua transformar-se num tapete vermelho.


*A foto do Bin Laden é para o caso de aparecer um mujahedeen que vos confronte. Aí mostram-lhe a foto e juram a pés juntos que, embora americanos, também são combatentes da Jihad...

Trashin prashin, takun... taw!

... Pois é. Mal ouvimos falar estrangeiro, mesmo que não percebamos nada, o ouvidito fica logo como o do Spock, ou o dos meus gatos, quando sentem passar alguém nas escadas.

Isto a propósito duma notícia saída ontem num dos borliús matinais: Carpooling.

Tem direito a projecto de análise e viabilidade de implementação, da responsabilidade do IST. E honras de site: ainda não fui lá: www.carpoolingaml.org

E o que é? Nada mais nem menos que partilhar o carro com os vizinhos dos arredores, na deslocação para a cidade. É algo que conheço há anos, e inclusive pratiquei, quando morava fora de Lisboa.
É melhor se forem só homens. Vai-se falando de gajas e do jogo do dia anterior, e contam-se umas anedotas. Chega-se bem disposto, e como a treta da gasolina está cada vez mais cara...
Com elas é mais complicado, pois normalmente vêm a desabafar as desgraças lá de casa logo pela manhã entre choros... e eu, com esta costela franciscana, nã'escapo...

Só que agora, a referida prática ostenta um Nome Com Uma Ganda Pinta, e assim, o pessoal ao chegar ao emprego já pode afirmar: "hoje vim de Carpooling", ou então "hoje, mesmo com o Carpooling, o trânsito estava uma confusão... fónix!"

Faz-me lembrar de quando era puto e brincávamos na rua, nos jardins e no mato, aos índios e cowboys:

"Trashin prashin, takun... taw! " eram as últimas palavras, em inglês inventado, que eu ouvia, ao cair mortalmente ferido pela winchester dum dos cowboys...

Ofereço um dos iates do Abramovich a quem decifrar a frase. É só escolher...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O Alemão


Acabo de pousar o meu telemóvel, um Sony-Ericsson. Com o braço, varro levemente o rato luminoso para o lado. Ostenta um símbolo universal: uma maçã branca com uma trinca. Afasto-o, para melhor usar o teclado do Mac.
Olho para um ecrã plano Formac, para ler o que escrevo.
Quando o comprei, há cinco anos atrás, tinha sido premiado pelas revistas da especialidade como sendo o melhor para Macintosh. Ficou à frente dos próprios Mac ( que agora acho enfadonhos) e toda a alminha que entra aqui no atelier ainda agora lhe gaba a elegância. É porque é mesmo catita... ecrãs planos há-os a pontapé...
Os meus dedos e o teclado, ao escreverem, são iluminados por uma candeeiro Artemide E-light, premiado, que também funciona muito bem vai para alguns anos.
Antes, colocara a carregar uma máquina HP que há anos me custou seiscentos e tal euros. Hoje seriam apenas cem e com melhor teconologia. Mas esta nunca me deixou ficar mal.
Para onde olho, tudo possui o logotipo em língua estrangeira.
Os últimos objectos utilitários portugueses que me lembro de ter possuído eram candeeiros em polipropileno duma série interessante de jovens designers nacionais que eram extremamente baratos. Foi lamentavelmente descontinuada, a sua produção...
Cá em casa, para ver algo genuínamente português, tenho que olhar para um dos espelhos. Que os há, sempre destapados, contra os princípios do Feng Shui, ao qual deveria ser mais atento.

Hoje, usei o meu Macintosh para aceder ao meu blog favorito. (anda para aqui uma puta duma mosca enorme, acreditam? Paf! tive que me deslocar à sala para trazer o mata moscas Phillipe Starck. Os gatos mandaram-no para trás da Grundig. Com ele na mão foi fácil. A puta não saía da frente do ecrã, atraída pela luminosidade. Agora jaz na cadeira finlandesa esfarrapada pelos cabrões dos gatos. Trouxe-a da sala pois tinha dificuldade em convencer os meus clientes que o gigantesco cubo luminoso assente no chão, Um Toto milanês, além de candeeiro premiado, era também um confortável banco. Ainda assim, alguns, ao olhar para o esfarrapanço da cadeira, nele se sentam alegremente. Quanto à mosca... acabou de estrebuchar, podem marcar-lhe a missa do 7º dia... Este Phillipe... até mata-moscas, senhores!)

O meu blog favorito é domínio duma jovem com um talento endiabrado para fazer rir o próximo da forma mais simples possível: Ela muito simplesmente descreve a sua vidinha, da forma mais divertida que se pode imaginar. Dia após dia, vamo-nos rindo com as suas peripécias... Nomeadamente no seu trabalho. E em paralelo, apercebemo-nos das suas qualidades profissionais, do seu empenho e valor, patentes nas entrelinhas de cada descrição.
Lendo-a há apenas alguns dias, apercebi-me facilmente de algo, que deve ter escapado a quem só se consome o simples humor dos seus posts. Tanto empenho, trabalho e dedicação, além de uma segunda-feira que ela já previa apocalíptica, cansaram-na, e muito. E foi, assim, sob a tónica do cansaço, que escreveu o seu post de hoje. Descrevia uma cíclica reunião importante na qual teria que comparecer e em que na última vez a sua participação activa lhe valeu um acréscimo brutal de trabalho.
Como tal, por graça, usou uma analogia cómica para afirmar que na de hoje, iria personificar alguém menos intelectualmente capaz, para não repetir a dose anterior...

Existiram duas leituras: a minha e de alguns, que acharam graça e comprenderam o motivo: o cansaço.

E a de outros, que viram na sua atitude uma exibição habilidosa e criativa de algo típicamente português: a Esperteza*.

O português é Esperto e orgulha-se disso. E enquanto observa outro Esperto o que diz é: "esperto é aquele, que não faz nenhum." e quando fala em discurso directo, o parceiro apanha logo com uns "tá lá quietinho, que a gente ainda se safa desta", "faz de conta que não é contigo e vais ver que corre tudo bem"...
Além disso, o português é, também, Desenrascado...com uma pastilha elástica resolve o problema do escape de um autocarro de passageiros... com uma meia de senhora finge-se uma correia de ventoinha... E não se esqueçam: os Portugueses, Espertos como são levam, sempre os prémios nos concursos de inventores...lá fora.

Então não percebo.

Com tanta Esperteza, porque é que o meu telemóvel, computador, mata-moscas, candeeiro, câmera, cadeira...não ostentam a etiqueta Made in Portugal?

Bem, ao ler alguns dos comentários ao post, meti-me na pele dum alemão vulgar, e a reflexão do mesmo (ao fim de muito tempo a tentar perceber a graça que tem fugir a responsabilidades, evitar dar o seu melhor, denunciar problemas e apresentar soluções, enfim, ser construtivo, por que só o sendo se faz evoluir o que nos rodeia) foi: hum... já percebi porque é que nós desenhamos, construímos e exportamos Porsches... e estes indivíduos...

...rolhas.


* Onde se lê "Esperteza" colocar antes da mesma a palavra "Chica" com um tracinho horizontal pequenino a seguir...
Outra coisa: O senhor da foto era Austríaco, e não Alemão...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Penis Enlargement


Isto de ser consultor é um pouco como ter várias amantes e ser fervorosamente fiel a a cada uma delas... Eu explico: possuo algumas colaborações fixas, e é para uma delas que me desloco amanhã. No dia a seguir vou para outra. Visto a camisola em cada empresa onde as presto e sou mais papista que o papa no que toca a defender interesses das mesmas.
Sofresse eu de um qualquer síndroma de múltipla personalidade e seria certamente um auxílio, mas como não é o caso, obrigo-me a emulá-lo...

O computador que me está gentilmente atribuído, no caso de segunda-feira, possui internet, como é normal, e o filtro de SPAM é tão largo como o Tejo quando os anos eram de chuva. Como tal, de cada vez que lá vou, é como se fosse uma caça às moscas, com um mix de pesca de atum (pois procuro, por entre todo aquele lixo, os úteis e-mails de trabalho...) a minha destruição massiva de e-mails, com estrelinha vitoriosa, de gente estrangeira que não conheço. Estou horas naquilo até deixar o e-mail limpinho como um rabinho de bebé depois do banho...
O que me irrita no processo, além da morosidade e trabalheira, é o teor das mensagens para as quais me tentam aliciar: Penis enlargement em duas semanas, viagra a dez tostões, mais penis" thick as a tree", mais penis "longer than a highway", sei lá...


É com um complacente sorriso que descubro que o mercado on-line descobriu o Pénis. Isto porque o Clitóris ( a próxima vítima dos marketeers...), ainda vai com um certo atraso, em termos de análise por parte do trade. Convém lembrar que só nos 70's é que a sociedade começou a dar conta da sua existência com os processos do Garganta Funda...Existiam juízes que desconheciam o termo... Só a partir daí é que o Clitóris... começou a correr as gargantas do mundo...

E convém referir que até ao século passado, as senhoras deslocavam-se aos consultórios médicos para terem orgasmos por manipulação do Sr. Dr., que eram na altura considerados o fim das crises de "histeria" (nem mais nem menos que simples desejo).
Aliás, o primeiro vibrador, do tamanho duma cadeira de dentista, foi pensado para facilitar a vida aos médicos, fartos daquilo certamente...
Isto tudo faz parte duma História fascinante. Perguntem ao Tio Google...

E, retomando: como o mercado descobriu o Pénis, toca de martirizar a mente masculina com os fantasmas referentes às dimensões do cujo, com e-mails daqueles.
E de quem é a culpa? Eu cá acho que é do indecente atraso da sociedade ocidental (porque se falarmos nas outras, então...) em relação a toda a filosofia subjacente ao sexo. Ou seja: ninguém ao mais alto nível cognitivo, percebe patavina do assunto! Numa escala de zero a cem no conhecimento da matéria devemos estar... sei lá... no cinco (e com muito boa vontade).

É uma opinião, a minha, que julgo bem fundamentada em factos concretos: Os estudos mais sérios, nomeadamente o Relatório Hite e as outras obras da mesma autora* têm muito poucos anitos e uma latitude imensa de estatísticas, e outra, ainda mais extensa, de dúvidas... E não há muita mais gente como ela por esse mundo fora a dedicar-se sériamente ao assunto. Só agora as Universidades americanas começaram a colocar a tecnologia ao serviço da pesquisa nesse campo.
E arranjar voluntários? o sexo ainda é o tal boogie...

Não vou discutir a importância do tamanho, primeiro porque, em si, é um assunto para o qual me estou completamente nas tintas, e não quero, de todo, contribuir para alimentar uma dúvida explorada por gente que quer ganhar dinheiro à sua custa...

Posso apenas referir, que isto de coisas de tamanho toca aos dois géneros, ou a indústria do silicone não se encontraria de saúde tão invejável... Eu cá, pessoalmente, conheci mulheres que "saíam ao pai" por quem muito homem gostaria de ter dado um dedo, tais eram os outros encantos.
Não quer dizer que esteja contra a cirurgia estética, de todo. Felizmente, ela, na sua vertente útil, existe para realizar verdadeiros milagres no amor-próprio de pessoas que não foram bafejadas com aquilo, que por direito, elas consideram a normalidade...

Para além do tempo que perco a limpar o e-mail, que poderia ser profícuo, irrita-me o facto de toda uma sociedade, a um nível inimaginável, andar a ser explorada com mambo-jambo e banha da cobra em pleno século XXI. Sem necessidade, pois o tecido intelectual da mesma já devia ter pegado na vassoura e ter tratado da limpeza deste assunto.

Para aqueles que, ainda assim, se inquietam ao receber porcarias daquelas, eu lembro o seguinte: Diz-se que quem não vê... ouve melhor que você...

Eu cá sou surdo que nem uma porta, desde puto...



*Sexual Honesty, by Women, For Women (1974)
The Hite Report on Female Sexuality (1976,2004)
The Hite Report on Men and Male Sexuality (1981)
Women and Love: A Cultural Revolution in Progress (The Hite Report on Love, Passion, and Emotional Violence) (1987)
Fliegen mit Jupiter (1993)
The Hite Report on the Family: Growing Up Under Patriarchy (1994)
The Shere Hite Reader: New and Selected Writings on Sex, Globalization and Private Life (2006)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Carta para Peões


Eu cá, ando de transportes públicos sempre que posso. De Metro, convém especificar. Porque Metro e autocarro são distintos: quem é freguês do Metropolitano de Lisboa partilha-o com todo a variedade humana mas o ratio de pessoas civilizadas é, ainda assim, relativamente aceitável.
Num autocarro nem é preciso entrar. Inserir-se na fila ganha contorno de começo de viagem interplanetária... e os planetas que conheço, além do nosso, não possuem atmosfera respirável…
Mas não é de transportes, a conversa de hoje. O metro veio a propósito, porque mal lá chego levo sempre com os mesmos conteúdos em formato diferente, nos matinais borliús,
Hoje o assunto da tituleira-mor era o das apreensões de carta.
Parece que vem para aí uma nova legislação. E isto porque como todos sabemos, devemos ser o país da UE com pior condução e maior nível de acidentes. As novas leis vão criar mecanismos automáticos de apreensão de carta aos condutores mais prevaricadores...Pareceu-me...

… Hum, Sei lá…só li as gordas, por isso estão à vontade para me corrigir ou definir o assunto em si.
Mas também não é por isso que estas linhocas aparecem aqui.

É por uma repetida e conhecida setença: antes de saber correr é necessário saber andar.
Isso mesmo. Saber andar. E para quem já andou em muito lado, a impressão de quem chega a esta bela cidade é a de que o povo não se sabe locomover duma forma civilizada. Não sabe andar. Nem estar quieto. Porque mesmo quem joga sem bola também faz parte do jogo ( lembram-se do Yuran e do Kulkov? Nunca nela tocavam, mas como tinham sempre a defesa toda em cima deles, abriam-se brechas para outro caramelo marcar os golos…).

Problemas: Gente que anda em trios de tertúlia a varrer os passeios, gente que se atravessa à frente dos carros e depois ainda insulta a mãezinha dos condutores obrigados a travagens bruscas, gente que nas escadas e passadeiras rolantes se junta aos pares e impede a progressão de quem vem atrás, com um ritmo um pouquinho mais acelerado, porque alguém tem que trabalhar neste país... Gente que escarra com uma sonoridade aterradora, que joga lixo fora, que fala alto ao telemóvel (apanho cada susto), Gente que se comprime em parede humana em frente às portas do metro a impedir a progressão dos que desembarcam ( autênticos Omaha Beach)... Enfim...

E o pior é que esse mesmo povo entra nos automóveis e se comporta exactamente da mesma forma exemplar.

Lá fora...À saída de carro do JFK, em Nova Yorque, leva-se logo no primeiro cruzamento com um sinal de stop com duas tabuletas agregadas, uma onde está escrito YOU STOP HERE, e outra com a seta a apontar o HERE referido... Isto é comum na filosofia subjacente a toda a sinalética americana.

Em Londres, quem anda de metro ouve sempre as mesmas cantilenas: ...MIND THE GAP... KEEP RIGHT... (nas passadeiras e escadas rolantes, segundo o mesmo princípio do trânsito automóvel)

Em Bruxelas chega-se ao cúmulo de se lerem avisos, nas passadeiras, de que o fim da mesma está a quinze metros: LA FIN A QUINZE METRES...

Enfim, conta-se por esses lugares de que se tratam de caridosos apoios para quem se desloca, porque as pessoas vão distraídas...
Por aqui também o andam, mas eu tenho outra solução (Isto de dizer mal e de não apresentar soluções não é comigo).

É esta: Quem, a partir de idade a designar, se quiser deslocar pelo seu próprio pé em lugar público deve fazer-se acompanhar de documento oficial, passado por autoridade competente, comprovativo da capacidade de exercer tal acto sem prejuízo da segurança, fluidez de trânsito pedonal e automóvel, higiene e outros requisitos a definir.

À imagem duma carta de condução automóvel.

Vantagens: criam-se milhares de novos postos de trabalho com a emergência de centenas de Escolas de Locomoção Pedonal. O Estado, em consequência, arrecada uns valentes biliões em impostos... isto sem falar no inevitável aparato de repartições da novíssima Direcção-Geral de Locomoção Pedonal, apoiada por vários outros organismos satélites.
E os advogados? Que lufada de ar fresco no sector...
E os seguros? teriam que ser naturalmente obrigatórios, os de responsabilidade civil contra terceiros...Isto sem mencionar o novo imposto de selo para circulação pedonal...obrigatório, na lapela.

Haveria outras coisas menos simpáticas, como Operações-Stop no meio da rua, para verificação da conformidade de tudo isto ...Mas como não há Bela sem Senão...

Enfim... E eu não teria que andar aos "colicenças" contínuos cada vez que me desloco numa escada rolante, e, mais importante, este tipo de locomoção segura iria reflectir-se na condução automóvel, certamente melhorada a um nível jamais visto...

Como querem ter um país de bons condutores com peões assim?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O Verdadeiro Amor


De todos os seres humanos que pisaram o planeta desde a invenção da escrita só existe um que define o Verdadeiro Amor como eu o concebo. A senhora da foto de cima.
Para mim o Amor é dar. Dar, e ter o maior prazer nisso, sem esperar nada em troca.
Diz quem ama que é preferível encontrar-se na pele do que dá mais e que mais se entrega, que é, embora sendo o que mais sofre, o que melhor sente e goza a essência do Amor.
Não vou, depois de Camões o ter feito, e de Shakespeare, que contra todas as correntes o celebrou, definir o termo.
Aquilo que é o Amor para os outros, para mim são amores...
Para quem não sabe, a obra de Madre Teresa não era uma obra de caridade cristã, embora fosse sob a cruz que exerciam o seu acto de Amor: nem mais nem menos que dar um fim pleno de puro afecto aos moribundos que juncavam as ruas de Calcutta.
Recolhiam-nos, pela manhã, levavam-nos para a obra, e com carinho, lavavam-nos, como bebés, beijando-os, acariciando todas as suas feridas, algumas em estado já de decomposição em vida... Com o ar mais ternurento sussuravam-lhes ao ouvido meiguices, e sempre com um sorriso de Amor, genuíno. Daqueles que a girl next door adoraria ver na cara do namorado mais vezes.
Ex-modelos de topo, ex-advogados de multinacionais, gente de todo o mundo que abdicou de tudo para Amar desconhecidos em eminente fim de vida... E sempre com um obrigatório sorriso. Felizes por poderem exercer o Verdadeiro Amor...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Dia “de”

Quando eu era puto os únicos dias “de” eram o Natal, o meu dia “de” anos, o dia “de” começo das aulas e o dia “de” começo das férias.
Depois, cresci um bocadinho, e só por acidente, comecei a perceber que acabava com as minhas namoradas de inverno invariávelmente a 19 de Junho.
Poderia ter-lhe chamado o dia “de” qualquer coisa…tipo…dia “de” Abertura do Verão Inconsequente, ou algo do género…

Depois, cresci, ainda mais um pouco, não muito, mas o suficiente para dar o nó. Aí tive que inserir alguns dias “de” no protocolo, porque assim o é…

Depois…não, não cresci. E aí os dias “de” passaram a ser os dias de de anos dos meus amigos e de a quem quero bem. E mais nada.

Ao lado, na rádio e na tv, comecei a perceber que existiam por aí, instituídos, mais dias “de”… como o Dia Internacional da Mulher ( porque não do Homem?), Dia Internacional da Criança, Dia “de” o Pai, dia “de” a Mãe, e, finalmente, o Dia “de” S. Valentim.


Ok.
Só o festejei uma vez, por graça, há uns anitos, respeitando os dois passos. E eis a minha impressão:

Flores: filas intermináveis, mesmo nas mais lojas mais trendy, para chegar a um balcão onde nos entregam autênticos molhos de hortaliça, que levamos para o carro a tropeçar nos buracos da calçada, porque os olhos não nos saem daquela autêntica porcaria que nos custou o equivalente ao jantar.
Ao chegar ao pé da criatura, com a vergonha, a única atitude elegante é dizer mal daquilo que está já em voo elíptico para o banco de trás. E rir, a dois, do facto do ramo de flores mais feio que no passou à frente ser aquele.
Bom humor… sempre necessário.

Restaurantes: para não ser um dos habituais, porque o dia é diferente, escolhe-se um outro. Mesmo com marcação, é óbrigatória a pose de matraquilho à porta, juntamente com vários outros parzinhos, todos encostados como pinguins no meio duma tempestade antártica…(Ainda bem que a data se festeja no Inverno). Surpresas agradáveis: Um gajo vai olhando para as mesas e vai vendo algumas caras conhecidas em enlaces insuspeitados ( olha aqueles dois… quem diria…).
Sentados, o stress, o pivete a testosterona e adrenalina do empregado é o hors-d’oeuvre que nos cerra o apetite para o que de intragável se segue preparado por quem na cozinha está também a dar o seu litro de suor…

Romântico, não é?

Dias “de”, nunca mais. A sociedade de consumo que se autofagize sem mim… please.

Feb 14, dinner time...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Codename: Cloverfield" striptease...

Abstraccionismo

Para muita gente em Portugal, o abstraccionismo ainda é uma inexplicável aberração. Ouvi uma conversa que o confirma a propósito da Colecção Berardo, na fila para a medíocre exposição do “Ermitage” (que não é senão um follow-up da cultura e história da Rússia desde Pedro-o-Grande até aos últimos czares, coisas que pessoas civilizadas já deviam saber, a partir duma selecção muito limitada de peças decorativas e artísticas de valor secundário mas que devem ter maravilhado várias sensibilidades…)
Schoppenhauer, bondoso, explica-o com uma analogia com a música: algo que se sente com os ouvidos. Neste caso, algo a sentir com os olhos*.
Eu utilizo o exemplo da foto abaixo: Não percebo patavina do que está escrito, sei que é um poema de Mao Zedong, porque fui informado. Contudo, acho bonito. Os meus olhos gostam. E é assim que deve ser apreciado aquilo que para nós é uma abstracção. Sem serem necessárias quaisquer explicações.
Sei que os meus netos ficariam intrigados ao lerem este tópico. É que, lamentávelmente, neste país, em pleno século XXI, ele faz sentido.

* Ouvidos fora do contexto musical, nariz... tudo o que é mecanismo de percepção que este mísero esqueleto nos proporciona...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O verdadeiro Sex Instructor

Joe

Isto das opiniões respeita uma lógica diferente da dum torneiro mecânico ao dar o seu veredicto sobre o acabamento dum eixo que tem que funcionar bem sem se partir. Podemos dá-las sem correr o risco de incendiar o mundo. Mesmo assim, como é o caso, haverá gente que ao ler isto ficará a olhar para mim de lado…
Outra coisa: As opiniões são pessoais, Têm a ver com gostos, simpatias... empatias. A forma como se vêm as coisas deste lado. Por exemplo, eu, por natureza, detesto nós-górdios. Faria o mesmo que Alexandre quando lhe apresentaram um, armados em espertos. Pegava numa puta duma lâmina e fodia a merda da corda até a porcaria do nó deixar de o ser, e depois, suado, olharia para todos com o ar de quem pergunta: não têm mais nada para fazer que inventar merdas destas para se armarem em interessantes?
Isto é um país de nós-górdios. Para onde olho, é o que vejo. Por isso quando aparece alguém como o Joe Berardo que trata as coisas duma forma crua, pragmática, objectiva e sincera, é natural que eu simpatize com ele. Autêntico, e com uma arrogância justificável, diz e faz coisas naturalmente…porque pode (como sai da boca de Clive Owen, em Infiltrado).
Não vou escrever nada sobre o que ele trouxe de bom a este país, nem espero defendê-lo em relação a actos, supostos esqueletos no armário, so on ( ah, ele foi muito mau naquele questão… foi bera para aquela gente… não estive de acordo na questão disto ou daquilo, deu-nos isto ou aquilo…) Apenas abordo a atitude, o estilo e, muito particularmente a faceta que julgo estar bem patente na imagem abaixo: um carcharodon carcharias numa piscina pública. Algo que embaraça e questiona todo o sistema de valores desta engravatada sociedade… que não funciona.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Condutores de Domingo



Cuidado, o stress ao volante não é apenas característica dos dias de semana...

Last Night a DJ Saved My Life


Adoro aquele Clube ali para os lados de Santa Apolónia.
Não, a foto não foi lá tirada, está apenas aqui por graça, e não, não estive lá ontem há noite nem em lado nenhum onde se dance... Estive a jantar com amigos e depois trabalhei até surgir uma nuvenzinha por cima da minha testa, na qual se encontrava a minha caminha... São assim os betweens... E este já dura há uma semana.
De qualquer forma, adoro aquilo. Normalmente este país só me entristece, mas acho que ali temos motivo de orgulho. Lembro-me de, há anos atrás, sair a correr de um avião que me resgatou de uma semana de noites em Ibiza, e meter-me lá depois de um banho (aliás, truque a partilhar: apanhem sempre os táxis nas Partidas e não nas Chegadas. Agradecem-me depois). A sensação foi boa. Não foi o... sentir-me em casa, foi o sentir qualidade, estilo, satisfação. O papinho-cheio de tudo isso.
Houve uma altura da minha vida em que aquilo era uma segunda casa, chegava a levantar-me da cama onde me encontrava às 3 da manhã para me dirigir para lá, só, como que um urso de BD atraído pelo cheiro de uma torta...
Já não vou lá há meses. Espero que esteja tão bom de como me lembro: ao melhor nível do que tenho visto por esse mundo fora...
Aos portugueses que se ultrapassam... Obrigado.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Allison Cortson



Só telas, no girl, mas vale a pena:
Allison Cortson (n. 1978, Califórnia) expõe 12 pinturas de grande escala, executadas com pós, epoxy e óleo sobre tela. As figuras apresentadas nas suas pinturas, suas conhecidas, são transferidas para ambientes com pó que é recolhido dos aspiradores durante um período de vários meses. Os retratos são representados de forma realista em óleo enquanto que o cenário é desenhado em pó com epoxy sobre a tela.
Gathering»até 29 Fev»Galeria Filomena Soares (perto do Beato, de caminho podem apreciar a Vigorosa e a Poderosa durante o dia...)

hortelã



Adoro hortelã. Aliás, adoro cozinhar, e um dos pratos que faço amiúde é uma boa massada de marisco com hortelã. Parem de olhar para o chocolate por favor… Coloco-a no princípio, como tempero, em grossas folhas esmagadas que se diluem… Parem de olhar para o chocolate por favor… em sabor com tudo o resto… e no fim, para o qual preparo as folhas mais vistosas para serem devoradas quase cruas… Parem de olhar para o chocolate por favor… por quem, como eu, adora realmente Hortelã… Parem de olhar para o chocolate, por favor, estava a falar de hortelã...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Homens Dois-Em-Um

Um dia falava com um amigo de longa data, numa festa privada em lugar público onde se encontravam inúmeras desconhecidas. Como de costume observávamos tudo o que mexia ao nosso redor. Quase toda a mulher, mesmo acompanhada, parecia procurar algo. Várias vezes nos sentimos observados de forma gulosa.
Lá estão elas à procura do príncipe encantado… comentei eu. O meu amigo calou-se e obrigou-me, com o seu silêncio, a encontrar os seus olhos metálicos.
- Rocket, meu caro projéctil, pode ser isso que elas procuram, mas para uma grande parte, o que encontram é bem diferente… E desviou de novo os olhos… desta vez para bem longe dali.

Olhava talvez para o seu passado de homem casado e de pai que tão bem desempenhou durante 11 anos, deixando até crescer, na altura, uma respeitável barriguinha.
Como ele se encontrava diferente, agora.
Deveria a sua mente a navegar naquele momento na realidade que procedeu o seu divórcio, aos trinta e picos. O desgaste da separação e uma vontade de renascer mergulharam-no num manto de novos hábitos. Começou a muscular-se e a correr com raiva e perdeu a barriguinha, a respeitabilidade, a carreira e dez anos de aspecto pesado. Rejuvenescera. Tornara-se rijo. E desejável. Desde essa altura até agora era o homem que eu conheço com o melhor caixote de lixo de Lisboa… Mas não era nada de que ele se orgulhasse, já há muito.

Sei o que ele quer: ter uma vida… normal.
- Rocket, já não tenho coronha no revólver para marcas, cada vez que nele pego, arranha-me as mãos e o coice do disparo fá-las sangrar…
Por tudo isso ouço-o com atenção quando se trata de mulheres.
- Caro amigo – dizia-me – não falemos de ti ou de mim ou dos nossos casos, abordemos a generalidade: elas procuram o Príncipe Encantado, ou o Homem Da Sua Vida, ou o Mr. Right, ou o Tal, ou a Alma Gémea, ou o que lhe queiram chamar, mas na verdade, em muitos, muitos casos, na vida de uma mulher acontecem quase sempre sempre dois homens por relação, e não um… - Abri os olhos, encolhi os ombros de espanto e ele continuou…- Pois é. Um binómio, que nem sempre coexiste no mesmo hiato temporal mas que na sua mente feminina estará sempre presente: Um, selvagem, duro, é o que lhes fará os filhos, aquele por quem ela treme, se derrete, se molha, se desassossega, se martiriza, o inimigo ao qual se rende, e o outro, manso, domesticado, será o que lhes dará o nome e a segurança para ela os criar. Esse tornar-se-á no seu melhor e mais fiel amigo, a sua almofadinha, o seu ombro, o seu encosto e na maior parte das vezes a sua segurança. É esse o desgraçado que ficará sempre com elas, até ao fim, seja quando ele acontecer, porque tudo tem um…

Lembrei-me de Cleonice, casada com o mais abastado cidadão de Potideia, uma bela amante de Alcibíades de quem no ventre trazia um filho, que quando inquirida sobre o facto respondeu: Ninguém imagina o que é transportar em si o fruto da semente dum homem assim…- E, continuou o meu amigo. As mais infelizes são as que insistem no Dois-Em-Um quando não é o caso. E isto porque elas são educadas para procurar afanosamente essa quimera. E nem todos o são… Aliás, tratam-se de excepções, e cada vez mais, não só pela sua natureza mas pela própria metamorfose da mulher no que ela hoje é…

E deu um pequeno gole na tónica, ele que não bebe álcool há muito.
Assim, e como se recusa a envelhecer, para mais com aquele aspecto felino, será que este meu querido amigo não passará nunca da sementeira?

Ikebana


A minha querida maninha foi ver a exposição de ikebana ao Museu da Cidade. Ontem à noite, onde toda a gente via um baldio perto dos caixotes onde ela faz a reciclagem, ela viu isto, que para mais combina com a decoração da sua casa (que é o que realmente acho curioso, pois sempre associei Ikebana com vanguarda..., vícios mentais dos 80's). Não conheço os fundamentos da filosofia subjacente ao Ikebana mas se estimulou a sensibilidade da minha maninha... uma salva de palmas para o Japão!

Fabuloso Domingo



O Domingo é fabuloso! E aí vem, logo após o Sábado. É o dia em que tudo se define, como na velhice, em que os piores defeitos e as melhores qualidades atingem o seu auge! E é mesmo o dia...mais velho da semana. Vejamos: é o dia em que a bimbalhada se apruma, se atavia, para sair à rua em que lhe vemos, pornográficamente, a piroseira em todo o seu explendor, potenciada ao máximo, cuidada. É o dia das filas intermináveis de trânsito para apanhar um pouco de sol ou de montras nos ccs…
Eu cá resolvo os meus domingos da seguinte forma: O mais esfarrapado possível, a coçar a barba por fazer, de maneira a que olhem para mim três vezes antes de me deixarem entrar no ginásio de manhã.
A tarde dedico-a ao sofá acompanhado pelos meus dois tigres, e à noite nem pensar em sexo! Pois correrá mal de certeza, com a cabeça enfiada já na segunda feira e na cambada de idiotas que vou ter que aturar no dia mais bebé da semana…

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Atraso

Um amigo meu comentava há dias a minha preocupação relativamente ao futuro dos nossos rebentos. Ela aparecera-me sombria, no decorrer duma reunião de pais em que me apercebi que afinal não é só o meu âmbito profissional, não é só o governo... não é só isto... não é só aquilo... que está entregue aos bichos: o Futuro, aquilo em que eu não posso intervir, também o está.
Durante a reunião de pais mantive-me estupefacto com o ridículo da descrição sumária da incompetência geral do sistema educativo e da paquidermia de quem nele funciona. Apenas me lembrava a analogia: quando acontecem desta coisas nas empresas privadas, o caminho para a rua é o mais certo com direito a pontapé no traseiro. Sim. Porque quem nelas trabalha sabe que nunca como agora o profissionalismo foi tão levado a sério, seja qual for a definição de quem o refere.
Voltemos... ao futuro.
O meu amigo, feliz, referia o do rebento dele como algo que não o deveria preocupar, isto porque o colocou num colégio anglo-saxónico, em que no 3º ano, antiga 3º classe, os alunos abordam... Miró.
Pois, Miró. Dizia-me ele, comentando que muitas professoras primárias deste país desconheceriam até o nome...
Outra minha amiga filosofa: Vê, Charlie... a palavra preocupação: pre-ocupar, ou seja, você se está ocupando de algo que ainda não está acontecendo... não faz sentido, né?
Eu cá, mantenho-me preocupado. Ainda não me saiu o Euromilhões e não sei como tratar da educação da minha cria. Apenas me consola o facto de ela ser quem é e de no meio do lixo ter a habilidade de encontrar tesouros, como eu. Ela própria refere o exemplo de quem tira cursos universitários sem nunca pisar um estabelecimento de ensino superior, que apenas serve como guideline para o que se tem que estudar para ultrapassar os métodos de avaliação...
Espero que algo mais do que a iniciativa pessoal se manifeste neste país relativamente à educação. Ou então, o Futuro... será bem, mas bem pior que este presente. Conseguem imaginar?
Durmam bem, se o conseguirem...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

escravos modernos

Slave to the rhythm... resume-nos, seguramente. A todos. 
Uns, completamente subjugados pelo ritmo, embalados, mesmo por ele, até ao último exalar de vapor branco numa qualquer sombra escura, a do seu fim. O fim de um escravo moderno.
Outros, com a ilusão de detentores de poder, escravizados pela mesma. A criarem o seu próprio ritmo e o de outros, todos seus escravos.
Que vosso o ritmo seja... agradável