Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Inimigo


É inevitável. Quando se fala em pedófilos ou criminosos sexuais, quem debate ultrapassa a condenação e vai logo direito à pena: as invariáveis castração ou morte dolorosa, daquelas que duram horas de insuperável sofrimento.
O surpreendente é que, nestas situações, quem julga e condena não poderia ser mais manso: Mulheres e homens dóceis, de excelente coração, gente que a própria violência que manifesta nestas ocasiões a horroriza a um nível insuportável. Os que desviam a cara a qualquer situação de horror ou sofrimento, os que não suportam ver um animal faminto ou atropelado, uma criança com fome, alguém em agonia…
São os primeiros a declarar o inferno. O empalamento, esquartejamento, o esfolar em vida…
Como é possível?
O fenómeno, compreendido, tem sido usado por generais e ditadores ao longo dos séculos.
Recordo-me de uma cena de ‘’O homem que queria ser rei’’ com o Sean Connery e o Michael Caine, em que o chefe duma aldeia caracterizava os habitantes da aldeia inimiga como animais cruéis que matavam, violavam… e urinavam na parte de cima do rio quando os seus aldeões se banhavam…
Trata-se da desumanização do inimigo.
Quando nasce um oponente, no horizonte de alguém, existe uma barreira a ser quebrada. Somos todos Sapiens. São maiores as semelhanças que nos unem que as diferenças que nos separam, e todos possuímos um sistema moral que privilegia a alimentação do factor gregário, ele mesmo dependente da simpatia, empatia, compaixão e outros valores que reforçam as semelhanças entre nós. Necessitamos disso para viver em sociedade.
Assim, os factores imprescindíveis para uma boa relação social são os primeiros alvos a abater numa situação de conflito.
Como, num estado de sanidade mental, não nos conseguimos agredir a nós próprios, também não é fácil conseguir que nos tornamos agressores de outrem que partilhe as nossas características. Alguém parecido connosco. Portanto, o que é necessário , para manter ou alimentar um conflito, é fazer crer que o inimigo é mesmo diferente de nós. O Mais possível.
Mas na verdade, ele não o é.
E não é fácil desmentir evidências. É aí que entra em campo a propaganda, a desinformação, a calúnia organizada.
Muitos se lembrarão dos cartazes de propaganda da II Guerra Mundial. Os judeus eram representados pelos alemães como criaturas diabólicas, nosferatus corcundas de nariz adunco e olhar maligno cujas sombras rivalizavam com a própria escuridão. O olhar dos japoneses, nos cartazes americanos, esse, era indefinido, oculto pelo rasgo das pálpebras, coberto ainda pelas grossas lentes dos óculos redondos: ausência de olhar é ausência de alma. Os dentes incisivos afiados ameaçavam a fatia do Pacífico, Índico e a costa da Califórnia…
Há quem diga que a Caricatura nos jornais teve o seu incremento com a emergência dos conflitos em que o inimigo era representado por animais ferozes e o amigo, ou vítima, pelos animais mais simpáticos da criação.
A recente polémica detonada por uma caricatura em que é representado, no New York Times, um chimpanzé, com alusão aos planos económicos do executivo de Obama recorda bem as raízes bélicas da Caricatura.
Contudo, não é necessário o esforço de desumanizar pedófilos, violadores ou serial killers, eles, por si, tornam-se diferentes para todos nós. São animais a abater.
Mas não. Não são.
São apenas seres humanos doentes. Como com os ‘’lunáticos’’ ou as ‘’histéricas’’ no século dezanove, a sociedade do emergente século vinte e um ainda não está preparada para lidar com eles de outra forma que não violenta.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

notre dame

''Se vocês não nos tratassem mal, não seria necessária a existência dum Dia Internacional da Mulher''

''Cada uma de nós deveria matar três homens. Seria uma excelente maneira maneira de comemorar o dia''

''Os homens não se apaixonam. APIxonam-se''

Achei graça a todas, por isso as publico, mas a do meio é uma impossiblidade matemática...

Terça-feira, 3 de Março de 2009

O dia da verdade

O brilho da sedas das gravatas Hermés não lhes define o padrão no ecrã das Internacionais RTP ou SIC, que por aqui me dão notícia do que se passa em terra lusa. De resto, tudo brilha em Portugal quando colado ao corpo de alguém. Assisto, ao longo dos telejornais, ao desfilar de gente que bem poderia ter abastecido o seu guarda-roupa na Rodeo Drive ou na 5ª Avenida.
Quem não for português e assistir a um noticiário televisivo ou a um qualquer programa onde apareçam pessoas, adivinha prosperidade pelo cuidadoso e rico atavio das gentes e por todo o luxo que as envolve. Roupa de marca, impecavelmente tratada, as ruas repletas de reluzentes topos-de-gama, interiores design, iniciativas de milhões, flashes, abundância luminosa e colorida... Dir-se-ia um país produtor de petróleo, diamantes, plutónio, platina... Ou tecnologia de topo: automóveis, aviões, megaestruturas. Enfim, qualquer coisa, ou coisas, que fornecessem a quantidade necessária de dinheiro que pague tanto luxo.
Lisboa é uma cidade rica na sua aparência. Centros comerciais gigantescos, prédios moderníssimos. E tudo começa no aeroporto, cintilante. Seguem-se as ruas pejadas de carros ou motas de luxo, tudo conduzido por gente com um aspecto milionário.
Outras capitais europeias não exibem tamanha prosperidade. Lembro-me, há poucos anos, do parque automóvel espanhol quando Espanha era a nona economia mundial: velho e remediado.
Ou do aeroporto de Heathrow: uma possível segmentada estação de metro. Ou do poeirento JFK, com taipais a abanar. E, antes da crise, eram estas as economias fortes.
Quando miúdo, as riquezas do meu país eram o vinho, o azeite, a cortiça. Era o que se encontrava registado nos livros escolares. Mais tarde juntaram-se-lhe os textéis, o calçado, o turismo.
Tudo isto agora não vale nada. O vinho português mergulhou num mercado saturado por países que descobriram como é fácil gerar o néctar a partir de castas. Chile, Argentina, África do Sul, Estados Unidos... todos concorrem pelo ouro nas feiras internacionais.
O azeite disputa o mercado com gregos, espanhóis e sobretudo italianos. Todos com fortíssimas estratégias de marketing viradas para a exportação. Até a azeitona é vendida com cuidadosa apresentação e processamento de tempero.
A cortiça ainda vai saindo, mas...
Os textéis e o calçado estão como sabemos e o turismo encontra-se em quebra. Vendemos praias de água fria mais caras que as outras.
Uma possível indústria era o mobiliário, mas não se apostou no design...
Outra fonte de rendimento era o próprio consumo. Portugal era um país com milhão e meio de funcionários do Estado. Passou a um milhão. Como é improvável que se siga o destino da Islândia, pelo menos esse milhão assegura algumas lojas abertas. Mas nada que justifique tamanha abundância.
De onde vem então o dinheiro para tanto luxo? É a pergunta que a mim próprio faço ao olhar para a imensidão de mármore da Sede da Caixa Geral dos Depósitos.
Não sei. Mas sei que o dinheiro que por aí andava nos ecrãs dos computadores dos bancos era de mentira. E julgo que era ele, e não aquele dos rolos de notas, que pagava isto tudo.
Como todas as fraudes, esta também foi descoberta.
Mas parece-me que em Portugal ainda não se sabe disso.
É uma sensação bem desagradável tentar imaginar o dia da verdade.

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

A Outra


Todas as terras possuem o seu maravilhoso mundo das pessoas que é algo que se disfruta no começo do contacto com as mesmas. Quem chega a Portugal, inquirido sobre o seu grau de satisfação no âmbito, responde de olhos muito abertos com muito agrado. Os portugueses, eles mesmos, bocejam se questionados sobre a maravilha de país que possuem. Eu adoro o lugar onde nasci, Lisboa, mas neste momento não se manifesta em mim algum tipo de saudade do mesmo.
Na verdade, pode parecer idiota, mas sendo alguém que necessita de espaço para explodir em coisas, acho que aqui encontrei o meu. Isto é realmente muito grande. Para ir a uma praia fazem-se duzentos quilómeros numa tarde, ir e vir. Nas calmas. É como ir aí à costa da Caparica... hum...demora-se menos, talvez, de carro.
Leio que ''O Sol'', que sempre considerei um projecto idiota, com um logotipo infantil em conformidade, está a passar por sérias dificuldades. Com o maior respeito por todos os profissionais que sustentam a publicação, a notícia para mim não o é. Quem me lê por aqui sabe que adivinho o futuro de muita coisa.
Como previ tudo o que ia e se que se está a passar, não posso mentir se afirmar que foi com agrado que recebi o convite de participar num projecto com a periodicidade e formato do ''Sol'', porque sabia que aqui seria um sucesso. E está a ser. O break even vais ser atingido muito rapidamente, num prazo recorde em padrões globais. Apesar de muita coisa.
Encontrei-me esta semana com um ilustre jornalista e blogger português, mesmo lá na Casa Amarela, e respondi-lhe que adorava trabalhar assim, com toda a paixão que por aqui acontece. Cada matéria é seguida como um jogo de futebol, com emoção e de forma bem divertida, contrastando com a forma bocejante como se publica em Portugal. Adoro trabalhar com angolanos, e sei que embora me encontre por cá em tão curto tempo, me sentem como um.
E o mesmo acontece em sociedade. Embora possua pele clara, não me sinto, de todo, alienígena por aqui.
Contudo, os costumes não são os meus.
São muito diferentes dos que existem em Portugal.
Por aqui vêm-se raparigas de treze ou catorze anos, na rua, com soutiens tipo wonderbra, bem recheados que dão beijinhos aéreos a homens de quarenta anos. Alguns aproveitam.
Outra coisa que acontece, talvez até o maior fenómeno social, é a poligamia, algo semi-marginal mas uma realidade, contudo. Um homem pode ter várias mulheres, cada uma com a sua respectiva prole. Começa tudo com umas ''cambalhotas'', mas acaba com uma família ''fora''. Causas? O planeamento familiar que quase não existe, entre outros factores... Um deles, bem engraçado e interessante, é o Dia do Homem, a sexta feira, pela noite, em que os machos saem em bandos de amigos para curtir a vida.
As mulheres de ''fora'' de casa são cantadas nesta música do Matias Damásio. Acho um extremo requinte uma realidade feminina ser cantada por um homem, sobretudo numa terra tão machista. Julgo que vão gostar. Tanto que provavelmente terá tanto sucesso por aí como por aqui. A orquestração é excelente e outros artistas angolanos ''pop'' como a Ary e a Yola Semedo podem ser apreciados também no YouTube.
Quando a música começou por aqui adivinhei-lhe o sucesso. Como o adivinho aí.

Um grande abraço amigo, ya?

MATIAS DAMÁSIO, NA FOTO

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

eis


Eis a capa do segundo número, já corrigido. Foi feita após uma falha de energia causada por uma avaria do gerador. Ninguém queria acreditar. Faltavam duas páginas para acabar o caderno a enviar para a gráfica e tive que tratar de questões como manutenção, quadros eléctricos e correias de refrigeração, durante duas horas. Após estabelecer um acordo com uma firma de manutenção dos geradores das duas casas, ali no meio da rua, lá respirei fundo e fiz a capa. No dia a seguir, a TPA entrevistou-me e uma das perguntas foi sobre as infra-estruturas, como elas afectavam o meu trabalho. Respondi que era pela falta delas que eu e outros estamos cá, para as criar. O design é a minha última preocupação, durante um dia de trabalho. O mesmo é passado a resolver problemas técnicos e humanos. A esboçar as tais infra-estruturas.
Um dia Angola será um país próspero e urbano. Sorrirei sabendo que algo se deveu a mim.
A ultima página do primeiro número. Enfim, lá estou eu, bem atrás, encostado à cerca. Não encontrei lugar à frente. Utilizo muito a expressão ''ficar na fotografia'', que aqui se justifica plenamente. Raros são os que se encontram em primeiro plano que participaram activamente, à excepção do director, que com esforço lá arranjou um lugar.
Acompanha-me o meu craque, o Raul, um gigante de vinte e sete anos que nasceu para o design. Se carregarem na imagem ela aparece aumentada.
No fundo da página encontra-se o Zero. Os gatos aqui são malditos, conotados com a feitiçaria.
Encontrava-me eu no meu gabinete e ouvi miar. O Pitigrili entrou ou e disse que estava lá fora um gato a chamar por mim. Desci e após alguns minutos a redacção ficou estupefacta ao ver-me entrar com um gatinho da rua ao colo. Desde esse dia ele segue-me como um cão. Se saio, ele vem a correr, saltando à minha volta até eu pegar na mota e sair. Quando se porta mal é ''o teu gato'' ...''tu é que és o pai dele''. Quando se porta bem é ''o nosso Zero''... É super meiguinho.
Quem assina o texto de opinião é o editor de política, o meu grande José Kaliengue. Eu, ele e o director formámos um trio imbatível naqueles dias sofridos. Mas temos o semanário de referência que nos foi pedido... feito com sofrimento mas também com muita alegria.
Trabalho com homens extrardinários.

Domingo, 16 de Novembro de 2008

Magno.

Perguntaram-me, por estes dias, como eu sentia, encontrando-me na minha pele. Na pele de alguém decisivo ao lançar ao mundo um jornal que em semanas, após ajustes, decerto se tornará num dos melhores de língua portuguesa e num dos mais agradáveis de folhear do mundo, mesmo para as sensibilidades mais sofisticadas. Faziam-me essa pergunta de todas as formas, e de olhos muito abertos, sobretudo aqueles que acompanharam de perto todas as dificuldades que tive que ultrapassar, a todos os níveis, desde a falta de sistema informático devido a um incêndio até à falta de fotografias por desajuste com as agências noticiosas e outros factores. Todo o transporte de ficheiros entre computadores foi feito por pen drive. Não posso ver mais nenhuma à frente. Toda a arquitectura de rede por mim concebida foi inútil. Houve choro contido entre muitos. Em dois dias, dormi três horas e meia. Lutei contra o meu sono e exaustão, e ainda conseguia moralizar trinta pessoas, muitas por mim fisicamente levadas para dentro do edifício quase vencidas pelo pesadelo de fazer algo extremamente complexo de forma primitiva.
Geri o caos. Sabem como se sente alguém que gere o caos?
Mas não estive só. Acompanhavam-me homens e mulheres do melhor que já conheci, porque, após algo assim, a magnitude que nos invade, que é a resposta à pergunta de qual é a sensação, não mais nos larga.
É um sentimento só comparável ao duma vitória em épica batalha. Olhamos para quem nos ombreia de uma forma nobre. Foi uma honra travar este combate, lado-a-lado, com tão ilustres jornalistas, quer angolanos, quer portugueses. E demais profissionais. Foi lindo, ver a minha equipa a corresponder de forma tão eficaz, a tão difícil e cruel demanada. Treinei-os bem. No dia seguinte todos nos abraçávamos, ao ver o jornal sair da rotativa. Ninguém se lembrava que se encontravam presentes dois ministros...

O desafio era grande. Fazer por aqui algo equivalente ao ''expresso''. Diz quem me conhece que parecia que tudo na minha vida se conjugara para o abraçar. Apesar de tudo, de não existir um número zero para ter a oportunidade de limpar os vários pormenores menos bons que aconteceram. Os meus objectivos foram cumpridos. Sinto que fui responsável por algo sublime, e que a minha fibra foi determinante para dar todo o apoio a homens e à máquina. E o jornal, está lindo.
Fiz história. Já me encontro nela. Como me posso sentir, então?

Um grande abraço a todos e obrigado por toda a energia.

Domingo, 19 de Outubro de 2008

aproveitem para esticar as pernas...

...ou fumar um cigarrinho.

Durante uns tempos preciso deste gajo. Por isso, o gajo durante uns tempos não bloga. Sorry, blogocoisa, amigas e amigos que recheiam a mesma. Quando voltar, será para lhe darem os parabéns. Isto, porque a magnitude daquilo onde o gajo se encontra metido é algo do além... Termos de comparação? Ok: julgo que em Portugal a última vez que se fez... foi a mesmo a última. Aqui é a primeira. E sou eu que a faço! Uauuu!!!
Sou capaz, mas as vossas energias positivas e o vosso afecto serão benvindos. Quando a obra se encontrar concluída, tudo o que contribuiu para a mesma pode reclamar um orgulhoso pedaço.

love you all

Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

detesto MESMO ter razão

Portugal é o país da Europa onde mais se trabalha e menos se produz. Sabem porquê? Porque se desconhece o segredo do trabalho em equipa. Em Portugal não se trabalha em equipa, trabalha-se em turba. E sabem porquê? Porque se desconhece o segredo da liderança. E sabem qual é? Liderar é a capacidade de transformar a visão em realidade.
Scolari referia-se aos jogadores da selecção, dum país que não era o dele, como... ''os meus meninos''. Como eu o compreendo...
Era um líder.
Contaram-me aqui que quando o Cristiano Ronaldo se referiu ao seu treinador, disse algo do género...''aqui o Carlos...''
Acho que isto explica tudo.

O país está uma merda. E sabem porquê? Porque quem o supostamente lidera não tem um objectivo à dimensão de um povo. Não procura a grandeza. Procura apenas reduzir o défice. É esse o mísero objectivo de José Sócrates. E para o cumprir, ataca um povo que não produz riqueza, metendo a mão no bolso do mesmo tirando-lhe o pouco que tem, quando o seu primordial objectivo deveria ser gerar situações criadoras de riqueza, para depois a colher...
Ouvi alguém afirmar que Portugal poderia estar ali a noite toda e nunca marcaria um golo. Eu também acho, só que não se trata da noite toda, trata-se de gerações inteiras, ad continuum, a tentar marcar um golo.
Com líderes destes, nunca o conseguirão. Scolari não era um melhor técnico, era apenas um melhor homem. Ou pelo menos era isso que transmitia...pois seguiam-no. Sócrates não é seguido, é apenas um mal menor. Será que é isto que merecemos?
Num país sem um projecto, a arrastar-se miserávelmente na cauda de tudo, havia porém algo que ainda lhe dava algum alento. Eram aqueles miúdos. A que alguém devia ter considerado entretanto como ''os seus meninos''. Mas isso não aconteceu.
Não chamem nomes aos rapazes, Não mencionem os seus ordenados milionários. O futebol é um desporto de equipa. E uma equipa tem de ter alguém que a lidere. Que a faça acreditar. Que a informe inequivocamente que é melhor que as outras.

Estou a pensar seriamente em depositar os meus ganhos em qualquer outro sítio que não Portugal, lugar tornado miserável. Lamento que isto vos possa soar demasiado violento, mas para quem realmente o vê de fora... é o que sente.

Detesto MESMO ter razão.

CARREGAR NOS LINKS DA LINHA DE CIMA
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

express yourself

Num certo dia a professora chega e pede ao Joãozinho:
- Joãozinho, diga-me um verso em rima!
- Hum... a Madonna é uma cantora que tem pintelhos na c*na. A professora muito indignada repreende-o dizendo:
- JOÃZINHO ISSO NÃO SE DIZ!!
- Pronto stôra! A madonna é uma cantora que tem pintelhos na ameixa
- Joãozinho, isso não rima!
- Ok stôra, então é assim: a Madonna, é uma cantora que tem, pintelhos na ameixa, mas eu não digo c*na, porque a professora não deixa.

Domingo, 12 de Outubro de 2008

cano dá cana

Uns gajos em Nova Iorque andavam na marosca a roubar fémures, substituindo-os por canos.
Foram de cana...
Do processo mediático despoletado por este acontecimento retive o seguinte: Um corpo humano, vendido em partes, vale tanto como um apartamento no centro de Lisboa.

Sábado, 11 de Outubro de 2008

sul

Acordo para mais uma sexta-feira. As cortinas do quarto cumprem: ao esbater a claridade, falam dum dia menos luminoso que o que encontro mal as afasto... mentem, porque quero. Ainda meio a dormir, visto uns calções, calço uns nike e vou por aí a desenrolar os phones schnneizer que irão bombar Daft Punk na minha corrente sanguínea e dar o ritmo à minha corrida em Talatona, um futuro Tagus Park daqui, só que umas vinte vezes maior...
Chego a casa trinta encharcados minutos depois e faço quarenta flexões no meu quarto. Lembro-me do Covey: ''Se não conseguires fazer as tuas cinquenta flexões não conseguirás que a tua equipa faça as suas vinte''. No problem, Covey, faço as que quiseres e a minha equipa segue-me até ao inferno, a encher, com um sorriso nos lábios.
E é esse o desempenho da mesma durante mais um dia de trabalho.
Um deles, no princípio, perguntou-me se seria possível irem a Lisboa ter um período de formação, o que no caso dele queria dizer... ver gajas. Respondi-lhe, metálico, que comigo iria ter a melhor formação, com um nível que nunca encontraria em Lisboa. Agora eles próprios recordam a conversa, gratos. Deixa estar, Gajas, há-as por cá. Mas eu não lhes ligo nenhuma, por enquanto. A minha missão é prioritária. Sinto-me como um monje guerreiro. E ficou lá alguém que me espera. Eu continuo também eu à espera, embora me veja por aqui durante muito tempo.

Estou farto de ser europeu.
Uma condição que ganhou um novo significado, para mim.
Um ser urbano, decerto. Culto, sem dúvida. Mas alguém a quem retiraram a natureza. A única que lhe resta é a sua, na qual chafurda. Um ser sem árvores, planícies, bandos de patos selvagens. Resta-lhe apenas o prado seco da sua alma. O meu weblog é disso exemplo...
teria Hegel vivido dias tão intensos como estes meus de agora?

Só a viagem de mota até à Casa me secou a transpiração que mapeava a camisa. Nem o banho, nem o ar condicionado conseguiram travar o suor que a minha corrida me soltou dos poros.
Todos chegam de jipe. Eu chego todos os dias ao trabalho de peito aberto e cabelos colados. Pelo vento.

Sou o último a sair, a uma sexta-feira...Muito trabalho, pois. Sou interrompido, no fim do dia, por dois gajos que entram por ali, no andar de baixo, um deles é o guarda, de kalash carcomida a tiracolo. O outro vem lá procurar trabalho e sente-se aborrecido por ninguém estar lá para o receber ou algo do género, a exibir mau feitio. Com um sorriso amarelo continuo o meu trabalho, até ser interrompido de novo. Desço, sem sorriso algum, com ar de levar gajos e kalashnikovs, tudo à frente. ''Era só para dizer que o assunto está resolvido, chefe. Tudo fixe...''.
Saio. Às seis da tarde em Luanda é Noite. E já passaram duas horas. Está um calor magnífico, esbatido pelo vento que me molha a cara durante a viagem de mota até casa, onde chego, e saio, sessenta minutos depois. Ainda tenho tempo para manter uma conversa com uma amiga especial e dar-me conta no reader pelos títulos dos blogs que longe, muito, muito longe existem gripes e outonos e crises e o raio que parta isso tudo... Caramba, um gajo para se deprimir tem de ir à Europa...aqui é impossível!

Chego à Ilha dos contrastes, a Ilha de Luanda. Topos-de-gama passam numa estrada esburacada, separada por blocos de betão cravados pelo vértice inferior e assim assentes, oferecendo os outros cinco aos pneus que os rasam... Uma voz feminina dentro do carro fala dos professores de ginástica soviéticos enquanto um jipe Lincoln Navigator gigantesco esmaga a estrada que ficou para trás. Putos saem disparados de cruzamentos com as scooters em cavalinho. Estaciona-se o carro num local impensável em Lisboa, onde cabem menos. Aqui o pessoal adapta-se a tudo, e os carros ajeitam-se aos espaços diminutos.
Está muito calor. Mas bom.
O longo estrado de madeira do Chillout, assente na idílica praia, funciona como um espectáculo ao contrário: encontramo-nos no palco e a acção encontra-se à frente, no Oceano repleto de navios em fila interminável. Nunca se viu nada assim. Ficam ali dois meses, cada um, à espera da sua vez de entrar no porto. Um outro está na calha para ser construído, e aquela fila será uma longínqua lembrança. Mais uns quatro anos e Angola fará o mesmo que todos os países anteriormente roubados pelo ocidente estão agora a fazer: a comprá-lo aos pedaços...
São países como este que, mal ou bem, representam o futuro do planeta, agora falido pela lógica da gravata que dos pescoços passou para a economia... A verdade vem sempre ao de cima, e este dinheiro que andava por aí era mentira.

A minha amiga vai descrevendo as características das angolanas que estiveram na europa e as que são de cá, em maneira de exposição de manual de engate a quem chega. Eu sorrio, ele é muito mais bonita que qualquer uma delas, mas proibida. Todas o são, para mim. Não quero saber. Estou cá para trabalhar, gajas nunca me faltaram, nem em Lisboa nem em lado nenhum. Neste momento seria um problema a mais, em troca de momentos de prazer.
Tenho a sorte de poder escolher os meus problemas, vou continuar a gozá-la. É uma sorte impagável e magnífica, esta que vem no pack de renascimento, não vos passa pela cabeça...

Os gajos são uma tristeza. Escolhidos a dedo pelo seu aspecto medíocre de gringos barrigudos de rua de Bangcok.
Mas encontram-se pessoas elegantes. Angolanas sobretudo. É uma vergonha para os estrangeiros presentes, a sua elegância.
E a música é excelente... very becoming com todo o resto. O calor, os sorrisos, o ar livre... Angola é um país ao ar livre. Cheio de espaços convidativos a uma viagem.
Danço. Muito mesmo. Já não me lembrava de dançar assim. Ao observar quem comigo dança recordo-me dum pormenor: será que todos se apercebem que pela forma de dançar se vê como se fornica? Contenho-me um pouco, a sorrir... Vou desvendando segredos, ano após ano, desta poça que chamamos vida.
Todos bebem, menos eu, que mantenho a minha frescura e lucidez. Vou saboreando o calor, a beleza das mulheres, de bela cabeleira gigante que se esfuma em penugem escura, que dançam em contraluz. Olho para o céu estrelado e vejo constelações desconhecidas. Estarei noutro planeta?

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Praia

Pois. E protector solar, por aqui? Pode ser factor 8, que sou moreninho. Embora não tanto como a malta destas quietudes... : )

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Quero beber da tua água...

....Foi o que ouvi. Quem o proferiu foi um dos membros da minha equipa, quando estratégicamente, lhe indiquei o meu adjunto para lhe tirar uma dúvida.
Esta gente quer mesmo aprender.
Cada dia de formação é acompanhado por mim atentamente, enquanto preparo a minha, bem grande, parte da estrutura de um dos maiores órgãos de comunicação social do continete africano.
Intervenho em alturas-chave, quando sinto que existe uma quebra de ritmo devido ao cansaço, ou quando tenho realmente algo a acrescentar.
E estou mesmo satisfeito.
Peguei numa equipa que se encontrava impreparada, abandonada e desmotivada pelos sucessivos atrasos do projecto e consegui transmitir-lhes a minha garra, visão e aquilo que os líderes a brincar temem ceder: conhecimento. Quero que eles saibam tudo. Quero-os bons. E, dia-a-dia, sinto a melhoria. E o entusiasmo, esse, nem falar.
Encontro-me em África, sim. Mas... não se iludam, estive à frente de várias poules, e esta, técnicamente, não fica a dever muito a algumas daí. Mostraram logo qualidades. A grande diferença é que aqui as pessoas comportam-se como a vegetação: querem crescer.
Leio o drama que é ser professor e formador em Portugal... Que diferença... aqui, adultos frequentam aulas do preparatório, e os jovens que estudam vão à escola fazer aquilo que qualquer estudante deveria cumprir: aprender.
''Quero beber da tua água''... Esta é que é a verdadeira sede de conhecimento.
Soube-me bem ouvi-lo, claro, mas julgo que qualquer professor em Portugal ficaria com um sorriso bem maior que o meu...

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

aqui também há design.

Domingo, 5 de Outubro de 2008

almoço de domingo

Rocket-Caramba, este é o primeiro restaurante em que, no menu, leio a lagosta ao preço da picanha...
Pitigrili-A lagosta apanha-se já ali, a picanha apanha-se mais longe...

Sábado, 4 de Outubro de 2008

o meu almoço de sábado

Uma lagosta e três lavagantes.
Eram à descrição.
Vida dura, a dum expatriado...

indiana jr

Um casal descobre uma revista sado-masoquista escondida no quarto do filho. Diz a mãe:
- O que fazemos ao miúdo?
Resposta do pai:
- Pelos vistos não adianta bater-lhe...

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

zen?

Sou danado. Uma hora à espera para encher o depósito?
Não, se o puder evitar.
E gasto só o equivalente a dois euros e meio por tanque...

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

a minha sala de reuniões

Antes de me sentar, sopro o pó vermelho, antes de pousar o bloco em cima da mesa branca. Quem se senta comigo faz o mesmo à cadeira que arrasta pelo chão encharcado pela chuva nocturna. Eu já o tinha feito... Estremecem o ar os camiões que passam a alguns metros da casa. Carregam toneladas de materiais para as que se controem no fundo da rua.
Por estes dias reuno-me com a minha equipa, e com quem virá, ou não, a fazer parte da mesma. Esqueço-me das palavras que me habitavam dantes, quando tratava de assuntos iguais, talvez porque atrás de com quem falo se erga uma jovem árvore que num breve dia dará mamões graças ao calor que não me incomoda. Agora só me lembro, a custo, de termos, como timeline e interface, coisas que se chamam a coisas que pretendo criar para colocar a andar tudo sobre rodas, em vez de agilizar o processo de produção... Isto faz-me lembrar que tenho que passar logo a seguir na Gráfica, para recolher provas da mais moderna máquina de impressão do continente... Sou interrompido pela brutal carga de decibéis do gerador que acorda, mas prefiro este rugir ao ganido das ups da sala ao lado da Arte a queixarem-se da contínua falta da voltagem que as faz felizes... E com os computadores a ligarem de desligarem continuamente numa dança automática do logotipo do Windows e de aparições de DOS branco em brilhante tela negra Hewlett-Packard. Mas não temo. Sei que no dia tudo estará afinado e sem falhas. É o que sempre sucede... Um pássaro canta, a poucos metros, uma melodia por mim desconhecida. Quem fala comigo sorri optimismo...
...É assim, uma sala de reuniões num país que passa, de bebé a adulto, em meses...

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

!arghx!#@crrr!!/!?!@#grrr"%!!!

O meu vinha dentro da bagagem de cabine... ficou no controlo do aeroporto.
Tentem encontrar gel de cabelo num hipermercado em Luanda... Terroristas dum raio...

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

horário de jogo

O futebol, em Portugal, é um jogo que se pratica
entre as oito da noite e as seis da manhã.
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Domingo, 28 de Setembro de 2008

zen

Sou impaciente. Não de natureza, mas de convicção. Mal chego, tenho que ser atendido. Por um motivo: porque tem de ser assim. Porque as coisas estão más, e é obrigatório servir melhor que o parceiro. E, servir melhor implica rapidez, eficácia, inovação... e surpresa. Certo?
Pois é. Tudo isto...mas na Europa.
Em África esperámos uma hora na bomba, para encher o Jinny de gasolina. E ontem à noite não havia... muitos dormiram no carro à espera...
Da próxima vez, em Portugal, que tiver que esperar mais que três minutos em qualquer lado, vou sorrir, em vez de exibir o tal ar rottweiler...

Sábado, 27 de Setembro de 2008

meus ricos gatinhos...

Isto foi apanhado a tentar entrar num condomínio, por aqui...

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

O Futuro

Imaginem acordar num sítio onde a angústia mais que certa do dia seguinte é substituída pelo significado mais luminoso da palavra Futuro...
Bem, é onde eu tenho despertado, nos últimos dois dias.
Cheguei há três noites atrás, e é, de facto uma alegria que qualquer um consideraria indescritível, mas que é propósito deste texto descrever o melhor possível, a maravilhosa realidade de um país em que todo o tecido humano se conjuga para construir um futuro próspero, abundante e generoso a uma velocidade vertiginosa.
É uma sensação única, fugir dum lugar em que o desalento, desespero e o medo do dia de amanhã constituem o amargo tempero dos dias cinzentos e mergulhar na vertigem do optimismo de outro que encara o futuro com o mais radioso sorriso...

Não... não morri e não acordei no paraíso.

Encontro-me num país africano, com todas as suas características vicissitudes, e mal cheguei, nos primeiros minutos de trabalho, começaram a surgir os primeiros problemas a resolver, por aqui. Mas (e com que satisfação escrevo esta conjunção) por mim, tudo bem... melhor, tudo óptimo! Foi para isso que vim. Para fazer parte do conjunto de soluções que levarão Angola, talvez o país mais promissor do continente africano, a um patamar elevado entre todas as economias e sociedades deste planeta.
É único. Julgo que nunca senti nada igual. Disfrutar da emoção de saborear o verdadeiro significado das palavras esperança, optimismo e futuro... até me esqueço que escrevo num pc...

Embora um dos mais caros portáteis do mundo, este, o que me foi adjudicado...

Sábado, 20 de Setembro de 2008

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

patine

Não gostam da velhice?
Amo-a, vou morrer de saudades dela.
Quando tinha doze anos, em África, existiam coisas cuja falta me pesava: a chuva das noites de Natal na Baixa, colorida e iluminada, e o ruído dos autocarros verdes de dois andares ao passarem grandes e desajeitados no granito molhado.
Mas, sobretudo, morria de saudades da velhice das casas e paredes de Lisboa. Sonhava com o dia em que a iria afagar com os olhos...
Adoro velhos bairros, onde se entra em lojas perdidas no amarelo dos calendários, em que nada foi vendido e tudo por nós espera, protegido por uma fina farinha de anos... É assim, longe da música, que encontro a beleza do tempo.

A minha casa é velha.
Antiga? Não. É velha... mesmo.

É a casa dos meus sonhos.
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

gatos...

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Tenho um gato que gosta quase tanto disto......como o dono.

Ivan!... Pira-te!...

E lá vai ele com cara de I'll Be Back...Onze segundos depois reaparece e recomeça as tentativas de se apropriar daquele aconchego... Vence pela insistência e pelo humor da coisa, e conquista, repatanado, o seu novo e fofo sofá...

Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

a chama

A longínqua amizade é uma pequena, brilhante e sempre viva chama-piloto, alimentada pela saudade, até à hora de acender o imenso calor dos afectos.

style // charles bukowski

Style is the answer to everything.
Fresh way to approach a dull or dangerous day.
To do a dull thing with style is preferable to doing a dangerous thing without style.
To do a dangerous thing with style, is what I call art.
Bullfighting can be an art.
Boxing can be an art.
Loving can be an art.
Opening a can of sardines can be an art.
Not many have style.
Not many can keep style.
I have seen dogs with more style than men.
Although not many dogs have style.
Cats have it with abundance.

When Hemingway put his brains to the wall with a shotgun, that was style.
For sometimes people give you style.
Joan of Arc had style.
John the Baptist.
Jesus.
Socrates.
Caesar.
García Lorca.
I have met men in jail with style.
I have met more men in jail with style than men out of jail.
Style is a difference, a way of doing, a way of being done.
Six herons standing quietly in a pool of water, or you, walking
out of the bathroom without seeing me.
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Domingo, 14 de Setembro de 2008

coisas destas... acerca destas coisas

Hoje de manhã, na cozinha, enquanto espalhava manteiga no bagel : "hum, um donut com rigor mortis"...

Vou sentir a falta de ouvir coisas destas... acerca destas coisas...

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A Bela & O Monstro

Um gajo com dinheiro e uma gaja sem escrúpulos? Não... um homem com um carácter fascinante e uma mulher de uma sensibilidade extrema...

Sábado, 13 de Setembro de 2008

detesto ter razão

Existem assuntos em que não me agrada, de todo, ter razão.

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

inteligência zero...

...é considerar uma guerra... santa.

the usual dinamic duo...

Numa noite de chuva, dois carros batem. Um de um advogado e outro de um médico. Ao sair do seu, o médico, preocupado, dirige-se ao do advogado e pergunta-lhe se está ferido, examina-o sumariamente e constata não haver nada de grave. Só então os dois passam a verificar o estado dos carros e como se deu a batida. Chegam à conclusão de que não havia como escapar do acidente: estrada molhada, escura e mal sinalizada. Como, todavia, o advogado já tinha ligado para a GNR, resolveram ficar à espera enquanto a viatura não chegava, para avisar os guardas que cada um ia assumir seus prejuízos. Conversa vai, conversa vem, o advogado vai ficando íntimo do médico e até lhe oferece uísque. O médico aceita, bebe três goles, bem longos, e pergunta:
- E você, amigo, não vai beber?

O advogado responde, com um sorriso:
- Só depois da polícia chegar.

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

leis das coisas simples

A minha tentativa de contínua compreensão das leis das coisas simples dá nisto: há três meses que corto o meu próprio cabelo. Ninguém nota, e estou satisfeito. Atenção... devem existir poucos homens tão zelosos da sua imagem como eu.
Muito poucos, mesmo.

microhamburguer

Almôndega crua e um piparote.
Alcaparra, on top...

Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

a loucura

É maluco-e-dá-dentadas-nas-maminhas-das-criadas

Há semanas participei num acontecimento cultural bizarro. Uma... tertúlia. Numa galeria de arte, com mesas, cadeiras e copos, reuniram um músico de renome que iria apresentar àquela plateia o seu livro de crónicas, plus o artista plástico cujas obras se encontravam por lá expostas, e dois ou três intelectuais cuja função ali era a de apresentar cada um e a sua obra.
No meio da plateia para ali sentada existia ainda uma poetisa e mais alguns ilustres conhecidos e desconhecidos.
A cada exposição dos apresentadores a palavra "arte" saía disparada a cada dez segundos, e a palavra "loucura" a cada minuto. Bem, no caso do discurso de interrupção permanente do dono da galeria, era um ex aequo paritário. Tratava-se de um homem de ar alucinado... um artista. Não o era, mas pretendia o estatuto e assim adoptava o estereótipo do artista que eu julgava afastado já do imaginário público. Envergava-o. Numa pose ascético-patética, afastando com as costas da mão os seus fartos cabelos cor de prata, do alto do seu metro e sessenta e cinco, discursou uma mensagem de abnegação, de despojamento, que era o espírito com o qual abraçava a missão de explorar aquele espaço. Não lhe interessava, de todo, o lucro, porque o seu único e grandioso objectivo era o de congregar, além dos ilustres que se sentavam cercados pelas telas e pequenas esculturas, artistas de renome como os que estavam na mesa nobre e fazer acontecer... cultura.
Ele próprio os apresentou e enalteceu as suas virtudes como artistas... e loucos.
Não foi o único. Nem todos os que tomaram a palavra eram perfeitos idiotas. Um famoso colunista e um conhecido professor universitário mesmo assim acasalaram, de novo, perante nós, as palavras "arte" e "loucura".

Aquela sensação de me encontrar entre medievos... veio de novo.
Nenhum, felizmente, era crítico de arte, mas a moinha que me transportou para o século XIII nasceu do facto daqueles homens, num plano elevado, traduzirem a impressão que o vulgar cidadão possui do que o artista faz e que tipo de profissional ele é: um louco, indisciplinado, sem objectivos, alucinado, inconsequente e anti-social.
Nada podia ser mais falso e simultaneamente mais emblemático do atraso em que se encontra o estudo de muita coisa relacionada com o homem. Com um ênfase preocupante para o estudo e definição da inteligência em si.
O artista deve ser, de todos os profissionais, o que abraçou o maior desafio no mundo do trabalho. Refiro-me aos verdadeiros artistas, aqueles que buscam e desenvolvem o seu próprio percurso, os "originais"... ficando de fora desta reflexão os que exploram as fórmulas criadas por outros, como por exemplo aqueles que no século vinte e um ainda pintam quadros com uma linguagem impressionista (e têm mercado, pois só agora muitos começaram a gostar do impressionismo, que data do século dezanove).
Vou usar uma, pouco frequente por, aqui analogia:
Um engenheiro resolve problemas, como qualquer profissional. No caso da travessia dum rio, é-lhe fornecido o problema - atravessar o rio - e o seu trabalho é fornecer a solução - uma ponte que respeite todas as condicionantes agregadas, como prazos, custos, qualidade e outros.
No caso do artista, ele cria o problema, as condicionantes e a solução. Ou melhor, ele detecta o problema que ninguém vê e resolve-o. Cria os seus próprios rios, as suas próprias pontes, e as condicionantes inerentes a tudo isto.
E, neste processo, encontra-se inteiramente só.
Tomemos como exemplo, nos referidos impressionistas, Monet. Tendo-se apercebido que a sua contemporânea fotografia cumpria melhor a missão da arte até essa altura (problema...e não pequeno: dar um sentido à arte... à pintura ), descobriu novos caminhos ao começar a exploração da mistura de cores na tela e não na paleta segundo os princípios da emergente teoria científica da cor, saindo do atelier para os campos, para captar numa difícil impressão pessoal da luz. Impressão essa que transmitia à tela.
Este tipo de atitude profissional requer uma disciplina brutal. É o artista que estabelece o seu próprio horário de actividade, as suas metas, os seus limites, é ele que cria o seu próprio purgatório laboral... E tudo isto num nevoeiro de solidão. Encontra-se só na demanda dos seus objectivos pois só a obra acabada se explica, se resume e pode, só aí, ser alvo de análise.
Esta solidão condiciona, na maior parte das vezes, um vida afectiva nómada e insustentada. E não só a solidão. O factor que determina o tipo de raciocínio que um artista exerce, nem todos e todas o possuem e raro é o homem que não partilha os seus dias em conversa com a sua companhia. E ouvidos capazes de entender a loucura?
Mas afinal, o que é a loucura? Porque se considera o artista um ser bizarro? Muitos deles vendem a sua loucura mais cara que automóveis topo-de-gama, e alguns jactos... de vários lugares. Então... não são loucos, pois não?
Não. Não são. Possuem um tipo de inteligência que se encontra muito mal estudado...
Após milhares de anos de civilização, é que alguém muito timidamente apareceu a abordar o estudo da inteligência. O psicólogo inglês Howard Gardner, professor da escola de educação de Harvard e da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, apresentou a sua Teoria da Inteligência, há apenas quinze anos: Para Gardner, existem cinco tipos de inteligência usados por nossa mente para enfrentar o mundo. A inteligência espacial (que envolve a capacidade de ler mapas e de encontrar a saída de um labirinto), a inteligência corporal cinestésica, a inteligência interpessoal e intrapessoal e a... inteligência artística. A inteligência, à falta de melhor, chamada de artística é a que se manifesta na criação e reflexão da arte. Eu chamar-lhe-ía sintética pois refere-se a uma reinterpretação e reconstrução da realidade apercebida a outros níveis, cognitivo e reflectivo.
Quem ganha a vida usando este tipo de inteligência, não poderá nunca chegar a casa e falar sobre o serviço. Muito poucos o perceberão. A solidão será sempre uma constante. Poderá ter sorte, se conseguir reunir dois factores frente a si: possuir uma capacidade de comunicação verbal tradutora do seu percurso e encontrar alguém sensível à mesma... duas agulhas num palheiro.
O artista tem de abraçar uma existência quase missionária, de sacrifício. E ao prosseguir os seus objectivos, o horário de trabalho será de vinte e quatro horas, sem férias. Não trabalha com os braços, ou com as mãos. É com a mente.
Todos partilhamos um imaginário de figuras de artistas sofridos, de existências dramáticas, aventureiras, incompreendidos... loucos. Não confundam os que, por uma questão de imagem usam o look à artista. Esses são os artífices das artes decorativas.
Os artistas autênticos não são loucos. São apenas seres que abraçaram uma profissão que os consome como a cera duma vela, porque o tipo de reflexão que para ela usam ainda não está estudado de forma a os acondicionar no resto de tudo.
São seres humanos que se sacrificam, para nós todos podermos ter emoções estéticas renovadas, uma geração após outra.
E são profissionais a sério.

FOTO: THE MAD HATTER’S TEA CUP DE MICHAEL GOODWARD. WEBLOG AQUI.
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

proferir, a sorrir

Não gosto do meu nome, lido ou dito por extenso, salvo em raras excepções... Mas agradam-me as suas iniciais. Muitas vezes as utilizo, em vez dele.
Quem me conhece daqui, pensa que gosto de escrever. Gosto de escrever sim, dando uso a um tipo de raciocínio que irei referir no post seguinte, mas não me agrada, de todo, a linguagem escrita quando é usada por mim para comunicar apenas com uma pessoa.
Não lhe dando muito uso, gasto fortunas em telemóvel...
JCRB são as iniciais do meu nome. Profissionalmente, uso as do meio. Na tropa era JB...
Não gosto do meu nome, lido ou dito por extenso, salvo em raras excepções: soube-me bem hoje ouvi-lo, após alguma espera no atendimento para as vacinas necessárias para uma viagem que farei daqui a dias em direcção aos trópicos.
Também se comprova que sou alguém que faz brilhar o dia a quem me atende, se do sexo feminino. As senhoras que comunicaram comigo por ali devem ter mantido durante algum tempo o sorriso com o qual me brindaram quando com um sonoro e amistoso bom dia me despedi.
Cada nome devia ser proferido a sorrir...

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

todos iguais...

ESTE TAMBÉM QUINOU...
...mas uns mais iguais que outros, segundo Hollywood.
É já o terceiro filme, que vejo, em que vários encetam uma operação de salvamento arriscada para salvar um. O primeiro foi o Saving Private Ryan. O segundo foi o King Kong, em que toda a tripulação dum navio enfrenta uma selva recheada de dinossauros e um macaco de três andares, e o terceiro, vi-o ontem: Jurassic Park III, em que um grupo tenta salvar um rapaz duma ilha infestada de dinossauros. O denominador comum de todos os estes filmes é que os salvadores são muitos no princípio e, no desenrolar da película, nazis, dinossauros, penhascos, insectos e macacões vão dando cabo de uma forma atroz de... todos os salvadores. No caso de Saving Private Ryan... para aí uns vinte. No King Kong outros tantos e uns quatro ou cinco no Jurassic Park III (o grupo de salvamento era mirim). Contudo, apesar de todo este massacre, os filmes acabam bem. E porquê? Porque cada um dos sãos e salvos foi sobrevalorizado em relação aos que se perderam, na chuva de projécteis de 20 mm dos SS, ou na garganta dum Tiranossauros Rex. Uns eram a carne para canhão de todos os dias e os outros as estrelas do costume.
Caramba, afinal os filmes não são assim tão diferentes da realidade... Alguém me empresta duzentos e cinquenta mil euros para uma matrícula? Pode ser igual à do outro... também me chamo CR e 7 é o meu número favorito...

Domingo, 7 de Setembro de 2008

Quatro Patinhos

Olha! Quatro patinhos!... Possuo dois relógios de pulso, e um deles é digital... Hum? Eu sei... mas é bonito, descansem... Ok... A maior parte das vezes que o meu olhar é atraído por ele, calha, com exactidão, às 22h22. Achava graça à coincidência, que verificava acontecer em todos os outros por onde passava, na rua... no do carro e moto, inclusive. Chamava ao grupo 2222... Quatro Patinhos. Outra capicua com a qual tropeço amiúde é a das 11h11. Por isso, quando dei com este artigo da Cosmopolitan francesa, em casa de amigos, há dois dias atrás, achei-o engraçadíssimo e resolvi partilhar a coisa convosco.
E vocês, qual é o vosso número?...


"Chaque fois que vous levez l'oeil sur une horloge électronique - celle du magnétoscope par exemple - vous voyez apparaître les mêmes nombres : 11h11 ou bien 0707. Que se passe-t-il ? Les nombres affichés avec insistance reflètent un état d'âme. D'après Robert Hopcke, directeur du Centre d'études symboliques d'inspiration jungienne, il s'agit d'une synchronie de confirmation : on lit sur l'horologe la confirmation symbolique d'un sentiment qu'on éprouve. Traductions :

0000»Absence, sacrifice, attente, silence mental, préparation.

0101»Solitude, isolement, moi, principe paternel.

0202»Dualité, antagonisme, complémentarité, principe maternel.

0303»Pensée,idée, verbe, volonté, communication.

0404»Forme, force, terre, cycles naturels, gouvernement, pouvoir.

0505»Vie, création, transmission, activité, vitalité, magnétisme.

0606»Initiation, harmonie, loyauté, sagesse, choix.

0707»Prise de conscience, association, évolution, spiritualité.

0808»Libération, loi, discipline, éthique, conscience.

0909»Compléxité, vie intérieure, humanisme, recherches.

1010»Confiance en soi, réalisations, fortune et élévation, travail.

1111»Charisme, aspect visionnaire, nervosité, soif de pouvoir, rébellion.

1212»Clairvoyance, épreuves évolutives, karma, renoncement volontaire.

1313»Mort et résurrection, mutation cyclique, goût du changement.

1414»Mouvement, progrès, instabilité, involution.

1515»Passion, sexualité, magnétisme, volonté, régression.

1616»Fierté, besoin de solitude, purification, orgueil, isolement.

1717»Volonté de dépassement, force créatrice, imagination.

1818»Amour supérieur, réceptivité, magie, illusion.

1919»Lumière universelle, pensée transcendente, énergie fécondante.

2020»Rapidité, besoin de raison, alternance rapide de hauts et de bas.

2121»Succès final, sagesse divine, synthèse, couronnement.

2222»Prestige et renommée, sens de la mission, génie.

2323»Agilité, don pour les communications, protection, héritage."

Sábado, 6 de Setembro de 2008

1 : O "à propos" da Su...

Directamente da Madeira, por e-mail, o "à propos"da Su...

Um pai judeu, com a melhor das intenções, enviou o seu filho para o colégio mais caro da comunidade Judia. Apesar das suas intenções, Samuel não ligava puto às aulas.

Notas do primeiro mês:
Matemática 2
Geografia 3.5
Historia 1.7
Literatura 2
Comportamento 0

Estas espantosas classificações se repetíam-se de mês a mês, até que o pai se cansou:
- Samuel ouve bem o que te vou dizer, se no próximo mês as tuas notas e o teu comportamento não melhorarem, vou-te mandar estudar para um colégio católico.
No mês seguinte as notas do Samuel foram uma tragédia, só comparável ao naufrágio do Titanic e o pai cumpriu com a sua palavra. Através de um rabino próximo da sua familia, contactou com um bispo que lhe recomendou um bom Colegio Franciscano para o qual Samuel foi enviado.

Notas do primeiro mês:
Matemáticas 18
Geografia 16
Historia 18
Literatura 20
Comportamento 20

Notas do segundo mês:
Matemáticas 20
Geografia 18
Historia 20
Literatura 20
Comportamento 20.

O pai surpreendido perguntou-lhe:
- Samuel, O que te aconteceu para ires tão bem na escola?
Como é que se deu este milagre?
- Não sei papá. Apresentaram-me todos os colegas e a todos os professores e logo de tarde fomos a uma igreja.
Quando entrei, vi um homem cruxificado, com pregos nas mãos e nos pés, com cara de ter sofrido muito e todo ensanguentado.
Perguntei, quem é Ele? E respondeu-me um aluno dos cursos superiores:
"Ele era um judeu como tu". Então disse para mim:
F**-SE ... aqui temos que estudar, que estes gajos não são para brincadeiras!!!

season

Abertura oficial da estação de enchimento da pele até ao próximo Verão.
Tu, que afirmas que o teu corpo é o teu templo, não te esqueças que os ginásios estão abertos.

Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

playground

No recreio: - O meu pai é melhor que o teu!
Responde o outro: - Não é nada! O meu é melhor!
- Está bem, mas... a minha mãe é melhor que a tua!
- Ok... o meu pai também acha...

Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

1 : O Sofá : Conclusão

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Nunca me custou tanto começar a escrita de algo...
Pudera... como o faço? Como declaro? Como informo pessoas pelas quais tenho apreço e amizade, que as enganei, que as burlei, que o texto que publiquei na segunda-feira, comprido como tudo, e que muitas emocionou... é uma meticulosa fraude?
É uma fraude. Um embuste. Aquele deus que sentei no sofá e foi causa de emoção e crédito...não existe. Não acredito no deus que vos vendi. Nem numa sílaba, nem numa letra daquilo. Não acredito em divindade alguma.
Sei que muitos de vós dirão: "em alturas de maior dificuldade, acreditas, decerto. Como todos os que dizem que não..." Já as tive, e para perceberem o quão difíceis eram, na altura o que sentia, para além da dor, era o profundo horror de não acreditar, de saber que estava só. E a solidão perante a adversidade é a pior de todas, mas é também a que mais fortalece quem vivo fica...
Não acredito numa só linha daquele texto que até a mim me emocionou. E emocionei-me, a mim e outros, porque coloquei lá todos os ingredientes que sabia necessários para tal. Por exemplo, sou pai, e nessa condição sei onde me dói. E ao reler certas passagens, eu mesmo senti comoção.
Um texto maldito. Porquê?
Sou um homem do mundo, vivido, bom ouvinte e bom interlocutor, e bom amigo, embora cultivando uma independência invulgar. Até chegar aqui à chamada blogosfera, as dores das pessoas que gosto, por mim sentidas pela empatia presente no profundo afecto que lhes devo, partilhava-as em privado. Chego aqui e a coisa muda de figura. Deparo com uma multidão de desconhecidos, e, dia após dia vou desenvolvendo afectos, alimentados pelos desabafos diários de todos, neste âmbito. As pessoas dão-se a conhecer a si, aos seus anseios e às suas dores, às suas dúvidas...
...E angústias. Das quais, uma em particular à qual fui sensível: a angústia de ser ou não ser aceite... a de não encaixar no figurino. São pessoas boas, as que a manifestam, segundo uma escala de valores humanista. A maior parte que refiro, apesar das coisinhas que todos nós temos, são bons seres humanos.
E muitos sofrem, porque o sistema de valores que impera, imaturo, não acompanhou a evolução dos tempos, e sobretudo, tem base num regulamento religioso com origens na idade média, tendo evoluído muito pouco desde aí.
Muitos dirão: "ah, eu quero lá saber, eu faço a vida que quero e ninguém me chateia...". Vocês sabem que não é bem assim. Quem realmente faz a vida que quer, na sociedade ocidental, incorre no conceito de pecado social. Vive em pecado, e sente isso todos os dias. Nem é preciso nada de espectacular, como exemplo. Basta chegar à tal idade e ainda se encontrar por casar. Tenho uma amiga que, por todos os motivos e a mais alguns, representa uma vida de casada na empresa onde trabalha... As pessoas são pressionadas para se encaixarem no figurino... É que nem direito a guetto existe para os que se estão nas tintas para uma moral de cariz religioso, pois têm de levar com ela todos os dias!
E o que condiciona o figurino? Criaturas como a que criei, com a diferença de o terem sido criadas por outros.
Atentem bem no deus que sentei para ali, segundo o Gabriel que nem abriu o bico, comprado pelos valores divinos, como meio mundo. Pois é... houve quem referisse a corrupção, mas não a do dinheiro. Eram pequenas coisas, como o Bourbon secreto que o não devia ser, E uma tradição de ilustres rabos sentados naquele sofá, todos poderosos, que pagavam a peso de ouro um dos prazeres mais iníquos de quem tiraniza: ouvir-se a si mesmo perante alguém ilustre e capaz.
Desta feita uma criatura supostamente divina, reconhecida por todos como o pai do andar de cima, o ideal, para controlar a criançada rebelde. Gabriel é corrupto, sim, porque foi pago para fazer só parte do seu trabalho, e não concluir a restante. Porque se o fizesse, diagosticaria uma patologia grave com contornos infanticidas. O velho, sendo um pai ausente, ainda assim cultiva uma insidiosa "doce expectativa de recolha do que de maravilhoso daí poderia resultar". Ora um pai que tente isso com qualquer filho...
Um pai tem de dar a cara e acompanhar e, sobretudo, não castiga com milhares de anos de ferro e fogo por um pecado. Este velho nunca perdoou... só o seu filho maior se mostrou capaz de tal, e ele próprio não foi devidamente amado. O velho que descrevi não foi nunca capaz de amores tranquilos. É um homem de paixões doentias, de fobias, de exércitos e de sangues... quantas vezes, no texto lestes a palavra? É o deus ideal para alguém tomar como aliado num exercício de domínio. Um deus tirano, um deus que legitima a tirania.
Gott Mit Uns. Deus connosco. Todos os tiranos o reclamam, como aliado. Quer os que gravavam a frase nas fivelas dos cintos dos seus soldados e que cujo objectivo era um reich de mil anos ou os outros que ainda querem um reich de mais dois mil...
Em Nome De Deus, em pleno século XXI, apedreja-se até à morte e explodem-se comboios, autocarros, prédios e aviões. Mas nada disto é tão presente nas nossas vidas como o modelo que nos é imposto, a obrigatória forma de viver a que as religiões a todos nos obrigam, baseadas no pressuposto desejo de um deus que o determina.
Escrevi "O Sofá" com o intuito de demonstrar a facilidade com que todos nós podemos ser enganados. Criei um falso deus, ainda assim credível, e fi-lo em três horas, tendo-o apresentado depois. Uma religião qualquer tem séculos à sua disposição.
O que é curioso é que o deus que criei, um maníaco, é aceite. Todos os deuses o são. Houve vários, durante a História. Raro era o que não fosse violento e cruel.
Sentei-o num sofá.
Outros, mergulhados em peças de mobiliário análogas, cobertos pela penumbra apesar do sol radioso que molha as ruas, para dominar as nossas vidas invocam o apoio de velhos assim...

Tenho inveja de duas coisas. A primeira é de quem teve uma infância maravilhosa. E a segunda é de quem tem um Deus maravilhoso. Gostava de contar com essas realidades na minha vida. Tanto para uma, como para outra... é tarde.

Não foi intuito meu negar o Divino... Aquele deus, é que não. Liberdade religiosa também se manifesta no direito de não acreditar. Preceitos não devem ser considerados valores.

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

1 : O Sofá : Pacto

Antes de concluir a comunicação relativa ao tópico "O Sofá" necessito de estabelecer convosco um pacto de não-agressão: prometem que não me odeiam... declaradamente? E, se me odiarem (em segredo, segundo o pacto)... não lerei por aqui nenhum tipo de agressão escrita?... Lembro-vos que anunciei, por altura da sua publicação, que existia truque envolvido... 
...Eu avisei... 
Fico à espera...

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

os epílogos

Gajo importante é o medíocre que toma conta da excelência quando o excelente acaba com a mediocridade

SÓ PARA OS QUE GOSTAM DA MÚSICA, EIS A MINHA FACETA SERVIÇO PÚBLICO
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

1 : O Sofá

Setembro. Dia um. O silêncio das seis da manhã era o palco para o sussuro das folhas das árvores perdidas em ensonadas carícias, excitadas pela brisa mal desperta. O afastado bru dos motores da rua do quarteirão depois, sonora nos outros dias daquele consultório de Psicologia Clínica, ainda não se fazia sentir. O tic ritmado do relógio de mesa, um Buben & Zörweg herdado do pai Penha Navarro, psiquiatra judeu de terceira geração, ecoava desajustado no silêncio das madeiras e dos livros. Aquele tic não pertencia aquela hora, mas sim às noites no gabinete-consultório de Gabriel Penha Navarro, bem como o do gelo que batia no copo de Jack Daniels, secreto por ser Bourbon e não o malte dos homens sérios...
Esfregou ligeiramente o olho esquerdo, sem saber bem o que fazer por naqueles momentos enquanto esperava o misterioso alguém que lhe reclamou o dia.
A única referência que tivera fora a do homem de beleza seráfica de trinta e poucos anos que lhe apareceu por lá que com um breve sorriso lhe disse duas coisas: "também me chamo Gabriel" e "duzentos e cinquenta mil euros" e o fez sentir algo, inquietante, que depois se evaporou da sua memória.
Mal o louro saiu, consultou a sua conta no Dell e verificou a transferência prometida, de cem mil.
A partir desse dia, até aquela manhã, um ou dois comprimidos de Olcadil passaram a fazer parte da sua dieta e não conseguiu nenhuma erecção de relevo.
Seria mais um problema a resolver, a apreensão de Beatriz...

Então, no meio de todos os silêncios, o Psicólogo sentiu o nervosismo desvanecer-se como o esfarrapar de uma pequena nuvem.
Por instinto, dirigiu-se, calmo, à porta, atravessando a sombra da recepção. Ao abri-la, encontrou um homem idoso nas escadas. Sentiu ridículo o impulso de levar a mão ao bolso em busca de moedas, mas o seu olhar rendeu-se ao sólido porte, à curta barba branca e às poucas rugas diluidas numa pele muito clara, punctuada por dois inexpressivos olhos cinzentos... duas pequenas gotas derramadas de mercúrio. Viu-o passar por si a trespassar o espaço até ao seu gabinte, numa flutuante sombra da cor do fato cinzento, e seguiu-o, baixando os olhos no caminho sem saber porquê.
Foi com uma calma inusitada que indicou, ao velho, o sofá.
Era uma peça de mobiliário muito antiga. Tinha sido pertença última, também, de Penha Navarro pai, e, segundo o mesmo, chefes de estado e mesmo um rei tinham conhecido o frio macio do seu couro velho. Era um sofá curto, e quem lá se sentasse, não depositava nele meramente o corpo. Envergava-o.
Não conseguia dar uma idade ao velho ali sentado. O sofá encontrava-se mergulhado numa inexplicável penumbra: adivinhava-se a glória do sol, lá fora.
Gabriel Sorriu. O seu confiante sorriso era um dos seu trunfos, naquele gabinete. Usava-o para quebrar o gelo, fazer aparecer um golpe de tosse... uma palavra.
E o velho falou.
- Estou aqui porque se passou demasiado tempo desde que o que me aflige entrou nos meus dias. E ainda não saiu.
O psicólogo ia intervir, mas o velho continuou.
- Sou pai, e não estou a lidar muito bem com isto.
Gabriel tinha ouvido ali muita coisa, mas aquele homem tinha uma voz de oitenta anos. Pai? Que idade teria o filho? O velho prosseguiu.
- Não lhe interessa nem a minha idade, nem a do meu filho, ou filhos. Eu sei que para si seria útil sabê-lo, mas vai ter de lidar com uma realidade mais imprecisa que o habitual. Apenas lhe afirmo que eu sou um velho, e por isso decidi ter um último filho, que é um homem na força da idade.
- Porque afirma que é um velho?- Começou Gabriel.
- Porque cheguei a uma altura em que achei que teria que dar continuação à minha obra por outrém, passar a pasta. E de facto, sinto-me cansado. Sentia-me cansado, e agora não melhorou. Piorou até, porque a angústia de nada poder fazer, chegou a um nível insuportável.
Angústia, afinal. Gabriel sentia-se aliviado. Aquele velho, pela sua idade, seria um material de trabalho hostil. Qualquer problema sério nas fundações de uma casa velha normalmente deixava-se estar... Mas uma mera angústia... afinal seria fácil, talvez. E o velho continuava...
- Trata-se do seguinte: a minha obra e a do meu filho, encontram-se registadas em dois livros reunidos num fólio. O primeiro livro refere a minha obra, exclusivamente. É extensa e foi drenante, Esgotou-me. Entreguei-me a ela, e a ela só.
A minha obra refere-se à criação de toda uma nova realidade, de um novo mundo recheado de personagens e seres magníficos. Um novo céu, novos mares e novas estrelas e planetas, que cuidadosamente afastei de um... que elegi, como um pequeno jardim.
O velho olhou para a janela e os seus olhos brilharam, como que a projectar uma nuvem de memória que atravessava a sala e escorria através do vidro subindo através do fru das folhas dos plátanos em direcção ao cru cião do céu da manhã...
- Fiz tudo com muito amor, e com uma paixão desmedida. Entre todos os seres elegi um que se me assemelhava e dotei-o de uma capacidade, superior à dos outros, de compreensão de todo o resto da minha obra. E fiquei numa doce expectativa de recolha do que de maravilhoso daí poderia resultar.
Nesta altura Gabriel começava a sentir-se esmagado pelo ar da sala. Dir-se-ía que mergulhara, sem se dar conta, num lago de ar denso dum outro planeta. As cores começaram a perder valor tonal e a sala começou a metalizar-se, aproximando o seu registo cromático do dos olhos do velho, que o observava.
- Doutor Gabriel, necessito da sua atenção.
Naquele momento, vinte a cinco anos de ascendente profissional sobre quem tinha entrado naquela sala terminaram com a frase daquele velho. Gabriel sentia-se menino sentado no colo do seu avô, enquanto o ancião Penha Navarro recordava a sua fuga através da Europa, ainda jovem, de homens que estremeciam os soalhos quando os pisavam e que ostentavam nas fivelas dos cintos polidos, a inscrição
Gott Mit Uns... E o velho prosseguia, apesar de todas as metamorfoses.
- Esperava algo de maravilhoso da minha criação, mas o resultado... Nem eu nunca imaginaria algo assim. A criatura a quem transmiti todas as capacidades, feita à minha imagem, revelou-se capaz das piores coisas. E dentro das piores, a pior de todas: uma capacidade indómita de se odiar a si mesmo. E como o alvo do seu ódio era a sua imagem, era a mim que ele era dirigido, aquele ódio profundo que não demorou muito a se transformar num banho do líquido vital que lhes concedi... num banho de sangue.
O velho fez uma pausa. Parecia abalado por algum tipo de comoção, pela primeira vez naquela sala. Tudo aquilo era para além de estranho, contudo o psicólogo sentia uma familiaridade inexplicável com o relato. E sem explicação foi também o há-vontade presente na intervenção de Gabriel requerida pela pausa...
- Isso não se encontrava nos seus planos. Abalou-o muito. Tanto que o mudou, certamente. Quer falar sobre isso?
- Sim. Mudou-me. Também eu me transformei. A criatura que criei à minha imagem, contribuiu para mudar a mesma. Após o choque da desilusão tornei-me irascível. E não chegou, continuaram a fazer pior e a desafiar o meu poder paternal. Daí a implacável foi um passo. Transformei-me em algo frio, metódico na destruição selectiva. Todos os que me ajudaram na criação duma maravilhosa realidade, eles próprios minha criação, ataviaram-se sob as minhas ordens com trajos de guerra e espadas de fogo. Metálicos, de obreiros passaram a soldados do mais formidável dos exércitos. E tal era forte a chama do ódio que ardia no mundo que criei, que passaram séculos a matar, queimar, afogar e assolar. Destruíram cidades. Eu mesmo afoguei o mundo, cobri-o de água até ao topo da mais alta das montanhas, e mesmo assim, o ódio presente na semente dos meus filhos era tanto que florescia em qualquer lado. Mesmo na poeira estéril do mais infértil dos desertos o ódio nascia, crescia, corrompia...matava.
Gabriel interrompeu-o.
- Os seus filhos... apercebiam-se de si? Da sua existência? Terá sido claro, ou ainda permanecia o desejo adiado de salvar aquilo que definiu como a "doce expectativa de recolha do que de maravilhoso daí poderia resultar"...
- É verdade. Sempre mantive esse desejo. Poucas vezes me dei a conhecer como pai, como criador. Poucas, e quase sempre nas alturas em que perdia por completo o controle de mim mesmo. É verdade, doutor Gabriel. Até mesmo alguém que cria um universo pode descontrolar-se por obra da natureza dos seus filhos. Por isso, nos melhores de entre eles escolhi os meus mensageiros, os meus representantes, e de cada vez... esperava. E uma após a outra eles eram engolidos na vertigem do ódio. Durante séculos...
- Foi paciente...
- E não o é, qualquer pai? Fui paciente, fui. Nunca perdi a esperança mas... cansei-me.
E olhou de novo para fora dali, para a luz matinal. Ainda não se ouviam os carros. Não se ouvia nada. Gabriel não se atrevia a consultar o relógio, e sabendo que o velho prosseguiria, esperou. E o fio da exposição foi retomado.
- Resolvi ser pai de novo. De uma outra forma. Escolhi uma mulher entre todos os seres e transmiti-lhe a semente. A minha semente de pai. Este filho assim gerado iria revigorar tudo. Iria ser minha nova determinação. E colocá-lo-ia no meio dos seus irmãos sangrentos. Seria a gota que purifica o oceano. E assim fi-lo nascer. De uma forma simples, de glória adiada.
- E como o receberam?- Perguntou Gabriel.
- Como eu previra. Mal a sua excelência se fez notar, começou a representar uma ameaça. Os valores dos habitantes do mundo que criei são rasteiros, mas prezados, contudo. Defendidos com garras e dentes. Toda a glória cobre as paixões dos seres, amores palpáveis que não possuem valor algum... Coisas materiais, supérfulas. Gerei as únicos criaturas que julgam só ser felizes dependendo de tudo o que os outros prescindem, criando para isso bizarros conceitos de território. Nunca imaginei, Dr. Gabriel, que meros pedaços de celulose fossem o mote para disputas sangrentas. Ou que os cadáveres das criaturas primevas, sepultados em visco, armassem exércitos em magníficos choques de fogo... Tão grande era a sua presença que o meu filho veio ameaçar impérios, ao constituir ameaça para os seus deuses. Eles, os deuses de uma sociedade legitimam todos os seus valores, Dr. Gabriel. Ele veio colocar tudo isso em causa, ao dar a conhecer a verdadeira origem do mundo...Eu.
- Compreendo... E que aconteceu, quando se deram conta da ameaça representada pelo seu filho?
- Isso eu previra-o. Desde o princípio dos tempos do universo gerado, para mim foi regra sagrada, neste jogo, nunca verificar o futuro. Mas a estratégia de calcular a lógica sequência dos eventos faz, naturalmente, parte dele. E é claro que calculei o terrível fim mundano que o esperava. Preparei-me, e ele também. Mas nunca senti tamanha dor... não a esperava.
- E essa dor? Mudou-o?
- Sim. Depois do tormento que senti em carne da minha cria, a memória daqueles momentos agonizantes encontra-se presente... em cada segundo.
Os olhos do velho brilharam líquidos num piscar, e Gabriel sentiu-o...
- Contudo, e eu previra isso, o seu sacrifício foi sentido por todas as criaturas. E a sua dor, cantada. Consegui mais com a morte da carne do meu filho e a sua agonia, numa dúzia de anos, que com o terror de todas as visões do inferno e o dos meus alados exércitos de fogo em todos os séculos. Os seres sentiram na sua pele o supremo tormento do meu gerado amor. E foi esse amor que começou a conquistar o coração dos outros, seus primeiros irmãos. E o meu filho foi mestre na gestão da conduta desse amor imparável que por via do seu sacrifício entrou em todas as almas do povo criado e espalhado por mim. E aí permaneceu durante vinte séculos.
- Permaneceu? É esse o tempo verbal que utiliza, o pretérito perfeito simples? - Perguntou Gabriel, intrigado.
- Sinto que se está a desvanecer. Sinto que parte. Ao longo destes dois mil anos, nem todos foram salvos e, mesmo os que me defendiam cometeram excessos. Contudo, ia sendo satisfatório, o resultado. Sobretudo exercendo uma comparação com a fatia dos tempos antes do sacrifício da minha carne...
Gabriel sentiu que chegara o momento que explicava aquela consulta. Quando o velho referiu o filho, o psicólogo sentiu que existiria por ali um esboço de uma qualquer situação edipiana, mas isso desvaneceu-se em minutos, com o desenvolver do relato. E agora Gabriel sentia que chegava a altura... Sentia os olhos do velho a aproximarem-se dos seus, sentia-os a mergulharem na água quente do seu cérebro...

O relato prosseguiu. Mas já não o era. Gabriel ouvia agora o futuro através das palavras do velho. Um futuro estranho, maravilhoso e simultaneamente sombrio. O velho não confiava já na capacidade do amor do filho e sentia-se mais velho que nunca, mas ia agir. Cansado, triste, sem esperança e sem ilusões... iria, contudo, agir. O filho sabia, e andava dilacerado. No mundo gerido por eles ninguém tinha memória alguma das fúrias de seu pai, escritas apenas. Nenhum dos seus irmãos se recordava. Gabriel lembrava agora a terceira sensação que o seu homónimo lhe transmitira, na visita preparatória à do velho, no seu gabinte. Era um olhar. Um olhar de despedida, como se Gabriel fosse viajar para muito longe. Longe de uma realidade corrupta e apodrecida.
Era esse lixo que o velho iria limpar. Tinha desistido. Queria, finalmente, descanso. O filho que arranjasse outro entretém...
O velho calou-se, e dirigiu os olhos para a janela, trespassando-a e depositando-os no céu agora esbranquiçado, uma criação sua. Gabriel percebeu que aquelas duas chapas de mercúrio seriam suficientes para lhe mudar a cor. Esses olhos, que sentira a mergulhar na água quente do seu cérebro... Tal como aquele velho, mergulhado no sofá.
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Domingo, 31 de Agosto de 2008

cook book

Num banquete, sentaram um padre católico ao lado de um rabi. O padre, querendo gozar o rabi, enche o prato com pedaços de um suculento leitão e depois oferece para o "colega". O rabi recusa:
Muito obrigado, mas...não sabe que a minha religião não permite comer carne de porco?
Nooossa! Que religião esquisita! Comer leitão é uma delííícia! - Comenta o padre com ironia.
Na hora da despedida, o rabi aproxima-se e diz ao padre:
Mande os meus cumprimentos à sua mulher.
E o padre, horrorizado:
Minha mulher? Não sabe que a minha religião não permite o casamento dos sacerdotes?
Nooossa! Que religião esquisita! Comer mulher é uma delííícia!

o inimigo

É o termo que ouço, frequentemente, dentro do âmbito heterossexual, quando um imbecil qualquer se refere aos gays. Este senhor, que descobri ontem, e só ontem*, num programa televisivo, explica de forma brilhante, o porquê.
* Só ontem, mesmo. 

Sábado, 30 de Agosto de 2008

o que as mulheres fazem a um gajo quando ele não se pode defender.

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

hipnose

Cada geração tem o seu tipo de música de dança, que é quase como um diagnóstico da sua saúde económica, social e mesmo da mentalidade colectiva. No século XX, o cancan traduzia o desejo de uma geração (amargurada por uma crise profunda) de festa libertadora, de excesso, de movimento.
Como tristezas não pagam dívidas, a malta quer mesmo é divertir-se. Em simultâneo, o cancan proporcionava a expressão ideal a um tipo de mulher que começava a sua primeira fase de libertação sexual. Quando nos lembramos dos Loucos Anos Vinte a imagem que ocorre é da garçonne. Porque, dos gajos, como eram ou se vestiam, ninguém se lembra e confundem-se com os abrilhantinados de uma outra década qualquer.
O rock n'roll do fim da guerra era a ilustração da euforia duma sociedade liberta do terror da mesma e com a memória recente do vou prá guerra ...um verdadeiro detonador sexual que mudou mais um pouquinho as mentalidades e os hábitos.
Foi por essa altura que foi também inventado o absurdo conceito de juventude...

Pois a tal da juventude dos nossos dias... assume-se. Aproveitou a deixa e faz juz ao figurino que lhe concederam: imagem de irresponsabilidade, de dolce fare niente, de inconsequência, de pequeno crime social... e aproveita cada minuto daqueles anitos do prazo que a sociedade lhe oferece até começar a pagar impostos e ser sugada por ela. Eu fiz o mesmo.
O trance nasceu num país com uma profunda dúvida de identidade: a Alemanha reunificada dos anos noventa.
Não pretendendo ser exaustivo na descrição, apenas acrescento o seguinte: por essa altura, em Goa (que por si merece um post, esta terra que foi A jóia cultural do nosso império) já existia uma comunidade de gente nova vinda da Europa atraída pelo misticismo oriental que se adequava mais à fome espiritual que a catequese. Dentro deste rico caldeirão nasceu o Goa trance e aquela terra belíssima passou a ser rota de libertação. E é isso que o trance é: libertação. Libertação hipnótica de uma realidade confusa, incaracterística, sem manual de instruções, depressora e de um futuro cujos relâmpagos que se adivinham no meio da névoa... A palavra inglesa trance significa transe, um estado hipnótico. Aqui, explica-se, com simplicidade, como se induz.
Em Ibiza existe a maior discoteca do mundo, a privilege. É um hangar para zeppelins com capacidade para onze mil pessoas. No outro dia perguntaram-me como seria, se lá deflagrasse um incêndio. Respondi que não existiam chamas suficientemente altas para chegar aquele tecto. À volta do hangar existem várias outras salas de discotecas satélites...gigantes.
Existem voos charter vindos de Londres com aviões cheios de putos que chegam ao fim da tarde e levantam a a meio da tarde do dia a seguir, e não é caro, porque em Ibiza as entradas nas discotecas pagam-se escandalosamente, porque lá dentro o que a malta bebe não é nem gin nem whisky...

Leva-se uma garrafinha de água que se vai enchendo na casa de banho. A pastilha é o que pede, para aguentar a pedalada e a transpiração contínua.

Isto é o que ouço, muitas vezes, quando me perco pelas noites. É só para quem aprecia uma selecção do melhor.

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Os Três (Último)

Imaginem-se, de repente, a viver no século dezanove. E sem poder sair de lá.
É como eu me sinto, no século vinte e um.
Antes que me comecem a chamar nomes... leiam este tópico. 
Talvez o de maior utilidade aqui publicado.

Discos Voadores

Antes de mais, para abordar este assunto, julgo necessário um pequeno exercício, cuja simples execução vos peço:

Peguem num guardanapo, quadrado. Quanto mais pequeno melhor.
Abram-no completamente.
Com ele aberto, escolham dois dos quatro vértices opostos nos extremos de uma das diagonais que cruzam o centro do guardanapo...

Atenção. Este é um exercício mental que vai mudar completamente as vossas vidas. Mais do que todos os jogos de xadrês, gamão, majong etc.
É um aviso.

...escolheram os dois vértices? Ok.
Agora formula-se a seguinte pergunta: Qual a distância mais curta entre os dois vértices escolhidos?
A diagonal que os une? ...Errado.
Mas não esqueçam a diagonal. Usem-na como referência para dobrar o guardanapo... até os dois vértices se tocarem...

Parabéns! Descobriram a distância mais curta entre os dois vértices, que é a resposta à pergunta formulada neste texto.
Mais importante: descobriram a filosofia do raciocínio do futuro, o dos vossos trisnetos, e com sorte, ainda dos vossos bisnetos, que, quando lhes fizerem a pergunta na escola do futuro, responderão: zero...

Se continuam a pensar que o que aconteceu é um disparate, que a a distância mais curta entre os dois vértices escolhidos é a diagonal que os une, não tenham problemas com isso. Juntem-se aos milhões de contemporâneos de Nicolau Copérnico, que acreditavam que era o sol que se movia em torno da terra quando ele afirmava o contrário. Podem ainda juntar-se aos contemporâneos de Ptolomeu que ao invés dele afirmavam que a terra era plana e aos milhares em comunidades afastadas que acreditam ainda nisso...

Não é fácil, em segundos, convencer uma civilizacão inteira que espaço, tempo e o horizonte rectilíneo são curvos. Mas são.

Muitos cientistas excluem a possibilidade de viagens interplanetárias baseados na filosofia da diagonal do guardanapo: "Ahh...Demora muito tempo...a velocidade máxima conhecida é a da luz...". Mencionam viagens interestrelares com obrigatória animação suspensa e todo o tipo de disparates afins com base na teoria da relatividade cujo prazo útil só se continua a aplicar ao quotidiano.
E depois mencionam a questão da propulsão.
A merda da propulsão é um mito. Andam a perder tempo com combustíveis fósseis, com misturas explosivas que são autênticos venenos atmosféricos... energia nuclear... Esqueçam a propulsão!

O segredo das viagens interestrelares está em conhecer grande parte da filosofia inerente à dobra do guardanapo. Comecem por aí.

E é graças a esse conhecimento que há gente com um aspecto estranho que nos visita num minuto e após uma hora das nossas estará lá em sua casa, no extremo do vértice. Gente que complacentemente nos vê ainda a deslocarmo-nos duma forma complicada e poluente.

Acreditam em discos voadores?
Está científicamente provado que é mais fácil acreditar num boato, que em algo que se vê com os seus próprios olhos.
Quando eu era adolescente, ali na Linha, numa noite de sábado, num verão quente em que toda a gente andava a curtir o ar livre e o calor nocturno, milhares de pessoas assitiram à aparição de aparelhos estranhos no céu a evoluirem num espectáculo de luz, velocidade, acrobacia e cor.
Em Oeiras, Parede, S. Pedro, S. João...Estoril... Eu não vi, mas relataram-me as mesmas características, o que é raro (veja-se o relato das testemunhas dum acidente) no dia a seguir.
Três dias depois, toda a gente que me tinha contado o facto evitou falar no mesmo, houve mesmo quem culpasse o álcool ou a ganza...

Existem milhões de relatos, documentados, agora já com a chancela de governos (como dos E.U.A.) que admitem o "fenómeno".
Eu cá sei é que, quando tinha doze anos, achava que no ano dois mil iria ser assim: tudo a deslocar-se silenciosa e rápidamente pelo céu...
...Sinto-me enganado. É que eu, pelo menos, faço o meu trabalho direitinho.

Senhores cientistas, livrem-nos do petróleo, da poluição, da propulsão... Não se preocupem com fundos, com políticos e o lobby dos combustíveis fósseis.
Os irmãos Wright eram fabricantes de bicicletas, senhores...
e agora toda a gente anda de avião... por enquanto.

Agarrem-se ao guardanapo. Eu sei que se sentem ainda bebés, e que ele vos faz lembrar as fraldas em que estão metidos em relação ao vosso vosso nível de conhecimento, mas ainda assim... Podem começar.


...


Ai meus Deus! Este gajo deve estar doido...
Não explico a existência divina, mas terei gosto de explicar o porquê da mesma, nesta continuação deste bizarro raciocínio que um dia será o normal.

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

à borla? já não.

Um médico e um advogado encontravam-se numa festa. Entretanto, um dos convidados aproxima-se do médico e pede-lhe um conselho relativo à úlcera que o afligia. O médico ouve-o, aconselha-o e afasta-se...
Aproxima-se do advogado, de cabeça a abanar, e pergunta:
- Como lida com casos destes, de gente que o aborda em tudo o que é sítio para lhe pedir ajuda profissional?
- Eu? Envio-lhes a conta, no dia seguinte - responde o advogado, sorridente.
Na manhã seguinte, ao chegar ao consultório, o médico pede à secretária para enviar ao “cliente” da noite anterior uma conta de cinquenta euros pelo conselho dado na festa. Após isto, encosta-se na cadeira e sorri.
A felicidade do médico, no entanto, acaba na tarde do mesmo dia... ao receber a conta de cem euros, do advogado...

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

à borla

Este tópico não se refere ao contexto específico da blogocoisa.

Eu cá tenho um defeito. Não esperem grandes opiniões, quando mas pedem. Sobre este ou aquele assunto.
Calma. Não é tão grave assim, porque como sou perspicaz, se vejo alguém amigo em dificuldades, sabendo que a minha visão das coisas pode ajudar, entra logo em acção outro dos meus defeitos: parto para a acção, muito rapidamente. Há quem confunda as coisas e afirme que o que faço na realidade é partir para a agressão. Mas não é. Embora eu perceba, porque às vezes agride. Sacode. Vejo o que se passa e tomo medidas. Se me quiserem questionar depois sobre as mesmas é claro que estão à vontade. Posso é não ter tempo...
Sou perspicaz, pois. Tão perspicaz que, por exemplo, numa intervenção escrita ou falada, consigo adivinhar se uma mulher está com o período. Em algumas, isso é transparente para mim.
Deixei de dar opiniões porque, na verdade, é barato. Nada é tão barato como uma opinião. E sinto isso diariamente. Ainda não acabei um trabalho qualquer e começa logo o chorrilho. E nada pode ser tão daninho como uma opinião sem fundamento.
Acho que era o Voltaire que afirmava que nada é tão perigoso como a sabedoria dos ignorantes em acção. E um ignorante pode ser um génio, mas ignorante circunstancial.
Tendo isso presente, a nível profissional deixei de as dar. Se alguém me pede uma opinião, o que lhe posso fornecer é um aval. Um parecer. Para isso recorro a todo o meu cuidado e saber, à minha visão analítica, e tento distanciar-me friamente o mais possível do objecto. E tempo. E só depois forneço o belo do aval, e habitualmente defendo-o como uma falange macedónia. Mas isso sou eu, um nazi do cacete.
Há anos, num filme da série B, ouvi uma grande verdade: a opinião é como um cu ...toda a gente tem um.
O que considero então a bela da opinião? Aquela que não presta, essa mesmo, a sentença, o que é?
Façam uma experiência: coloquem um grupo de pessoas perante uma questão. Mas não uma qualquer, dada de mão beijada. Uma, sim, que implique trabalho, tipo... aconteceu isto, como podes ler neste documento. Aquilo, como podes ler naquele. E depois sucedeu aquilo, presente naquele acontecimento, que culminou nisto, aqui à minha frente.
O que irão observar é o seguinte, numa primeira fase:

Uma fatia das pessoas cala-se. Dentro dessa fatia, vai haver uma divisão: aquelas que olham para o relógio e se vão embora porque deixaram algo ao lume (que são as que se estão nas tintas para vocês...), e as que ficam em silêncio a analisar os dados fornecidos.

Outra fatia simula uma pausa e, achando que tudo viu, olha para a vossa cara e descarrega uma opinião que tem a ver com tudo menos com a questão presente.
Nomeadamente, se não gostarem de si mesmas duma forma franca, tipo SOS, a frase começa sempre com um sei lá... Se já não gostarem de vós, começam por perguntar se terá sido mesmo assim (!), mas, muitas vezes, na maior parte, isto não é verbalizado ... Se gostarem de si mesmas duma forma exarcebada, já começam a dar a opinião, mal acabou a exposição de dados... E ainda existem aquelas que tendo um fraco amor próprio destinado a ser eterno... vocês nem as ouvem. Mas que elas falam, lá isso falam... estou aqui e também tenho uma opinião... um voto na matéria.
Depois vem a segunda fase: vocês. Toca de levar com o embate... Se por acaso toparam todas as opiniões daninhas, diplomacia é fundamental. E a diplomacia implica mentir. Pois é. Agradecem a opinião de cada um e fazem promessas protocolares de a tomarem em consideração antes de qualquer decisão. Podem não mentir... e partir para um debate titânico onde no fim podem ouvir coisas como o facto de vocês "não suportarem opiniões, ou críticas"... quando na verdade o que não suportam é setenças gratuitas.

No fim, timidamente, lá aparecem os que dão uma opinião fundamentada. São os da primeira fatia e segunda metade da mesma que ficaram a olhar para aquilo. Muitas vezes o seu parecer está em completo desacordo com o vosso, mas isso é bom. Ontem li aqui o porquê: "eu gosto de ping-pong nos argumentos porque me anuncia perspectivas diferentes da minha". Simples e brilhante. Está lá tudo (esta sereia tem uma tola...).
Esta malta é rara, mas é a que se deve ouvir, por muito que, por vezes, doa. Mas é exemplo a seguir, a reflexão antes de emissão.

Mas, existe um grupo tenebroso. Tanto que nem sequer o referi aí na fábula. São os das ideias feitas. Aqueles fanáticos que rosnam a tudo com a linguagem da sua ideologia. Aqueles que possuem um guarda-roupa de conceitos e preconceitos. Aí, quando lhes cai à frente uma questão, vestem-na logo com as cores do armário...

Na verdade, todos nós temos um pouco de tudo isto. Mas, como em todos os cozinhados, o que sabe melhor é o de melhor tempero...

Este é o meu aval, em relação a sentenças. Embora sendo à borla, o raio do bicho sai caro a todos nós... só atrapalha.

Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Toccata and Fugue in D minor

Acabaram os jogos que dantes aproximavam a condição humana da divina. Este filme, que vi ainda criança, desvendou-me muito cedo o propósito do desporto de massas, marcou a minha preferência pelo laranja Y100% M 70%, estruturou a minha imagem do herói (um marginal, sempre contra o sistema que umas vezes o acolhe e outras o trai) , e, sobretudo, lembra-me a abertura do recinto de jogo, a arena circular, sempre que ouço a Toccata and Fugue in D minor, de Johann Sebastian Bach...

Domingo, 24 de Agosto de 2008

o prémio

Não é a mania de ser diferente, mas gosto de anónimos. Eu próprio sou um. Não neste contexto da blogocoisa. Aqui sou o Rocket, e tenho mais a defender neste mundo "virtual", que muito José da Esquina do mundo real. Existem milhões de vidas por aí que não valem um caracol. O slave, mesmo virtual, vale mais que o bafo respiratório de muitos. Por isso, quando intervenho neste contexto é óbvio que me regulo pelas regras da sã convivência em sociedade.
Não que dizer que ande por aqui a dar beijinhos no traseiro de toda a gente. Já entrei em blogs e disparei a matar, devidamente identificado, e sem piedade alguma, como aqui, o blog duma fulana ressabiada com os homens... ou no blog de um imbecil de Beja, um misógeno desdenhador de mulheres do qual não recordo do nome...
Sou um anónimo, porque esta sociedade, em Portugal, não merece a notoriedade de quem a merece. Não existe, neste país, um tecido suficientemente alargado de pessoas com capacidade para fazer juízos de valor, e em consequência, os "bons" e os "maus" são definidos por mecanismos dúbios, e por gente sem nível...
Gosto de anónimos. Este site é lido por dezenas. Não comentam porque não querem. Mas se quisessem e respeitassem as regras habituais de convivência, seriam e são benvindos. Muito.
Contudo devo dar os parabéns a todos os que mantém uma publicação com as características dum blog. Numa sociedade em que uma fatia preocupante não consegue conjugar duas palavras escritas em Português, não consegue articular um raciocínio, não consegue veicular uma ideia, não consegue apreciar outra sem que seja guiado pelos gurus de serviço, é de felicitar, claro, quem mantém uma publicação com as características dum blog e manter o belo do pseudónimo. Sim, porque ao contrário do que muitos julgam que acham, os blogs de gente já consagrada neste esgoto não são, para mim, os verdadeiros. É apenas mais um tinoni a anunciar a sua passagem...
Por isso aqui está ele, o prémio da Blog. Trata-se de inglês fonético usado nas cabines de dj's. Podia ser também tha Blog... e dentro da mesma linguagem do ghetto que somos, lá estão elas, as belas das correntes de ouro dos gangsta...
Não escolho os premiados. São todos os que tiverem uma publicação que representa o futuro. São todos os que tiverem um blog.
Parabéns, a todos eles.

Sábado, 23 de Agosto de 2008

Fraude & Roubo de Identidade

O Capuchinho Vermelho foi visitar a avó:
- Avózinha, tens uns olhos tão grandes...
- É para te ver melhor.
- Avózinha, que orelhas tão grandes...
- São para te ouvir melhor.
- E que dentes enormes tu tens...
- Foda-se! Tu vieste para me visitar ou para me pôr defeitos?

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

X-File

Magia? A Eterna Conspiração Contra Mim? Bruxedo? Uma gigantesca partida destinada a desafiar a lógica?...

...Estariam à minha espera para filmar o meu ar de espanto?...

X-File: Um gajo chega ao estacionamento duma discoteca para ele desconhecida, na praia. Pelo parque automóvel luxuoso, novíssimo e cintilante, pleno de mercedagem, pela manada de Porsches e outros desportivos, adivinhava-se a presença em peso de, senão do Jet-8, pelo menos do Jet-6.
Entra-se, e afinal... malta das barracas.
Atenção! Não a fina-flor da malta das barracas... a escumalha, mesmo. Aqueles e aquelas que, no bairro de barracas, viveriam na rua.
Não me venham com a conversa que são todos traficantes que eu percebo disso. Não eram, e não são. É apenas, gente muito muito, feia. E pobre. Se nos singles de vinil existisse um lado C, seriam o lado D...

Pergunta: como se chama aquele gestor de empresa pública que ganha duzentos mil euros por mês? Ok, eu sei que existem vários, dezenas até, mas... um nome?
Será que ele sorteia dois ou três carros de luxo, mensalmente, aí na chungaria?

Aqueles que se julgavam extintos, afinal ainda existem.
E andam de topo-de-gama.

Quando ouço "isto só à bala" já estou, cuidadosamente, a idealizar o calibre...

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Hannibal Lecter, como te percebo...

Meus ricos trinta euros e trinta cêntimos.
Adquiri uma nova versão do D. Giovanni, do Mozart. Há lá um Leporello que me causa uma valente náusea: um tal de Gabriel Bacquier.
Cantar uma ópera implica uma enorme componente de interpretação dramática. Um cantor traduz uma personagem com a sua voz. É também, e sobretudo, um actor. Cantar uma ópera é contar uma história e isso tem de ser bem feito. Utilizar as vocalizações normais inerentes a qualquer discurso e não inflexões de voz que favoreçam o desempenho de cada um. É como se ouvíssemos uma radionovela: quem nela participa tenta falar normalmente com o objectivo de, com calma, transmitir uma história a quem a ouve. Na verdade a ópera é coisa simples e gajos como este desvirtuam-na, complicando.
Tenho pena que nem todos apreciem, porque seria mais fácil agora sintonizarem-se comigo quando afirmo: Hannibal Lecter, como te percebo...

Mas tenho que ser clarificar o seguinte: A enorme falha na criação da personagem do Dr. Lecter reside na natureza grotesca do canibalismo de que ele é imbuído. O canibalismo não se resume só a comer carne humana. Sempre foi um acto ritual com fortes raízes no desejo subconsciente de integrar o outro, sendo esse o amado, valorizado, ou desejado. Após uma batalha em sociedades canibais, toda a gente queria dar uma trinca no valentão que andava a limpar toda a malta do nosso lado e que foi abatido por um golpe de sorte. O objectivo era integrar a sua valentia. Ficar como ele, comendo-o. 
Mas não é só aí que ele se apresenta.
O cunho afectivo do canibalismo encontra-se sobretudo nas relações. Uma paixão extrema pode acabar nisso. E algumas acabam mesmo, como se lê timidamente de tempos a tempos.
Já tive gente na minha vida que me sugava a saliva duma forma insana, e outra que afirmava que me amava tanto que seria capaz de ingerir fosse o que fosse que me saísse do corpo. E isso é o primeiro grau de canibalismo: a ingestão de matéria do outro. Muitos beijos em golpes de suave sangue acabaram lambidos num acto de amor, de olhos nos olhos. Canibalismo...
"Comer uma gaja" tem raízes semânticas legítimas, à luz da psicanálise. Freud foi dos primeiros a estudar os fundamentos do fenómeno.  

Quando refiro o Dr Lecter, menciono apenas quem limpa o sebo a um incompetente com um grau de requinte inexcedível...
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

silicone nº 3

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

o importante é participar

Ontem ouvi isto.
E dei um pulo.

Porquê? Apenas vi quem o proferiu na tv. Era um senhor já idoso, para mim desconhecido. Questionado, em Pequim, pela equipa de reportagem sobre os resultados menos bons da delegação portuguesa nas olimpíadas, saiu-lhe, entre outras... esta.
Encontrava-me eu deitado e dei um pulo. Com o corpo todo.

Sou um apaixonado de estratégia, que, como a defino, é a filosofia do objectivo. Não quer dizer com isto que seja um estratega de excepção. Considero-me apenas alguém que conhece a importância do conceito em todas as vertentes das nossas vidas.
E é um conceito tão importante, que, não sendo correctamente utilizado, pode constituir a diferença entre uma sociedade próspera e outra como a nossa...
Passo a explicar: Quando olhamos em frente, delineamos o nosso objectivo, ambicionando-o. Isso aplica-se a um indivíduo, a um casal, a uma família, uma associação, um clube desportivo, uma empresa, uma multinacional, uma nação...um país.

"Que queres?"... é uma pergunta mágica. Aconselho-a, o mais possível. Recomendo-a, em qualquer altura das vossas vidas. A Lenib, lançou aí há tempos um desafio: 10 sonhos a cumprir antes de morrer. Não me ocorreu nenhum. Ne verdade, alguém que me lê por dentro, há meses afirmou que a forma como eu via o meu futuro era longe daqui, noutra realidade. Julgo que isso adormeceu todo o resto e, quando me convidaram para partir, senti que de repente tudo na minha vida fazia sentido. Agora sei o que quero, dantes apenas o sentia...
Mas, adiante... Na verdade, e isso tem de se encarar, obrigatoriamente... este é um país medíocre.
Vá lá... não se ofendam. Se fosse bom, a malta não se queixava, e como julgo que bem lá no fundo de cada um de nós existe o secreto desejo de o melhorar, o primeiro passo é tirar o pulso qualitativo à coisa. E medíocre... sempre é melhor que mau. Mas não chega... certo?
A forma como encaro a nossa mediocridade, acho que a expus de forma sintética e sobejamente interessante aqui, por isso não me vou repetir.
E um dos factores de peso que contribui para a nosssa mediocridade, é o bafio dos séculos, neste quarto de arrumações esquecido pelo mundo. Encontramo-nos presos entre Espanha e o Atlântico, e este jardim à beira mar plantado há muito que não conhece a rega.
Minto...Foi regado pela CEE... mas foi curto, para uma seca de séculos. Na Europa, qualquer país, mesmo velho, tem sido uma estrada. Uma estalagem.
Ou era invadido, ou invadia, ou era culturalmente colonizado ou colonizava. Misturava-se com os outros. Este não. Somos a cabana perdida na floresta onde vivem os gajos que nunca ninguém vê.
De tal forma que quando em oitenta e cinco viajei na Holanda, os amigos da minha namorada holandesa da altura, a Edda, olhavam par mim embasbacados e afirmavam: Mas tu és um europeu! És um de nós! Tens um ar... civilizado...
Não lhes levava a mal. No Sud Express via bem os portugueses que por lá andavam...

Não vou rosnar para aqui à nossa falta de ambição. Mas tentarei explicá-la. Ambicionar é olhar em frente, como referi. E antes de olhar em frente olhamos em volta, para escolher a direcção do olhar ambicioso. Emparedados pela Espanha, séculos atrás, foi para o mar que olhámos.
Demo-nos bem.
Mal sai do país, qualquer português deixa de o ser, na sua pior vertente. Passa a ser um cidadão do mundo.
Os ingleses colonizavam em comunidade, os portugueses vão para qualquer lado e enrolam-se com as nativas, fazem filhos, detonam mestiçagem. Não são esquisitos. Tornam-se alegres, sociais. Optimistas, ambiciosos... parecem outros. Aqui não. Se alguém vê alguém melhor...citius, altius, fortius... ei, onde é que tu vais? Nã, nã...ficas aqui com malta, na média...
E é na média, na mediania, que se quer o vizinho... na mediocridade. Porque o importante é participar.
Aqui não se compreende bem o sucesso. Encontra-se associado à figura do "rico" da bíblia, sócio do camelo que passa pelo buraco da agulha. É fulcral. Não é à toa que as sociedades protestantes possuem um índice de sucesso superior...
Foi também para fugir desse bafio catolicista, que os portugueses se lançaram ao mar.

Sendo assim, como não há sucesso, ambição e outras coisas saudáveis que insuflam a sociedade e o ego... e como se nivela pela mediocridade... o importante é participar.
Eu cá não me meto em participanços, em carneiradas. Quando me meto é para ganhar, para brilhar. Cumprir e ultrapassar objectivos. Não concebo nenhum empreendimento sem eles.
Esperam-me em outro continente. Fornecem-me casa, carro, comida e tudo o que vocês se lembrarem. É claro que não estão à espera dum mero participanço da minha parte. Não vou lá para participar. Vou cumprir objectivos. E sou homem de criar outros.
Imaginem lá eu não dar conta do recado e afirmar... à laia de desculpa... "o importante... é participar!"
Uma derrota não é vergonhosa. Se não der cabo de nós pode ser uma lição fundamental para a vitória a seguir. E como é doce a vitória... olhemos em frente, onde elas estão, as doces vitórias.
Ainda há meia hora atrás desci a escada de incêndio do meu prédio, que não tem resguardo algum. Moro nos últimos andares e quem olha lá para baixo mija-se todo. Mas não era lá para baixo que olhava, quando descia, nem para cima... Olhava em frente, para o ferro que me vincava as mãos.

Como é verão, e a malta tem-se rido, por aqui, aceitam-se mais exemplos... participa!
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

és livre?

Eu sou.
Julgo que, satisfatoriamente. Mas... afinal... o que é a liberdade?

É, por exemplo, poder ver isto, em frente seja de quem for, e gabar o trabalho de casting, a dinâmica, a abdicação de recursos supérfulos, de efeitos especiais... gabar a simplicidade e eficácia de um clip assim. Limpo, sem pretensões, com um enredo minimal, que explora conceitos estratégicos como a inferioridade numérica, a conquista, a rendição desonrosa... e outros, políticos, como a vassalagem... a alternância de poder.
Um vídeo de uma sensualidade quase básica, mas pura. Essencial...

...E acabar com um sorriso na cara da que me ouve...

...bem diferente, na altura em que o vídeo apareceu, do ar de dragão da Betucha, a ruiva mais bela de Lisboa, um superlativo de mulher, O superlativo de mulher, fisicamente... até isso eu referia, estratega (são bonitas, mas nenhuma chega aos teus pés, nenhuma tem um corpo como o teu, nenhuma treina como tu), navegando em terrenos a si queridos, os do exercício puro e duro, os dos esquemas de musculação isométricos, os das horas passadas por ela a movimentar cargas musculares a uma velocidade invisível, um treino bem diferente daquele que se vê neste clip, este marcado pela dinâmica, pelo ritmo... tudo argumentos que me garantiam in situ a visualização do clip até ao fim. Ver, sim, porque a música já a conhecia... "Esta é a música que cantaste um amanhã inteira, né? A que te queixaste que não te saía da cabeça e que puseste vinte vezes enquanto pintavas, para perplexidade dos vizinhos..." perguntava-lhe, graxista...

... e esperar uma ausência de labaredas saídas das narinas latejantes, embora contando com uma hora ou duas de silêncio.

Mas tudo bem. Eu divirto-me, com estas coisas...
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

papo carnal

Sussurros de palavras cruas são gritos de guerra dos amantes.

E TU, QUE PROFERES, NESSES MOMENTOS?
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

o sistema

"Policial, no Rio, ou é corrupto, ou omisso... ou parte para a guerra!"
In Tropa de Elite, de José Padilha.

Porque esta frase resume a postura possível de cada um perante a merda onde estamos metidos até ao último cabelo, peço o seguinte: Alguém que me indique urgentemente um curso acelerado, intensivo, praí em dez lições... enfim, algo que me ensine, com celeridade, a ser eficazmente corrupto, porque este aqui, omisso nunca, e farto de andar numa guerra que não me enche os bolsos ando eu...

Tenho menos de duas semanas para deixar esta trampa de atitude de cavaleiro dos céus, de paladino de grandes causas e aprender a estender a mão com a tal inclinação de pulso*...

Ainda estou a digerir, e não, não bati com a cabeça em nenhuma parede... mas parece-me que, por por acidente, foi criado mais um filme sobre... Absolutamente Tudo. Assim, como O Padrinho. Tipo isso. Não é uma obra-prima, mas o tema constitui uma gorda metáfora do que nos rodeia neste princípio de século vinte e um.

*ESPERO QUE TAL NÃO SEJA NECESSÁRIO. NASCI COM ESPÍRITO GLADIADOR, E, ÀS TANTAS, SERÁ ISSO QUE ESPERAM DE MIM NESTA FASE, MAS QUERO TER A TAL NOÇÃO... POIS SE ANTES A TIVESSE...  

à bruta?... huuum...

Uma senhora que comigo trabalhou, muito casada e muito assanhada, contou-me, e a quem queria ouvir, esta história:
Encontrava-se deitada no sofá, em frente à tv, com o sono em passagem progressiva do estado de vigília para a fase um, quando o fluxo de melatonina foi subitamente cortado com a aparição súbita de um anúncio, na televisão:

Sexo animal! Hoje, de madrugada, às quatro em quarenta e cinco!

Entusiasmada com a perspectiva de uns minutos largos de sexo à bruta, no pequeno ecrã, mas ainda meio a dormir, regulou e activou o despertador do telemóvel para as quatro e quarenta, para ter tempo de acordar completamente e melhor gozar o pedaço... e adormeceu.
À hora marcada... acordou... bocejou, bebeu um copo de água, ajeitou-se no sofá e arregalou os olhos para... toing... mais um interessantíssimo programa do national geographic channel...

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Os Três (Segundo vírgula cinco)

Querem saber o que é o amor? Ok... científicamente... é isto
O conhecimento nu e cru destes factos não deveria retirar-lhes a magia. Mas nada volta a ser como dantes...

Há dois dias atrás surpreendi várias pessoas ao afirmar que não gosto de receber.
Ordinariamente não. Sou complexo, e agradar-me é complicado. Por isso, até alguém me conhecer melhor, o que é obra para um Becheley Park de saias, a imobilidade é o ideal. Além disso, dar é uma das minhas habilidades, e eu sou um exibicionista confesso. E dar proporciona-me um enorme prazer. 
Sem me entregar, entrego-me a tudo, na dádiva. Nas amizades, no trabalho... aqui e ali. Gosto de surpreender, de causar felicidade, prazer, justiça. Há sempre quem mereça, nem que seja durante um hiato temporal.

E o que é o Tempo? 

E o Amor... o Verdadeiro Amor?





Este é um texto escrito por altura do Dia dos Namorados...

O Verdadeiro Amor
De todos os seres humanos que pisaram o planeta desde a invenção da escrita só existe um que define o Verdadeiro Amor como eu o concebo. A senhora da foto de cima.
Para mim o Amor é dar. Dar, e ter o maior prazer nisso, sem esperar nada em troca.
Diz quem ama que é preferível encontrar-se na pele do que dá mais e que mais se entrega, que é, embora sendo o que mais sofre, o que melhor sente e goza a essência do Amor.
Não vou, depois de Camões o ter feito, e de Shakespeare, que contra todas as correntes o celebrou, definir o termo.
Aquilo que é o Amor para os outros, para mim são amores...
Para quem não sabe, a obra de Madre Teresa não era uma obra de caridade cristã, embora fosse sob a cruz que exerciam o seu acto de Amor: nem mais nem menos que dar um fim pleno de puro afecto aos moribundos que juncavam as ruas de Calcutta.
Recolhiam-nos, pela manhã, levavam-nos para a obra, e com carinho, lavavam-nos, como bebés, beijando-os, acariciando todas as suas feridas, algumas em estado já de decomposição em vida... Com o ar mais ternurento sussuravam-lhes ao ouvido meiguices, e sempre com um sorriso de Amor, genuíno. Daqueles que a girl next door adoraria ver na cara do namorado mais vezes.
Ex-modelos de topo, ex-advogados de multinacionais, gente de todo o mundo que abdicou de tudo para Amar desconhecidos em eminente fim de vida... E sempre com um obrigatório sorriso. Felizes por poderem exercer o Verdadeiro Amor...
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

olha... sei lá... estava na hora...

O João mostra orgulhosamente o seu novo apartamento a um amigo. Quando chegam à sala, o amigo repara num gongo enorme encostado a uma parede e pergunta:
- O que é aquilo?
O João responde:
- É o meu relógio!
- E como funciona? pergunta o amigo.
O João pega num martelo e desfere uma enorme pancada no gongo!
De repente, ouve-se do outro lado da parede:
- Vai pó caralho!!!... São 2 da manhã!!!

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

vortex

Comecei o Slave no dia 6 de Fevereiro.
Cinco dias depois cumpriria quarenta e cinco anos de vida.

Não é nada. Nem pelas minhas contas, nem pelas de quem olhe para mim e resolva fazê-las.

Acabei dois casamentos, há dez anos atrás. Simultaneamente. Duraram quase o mesmo tempo. Um com a mãe da minha cria e o outro com a mãe dos meus outros filhos (aqueles que encontram nas bancas e que já referi aqui), uma empresa de comunicação social que depois foi absorvida por um grande grupo, de onde saí por fim, para tentar o empresariado.
Desde essa altura mantive, a estes dois níveis, uma quantidade inimaginável de relacionamentos.
Tão grande que poderia olhar para mim como um predador afectivo e um mercenário sem causa.
Mas não tal não acontece. Muitas vezes houve, nos dois campos, que quis acreditar. Quis mesmo, mas, na verdade...não. Não acreditava, de todo.
Se existe uma qualidade invulgar que eu possua, é a que em seguida refiro e que mencionei aqui: consigo tudo o que quero.
Não O que me parece que quero... Refiro-me aquilo que sei que já é meu antes do objecto reclamado dar por isso...
Desde o começo do Slave, que a minha vida entrou numa vertigem que não transpareceu, de todo, para quem vem aqui ler. E isso porque se espera que este blog se encontre sempre dinâmico.
O quê, deixas-me sózinha na tua cama?...Fui trocada? Por um bloooog?...
Já viram isto? Não me larga...nem o meu colo, nem o meu portátil... Parece-me que já chega, não achas? Já estou a ficar com formigueiros...
Na verdade, ao Slave, como tudo em que pego, dediquei-me, e sou fiel.
Não é piada.
Posso manter o vínculo mais ligeiro seja com o que for, mas sendo-o, é para cumprir com zelo. Parece um contrasenso, para quem passou por tanta situação. Mas, talvez seja por isso mesmo, que eu tenha passado por tantas delas, e que elas me caiam facilmente nos braços. Sou sério, numa da cada vez. E sei como isso é valorizado.
Hoje passei os olhos no Slave em jeito de flashback, para dar continuação ao desafio da Coragem, o tal dos três posts. Cada tópico publicado lembrava-me, ou alguém, ou algo a que me encontrava vinculado profissionalmente na altura. Estes sete meses foram vertiginosos nisso. Sabem quando a água chega ao fim do ralo e de repente acelera o vortex por onde se esvai? O fim destes sete meses foi assim, a nível afectivo e profissional.
Cada pessoa nova que conheço, dilui-se. Olho (sim, olho, é verdadeiro, o tempo verbal) para cada uma com carinho, mas sei que, felizmente, nunca conseguirá chegar ao topo do meu penhasco.
Somos todos animais voadores. Mas eu voo muito, muito alto. E lá de cima observo o voltear elegante e simpático dos outros pássaros, ouço-lhes o chilreio... temendo o grito de outra águia como eu. Quero-me só. E o que anunciei ontem explica o porquê. Sempre quis isto, sempre o esperei. E só assim lá chegava.

E, não. Não sou, nem um predador afectivo, nem um mercenário.
Há para aí, uma dezena ou mais, de anos da minha vida, que o comprova...

Sou apenas uma peça dum puzzle ainda não concebido...
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

renascer

Lembram-se disto? Pois ainda eu não sabia, mas era profético. Vou mudar de país. De continente. Assim, de repente. Como um (bom) acidente.

A vida tem mesmo graça. Durante sete anos tudo se conjugou para que isto acontecesse. Manterei este blog, e criarei um outro, com sabor tropical...
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Domingo, 10 de Agosto de 2008

stereo

Porque será que num trio, as mulheres gritam mais, de prazer?

TAGS POSSÍVEIS: PORQUE A VIDA É UM PALCO E ISSO PODE EXPLICAR O FENÓMENO / PORQUE A COMPETIÇÃO SE PODE MANIFESTAR EM TODAS AS SITUAÇÕES EM QUE ALGUÉM RESPIRA / PORQUE AGORA TENHO UM BLOG / PORQUE O TEMPO PASSA RÁPIDO COMO O CACETE / PORQUE... O QUÊ? JÁ PASSARAM DEZ ANOS DESDE O ÚLTIMO STEREO? / PORQUE É DOMINGO / PORQUE ME APETECE / PORQUE NÃO ME APETECE / PORQUE ESTAMOS EM AGOSTO / PORQUE ESCREVENDO ISTO AGORA, PASSADOS DEZ ANOS DESDE A ÚLTIMA VEZ, POSSO PASSAR POR ALGUÉM RESPEITÁVEL QUE APENAS QUER CONTAR ALGO INTERESSANTE / PORQUE NÃO SENDO PARA TODOS, TODOS TÊM O DIREITO DE SABER O QUE DE ENGRAÇADO SE PASSA POR AÍ / PORQUE NÃO FAZ MAL / PORQUE TENHO A MANIA DE FILOSOFAR NAS ALTURAS MAIS IMPROVÁVEIS / PORQUE, ASSIM, QUEM ME CONHECE PESSOALMENTE VAI PENSAR DUAS VEZES ANTES DE O AFIRMAR POR AÍ / PORQUE TEM GRAÇA / PORQUE FOI DE GRAÇA / PORQUE FOI MAIS QUE UMA VEZ / PORQUE FAZENDO UMA RETROSPECTIVA, OU SEJA, AS CONTAS, TEM SIDO DE DEZ EM DEZ ANOS, TIPO... PRENDA DA DÉCADA ( BEM, NOS PRIMEIROS DEZ NÃO HOUVE... MAS ESSES FORAM COMPENSADOS DEZ ANOS DEPOIS, CONTAS CERTAS, PORTANTO / PORQUE TEM UM CUNHO RITUAL ÚNICO / PORQUE ERA UMA SENSAÇÃO ÍMPAR APRECIAR O ESPANTO DOS OUTROS QUANDO SAÍAMOS OS TRÊS / PORQUE FOI LINDO / PORQUE NÃO O FARIA COM NINGUÉM DE CÁ / PORQUE ME INTRIGA COMO DUAS AMIGAS DE INFÂNCIA... / PORQUE GOSTEI TANTO QUE NÃO ACREDITO QUE SEJA A ÚLTIMA VEZ, COM OS DADOS QUE ME CHEGAM DO MEU FUTURO GEOGRÁFICO / PORQUE NINGUÉM QUE ME CONHEÇA PODE AFIRMAR QUE SOU MERAMENTE DEVASSO / PORQUE SOMOS TODOS DIFERENTES / PORQUE SOU ASSIM... E GOSTO.
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

férias em pack

Quando não tenho direito, como neste ano, a mais de 
cinco dias de férias, lembro-me do inventor do conceito, o velho Adolfo. Não é que me sirva de consolo, mas diverte-me evocar o facto do homem mais odiado da história, ter sido entre outras coisas, no século vinte, o maior paladino da qualidade de vida dos trabalhadores. Férias de vinte e um dias por ano, normas de higiene no local de trabalho, semana de quarenta horas, refeitórios, horas extraordinárias, períodos de almoço de duas horas e consequente aproveitamento para actividades de lazer e desportivas (muitas vezes em instalações como piscinas, ginásios e campos de jogos pertencentes às grandes empresas), legislação laboral funcional... Tudo isto saiu daquela cabecinha e agora pertence às nossas vidas. Gostaria de dizer volta Adolfo estás perdoado mas a merda que fizeste foi tanta que ofusca por completo todo o resto...
O que me custa não é o facto de teres sido um filho da puta.
O que me custa é, antes disso, teres sido um dos nossos melhores filhos...

Por uma unha, não ganhou em trinta e oito, o Prémio Nobel da Paz... indicado por uma judia...

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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

o mundo: festim gigante que aguarda a tua fome

Acabou? Game Over? Não te apoquentes... 
o começo, é agora...
Mas...psiu... não fiques triste... Dá-lhe gás!

PS: BEM... QUANDO COMEÇO PARA AÍ A CANTAROLAR ISTO...
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Os Três (Segundo).

O ser amado é uma mera percepção, como a cor, que na verdade não existe... ou como o doce ou o amargo, também eles truques do nosso sistema nervoso...
Esta é uma duologia. 
Indissociáveis, estes dois longos textos que explicam muita coisa...

Sem Cor
Era pintor.
Conduzia calmo o seu velho ford, mentalmente mergulhado na cor das suas telas. A sua rua aproximava-se. Era já no próximo cruzamento...
Bruscamente sentiu explodir uma massa gigantesca na traseira que o esmagou contra a mancha branca do airbag que detonava...

Acordou da coma, quarenta e três dias depois dum cherokee ter abalroado por trás o seu carro a oitenta e sete quilómetros por hora. Os médicos tinham já levado a cabo um levantamento minucioso das regiões do cérebro afectadas pelo acidente. O Córtex visual, na nuca, tinha sido o mais danificado pelo embate traseiro. Esperavam agora, curiosos, a reacção do paciente ao abrir os olhos.
E ela veio.
Primeiro o vislumbrar, o sentir de uma névoa e depois… um focar muito lento e esforçado dos contornos, das manchas, do vagaroso materializar do desenho das caras que o observavam.
Havia algo, contudo, que o fazia sentir-se num sonho, ao não acreditar naquilo que os olhos lhe diziam: o cintilar das hastes metálicas do médico mais próximo de si revelavam um brilho…diferente. Algo esbranquiçado. Leitoso.
O choque, esse, aconteceu ao dar com a face de Olívia, a sua mulher.
Sentiu estremecer todo o seu débil corpo: a pele feminina que o acompanhara durante doze anos, outrora rosada, agora encontrava-se cinzenta, sem vida. Olhou em volta num pânico muscular.
Tudo se encontrava cínzio, como num luto a preto-e-branco.

Tinha acordado num mundo sem cor.

A percepção das cores, essa, tinha-a perdido para sempre.

À chegada a casa, o cão veio lamber-lhe a cara, pousando as patas no seu colo ainda encostado à cadeira de rodas. Sentia as unhas do animal cravarem-se-lhe a través do tecido das calças, e desagradava-lhe o seu cheiro, agora mais forte.
Olívia empurrou a cadeira de rodas pelo soalho. O olhar dele passou pela taça de fruta, sempre cheia. As uvas pareciam vidro e as maçãs papel… ao observá-las não se lembrou do seu sabor. Pensou nisso, desconcertado.
O cão saltava em volta da cadeira de rodas, empurrando os bancos da cozinha num chiar rombo.
Cheiros e ruídos começaram a ter um novo estatuto na hierarquia dos seus sentidos, após a morte das cores no seu mundo.
Olhou para o focinho do cão. Os seus olhos eram também de vidro, como as uvas. Via agora também o mundo como aquele animal…
Após alguns dias, o acto de olhar para as suas mãos cinzentas já não molhava a sua face de lágrimas.
Essas aconteceram num soluço violento, num inesgotável uivo de desepero quando Olívia se desnudou a primeira vez. Em pé, banhada pela luz cinza do candeeiro. Observou-a dolorosamente. A pele perdera toda a textura, parecia o gesso coberto de tinta dum manequim antigo.
Olívia, estremecida, apertou-o contra o peito durante horas enquanto ele soluçava, violenta e silenciosamente, aos sacões…

Apesar de ter abandonado a cadeira de rodas e percorrer a casa pelo seu pé, havia duas semanas, ainda não tinha entrado no atelier. Uma porta branca mantinha fechado e inerte o mundo que ele criara com cores de que se tinha fácilmente esquecido…

Cada vez que comia fechava os olhos. Os alimentos possuíam um aspecto repugnante.
Vomitou a primeira vez que viu esparguete.

Um dia, empurrado pelo psicólogo, entrou finalmente no atelier.
De olhos semicerrados, a primeira impressão foi duma violenta agressão ao seu olfacto, a do cheiro das tintas.
Olhou as telas. O nó na garganta sabia a acrílico.

Recomeçou a pintar, semanas depois. Reconhecia as cores pelo cheiro dos químicos e recomeçou a utilizá-las. Dizia em voz alta os seus nomes, de olhos fechados e narinas abertas...

Um dia, num passeio pelo campo olhou o horizonte.
Uma mancha de luz, mais clara, nele mergulhava. Era um arco-íris. Tentou imaginar o seu aroma...
Fotos » Guido Mocafico/Emmanuel Turiot//Wallpaper



Sem Amor
Estou viciada em ti.
Quando entro numa sala, eu, que nunca me preocupo com essas coisas, julgo que todos me observam porque possuo um intenso e poderoso cheiro a sexo. Um cheiro a ti.
Sinto-te a escorrer dentro de mim, da noite passada. E da outra. De todas. Tresando a sexo, ao teu. É impressionante! Estou viciada em ti...

De olhos fechados, o eco de suas palavras continuava a hipnotizá-lo. Eram coisas que ela ia dizendo por telefone, durante o dia.
À noite, mesmo na sua presença, dentro do carro no parque de estacionamento ali em frente ao café que os separava do Tejo, elas continuavam a amansá-lo, mesmo proferidas noutros dias.
Olhou-a. Era a mulher mais bela que já tinha conhecido. Não acreditava no que via nas primeiras vezes que saíam, nem ele nem outros. Parecia feita noutro quadrante, noutra dimensão.
Via, por trás da sua cara de uma inexpressividade olímpica, coberta por uma juba cor de sangue negro, ao longe, as escuras pessoas de alva cara que iam entrando no bbc, branco.
Eles não iriam lá, naquela noite. Nem a lado nenhum.
Pararam ali para conversar. Entrar e conversar. Ele à frente dum jack daniels e ela a segurar, como de costume, um manhattan.
Mas não saíram do carro.
Olhou-a.
Mais que as suas injustificadas ausências, os seus segredos e os seus mistérios, mais que os jantares com... amigos, os fins- de-semana em quintas de amigas desconhecidas, o desligar do telefone a horas em que o mesmo devia estar para ele, para o mundo... mais que toda a vida que ela anunciava e que ele não comprovava, mais que todo o terror que ele passava com tudo isto, mais que toda a angústia...
...Mais que tudo isso, eram aqueles olhos. Os dela.
Muito, muito negros. Vazios. Mortos. A morte num par de olhos. Só encontrara algo assim em imagens animadas dum tubarão branco, em águas límpidas de ecrâ.
Eram um aviso sério, aqueles olhos. Estava tudo lá. Todo o inferno pelo qual passava...
O pior dos infernos. Aquele que vem, como numa de salada de frutas, com grossos pedaços de céu, para melhor sentir o horror, num contraste de sabores.

Não percebo porque estás triste. Estou sempre, sempre para ti. Só para ti. Dedico-me a ti, quando posso, mal posso.
Quando durmo com alguém... é contigo que o faço.
Vivo para ti.

Mas não. Não era vida. Aquilo que eles faziam não era vida. Não se pode viver no gerúndio.
Ir vivendo...só na tela.
Mesmo com a paixão. Com a genuína paixão dela, com a obssessão dela pelo sexo deles... pelo sexo dele, o qual ela não largava, nem com as suas mãos, nem com os seus olhos... nem com a sua boca, inúmeras vezes no meio do trânsito enquanto olhares nos vidros dos autocarros observavam atónitos quando ela mergulhava no seu colo em pleno dia, em pleno verão de incêndios. Nem com o seu cérebro. Encontrava-se mesmo fascinada por si e pelo demónio da sua carne.
E a forma como ela dormia, em que, com toda a sua pesada massa muscular se deitava completamente, sem tocar em mais nada, só nele e na sua pele... como se o corpo daquele homem fosse uma nuvem... que a elevasse acima de todo o resto.
Não era vida.
Não era... Uma Vida.

És o único em quase tudo, no meu íntimo. Nunca ninguém alguma vez me possuíu sem protecção. És, e foste, o único a fazer tal coisa. És o único! Que mais queres?... Que queres, afinal?

Uma Vida. Respondeu ele. Quero Uma Vida.

Ela olhou para o tablier escuro e disse: a vida não é amor e uma cabana. Se a vida fosse amor e uma cabana, nunca saíria dos teus braços, até morrer...

Ele abriu muito os olhos e franziu a testa. Odiava chavões, e não os recebia de bom grado, sobretudo dela.
Bang bang, my baby shot me down...
Olhou para o pedaço de rio, à sua esquerda, que a esquina do edifício do café descobria. Via a ponte, tracejada pelos carros que passavam, como balas de fósforo em câmera lenta por entre as grinaldas de lâmpadas dos pilares.
Cá em baixo tudo isto se reflectia, mas a dançar na água escura em pequenas centelhas no negrume da noite, através dos reflexos, no pára-brisas, dos faróis de carros que iam parqueando...


Dois anos depois. Ele resolveu o assunto.
Ela era um problema. Maior que os outros, mas ainda assim não fugia ao estatuto de problema. E ele era um homem de soluções.
Arrancou-a de si mesmo como se arranca um braço.
Mergulhou o mais possível numa nuvem de tudo o que era anestésico, analgésico... e arrancou-a de si.
Sangrou abundantemente, deixou-se sangrar...
Pegaram nele e cauterizaram a ferida. Ele observava, enquanto tudo o resto que ele ainda conseguia suster se ia desmoronando...
Recomeçou do zero com aquele coto dentro de si. Iria sarar...

...Três anos depois.
Afinal a vida sempre podia ser amor e uma cabana. Amor, que o tinha encontrado. Um amor intenso e suave, como o melhor Blue Mountain. Como ele.

Ela não. Tinha retirado o seu coração do nitrogénio líquido da criogenia, e entregou-o aquele homem que o aqueceu até ele bater em toda a pujança e explendor de músculo mais forte do corpo... para o abandonar depois, aparentemente esquecido em qualquer lado...
Aprendeu, pensou ela. Era, até aí, das poucas mulheres que podiam ter a satisfação de ditar todas as regras. Baixara a sua preciosa guarda, para ele entrar na sua vida, e deu no que deu...
...Nunca mais!
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

silicone number one

Aula de Body Pump: "vamos lá trabalhar o peito!"...hum...
o meu olhar derramado sobre a minha prenda de aniversário mesmo ao lado, aberta seis meses depois, há semanas atrás... Seis meses é o prazo, até se poder meter a unha em cima, com segurança... cool, na verdade...hum...sorry...

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

batoteiro? eu?

Pois é. Eram e são só três...mas... e as décimas? Um e meio, dois e meio... três e meio...
há mais, mas este não podia escapar...

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Os Três (Primeiro).

Ora aí está um desafio, ao qual, com gosto, correspondo: referir três postes antigos desta longa cadeia que iniciei em Fevereiro.
A ideia de me convidar foi da Coragem. Em boa hora veio. Lamentava-me do facto de ter tanta coisa que, como ficou lá para trás, ficaria condenada a um provável esquecimento. Sendo assim, borá lá ressuscitar algo bom...

Este é o primeiro, sobre a monarquia:

King Size
Somos todos monárquicos. Em continuaremos a sê-lo durante muito, muito tempo...
Está entranhado na nossa cultura, o conceito de dinastia.
Até nos nossos genes.

Vejamos: a natureza cozinhou tudo de forma a que, ao atingir a maturidade pudéssemos procriar. Dá-nos mais uns anitos para cuidar das crias e depois brinda-nos com um pontapé no cú. O que interessa é a dinastia genética...
Ginásios, spas, reikis e afins apenas representam uma luta contra essa realidade. Luta essa que vai ser ganha dentro de duas gerações.
Já se conhece o truque... é o Late Blooming biológico (tentado em moscas e a seguir em nós...) que talvez até represente o segredo da minha própria juventude — com 17 anos tive a minha primeira namorada a sério enquanto os meus amigos já tinham corrido o quarteirão das mesmas (foi uma vergonha até aparecerem os meus primeiros pelos)... Agora parecem todos estar com os pés para a cova e eu a começar. Qualquer dia sou pai outra vez... quem sabe...

Mas voltemos à monarquia... quando se fala de representatividade institucional não existe uma alternativa credível, pois o conceito de presidencialismo, nas suas variadas versões, é um remendo mal acabado...
A treta de que o poder dinástico vem de Deus já não funciona tão liminarmente, mas, se o pressuposto que tudo é divino for válido...

Contudo, é a vertente sociológica que me interessa abordar. Todo o imaginário está prenhe de imagens dinásticas. Chamamos Princesas a quem vimos como tal. Elvis era The King, não the President...
Os barões do PSD não são barões...mas tratam-nos assim. O Delfim do Jardim Gonçalves, numa luta dinástica retirou-se do trono, que foi ocupado por outro. Que se calhar gosta do Rei Pelé... E por falar em brasileirada lembro-me do Rei Momo. O Objectivo de quem lança um produto é atingir o topo: o trono. A Abelha que pariu é a Rainha. No Alien também havia uma.
...Qué queu sou? Qué queu sou? Qué queu sou? Qué queu sou?
Sois Rei! ...Sois Rei! ...Sois Rei!
It's Good To Be The King! E o Conde, ofende-se quando lhe chamam isso?
E duques? Só me saem é... Pois é, gostaria dum jogo de cartas em que presidentes, secretários, vices etc, substituissem valetes, damas e reis...
Os Ases eram os campeões da realeza...

E ser um Cavalheiro? Tem muito que se lhe diga, mas a base vem da Cavalaria, a Arma dos reis...

E tudo o que é Classe tem reis e rainhas: os cozinheiros, os espiões, os assassinos, os carpinteiros, as putas, os advogados...
...Sei lá, às tantas ocorrem-vos mais ainda...


E... qual é a senhora que não tem um certo fascínio por um King Size?


...A Mónica Lewinsky?...

Domingo, 3 de Agosto de 2008

mas ka ganda galo...

O camponês resolve trocar o seu galo por outro que desse conta das inúmeras galinhas. Ao chegar o novo galo e, percebendo que perderia as suas funções, o velho galo foi conversar com o seu substituto:
- Olha, sei que já estou velho e é por isso que o meu dono te trouxe aqui, mas será que podias deixar pelo menos duas galinhas para mim?
- Que é isso, velhote?! Vou ficar com todas.
- Mas só duas... - ainda insistiu o galo.
- Não. Já disse! São todas minhas!
- Então vamos fazer o seguinte: - propõe o galo velho - apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Se eu ganhar, fico com pelo menos duas galinhas. Se eu perder, são todas tuas.
O galo jovem mede o galo velho de cima abaixo e pensa que de certeza que ele não o consegue vencer:
- Tudo bem, velhote, eu aceito.
- Já que realmente as minhas hipóteses são poucas, deixa-me ficar vinte passos à frente - pediu o galo.
O mais jovem pensou por uns instantes e aceitou as condições do galo velho.
Iniciada a corrida, o galo jovem dispara para alcancar o outro galo.
O galo velho faz um esforço para manter a vantagem, mas rapidamente é alcançado pelo mais jovem.
No momento em que o mais velho ia ser alcancado pelo mais novo, o camponês pega na sua caçadeira e atira sem piedade no galo jovem.
Guardando a arma, comenta com a mulher:
- Não estou a entender! Já é o quinto galo gay que compramos esta semana!

ok, arranha... pronto...

...não te quero ver outra vez naquele estado, por isso terá de ser... assim...

Sábado, 2 de Agosto de 2008

a minha barba de três dias arranha?

Hum... deve haver por aí bem pior...
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

o verdadeiro amor II

Merecer uma rosa é amar, sobretudo, os seus espinhos.
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

então, meu!?! deixas todo o país...assim???

Olha: vai dar banho ao cão...
recado do meu gato...
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

à rodeo...

Vender a alma ao diabo é mais fácil do que se pensa. Mas, mais fácil ainda... é comprar-lhe uma.
E é o que estamos a fazer, neste momento. Nós, Ocidente, em território chinês.
Têm a sua graça, as acusações redutoras que se fazem à China. Direitos humanos? Boa...

Lembro-me da minha primeira viagem de comboio em Portugal, após o regresso de África. O destino era a Parede, tinha eu doze anos. Senti fecharem-se as portas do comboio e, num piscar de olhos, a chegada ao destino. Isto, porque em África qualquer viagem durava, no mínimo, seis a oito horas (quando não um dia inteiro) e aquela viagem de comboio demorou vinte minutos.
A travessia de Portugal, de norte a sul, é uma brincadeira de crianças comparada com as viagens que fiz nos "subúrbios" de Nova Iorque, comigo ao volante. Normalmente atravessavam-se três ou quatro estados e duravam quase um dia, mas não me cansavam tanto como uma ida a Viana do Castelo. Isto porque a percepção do tempo varia com a amplitude espacial da área na qual nos encontramos. Ou seja... tudo é relativo.

A relatividade dos valores culturais continua a não ser tida em conta na Diplomacia. "Direitos Humanos" é um termo caro a nós ocidentais, mas nada representa para um operário chinês. A vida humana, na China, vale menos que um fardo de palha. Haverá porventura mais homens que fardos e o gado precisa de alimento. Por isso talvez, lá os fardos sejam mais acarinhados que o couro de cada cidadão.
Olha-se para a China como um ogre que devora o Tibete. Já lá vamos.
Primeiro convém referir o que já todos se esqueceram, excepto os chineses: a China foi, ela própria, num passado recente, uma violenta vítima do Japão e do Ocidente. E nunca se esqueçam de um implacável princípio: as maiores vítimas tornam-se nos piores carrascos.
No princípio do Século Vinte, um dos maiores motores da economia era o comércio de droga, que agora se demoniza, e se apelida de tráfico. Em 1900 era legal, cotado em bolsa e enriquecia muita gente de bem. A China era um pivô comercial importante, sobretudo como produtor de ópio. E era explorada à boa maneira colonialista, com os fardos a saírem de lá a dois tostões para depois serem vendidos em Liverpool a quinhentos paus.
Os chineses fartaram-se e revoltaram-se. Na Revolta dos Boxers só se fala, em termos históricos, dos duzentos e trinta estrangeiros mortos, mas ninguém refere os milhares de chineses que sucumbiram durante e depois da revolta que custou o pouco poder que ainda mantinha a dinastia Qing. Os ocidentais, mal o ópio perdeu interesse comercial, abandonaram a China, mas os japoneses... não. Ficaram por lá a infernizar a vida daquele povo até ao fim da segunda guerra mundial. E como! Perderia muito tempo com pormenores, mas conto apenas o seguinte: a um soldado japonês reservava-se o direito de matar imediatamente qualquer cidadão chinês que não o saudasse... Morreram centenas de milhares...
Mas essa mortandade não foi nada frente aos milhões que os próprios chineses mataram na revolução cultural...
E, aqui, é notícia, a abrir telejornais, um taxista baleado...um.
Vê-se assim a diferente cotação da vida humana em diversas latitudes...

O Tibete era, e continua a ser considerado um estado soberano, mas na verdade nunca se comportou como tal. Um estado digno desse nome tem a obrigação de se proteger. E para isso, não necessita, de todo, de um enorme exército dissuasor...
Eu, se me aparecerem dois ou três caramelos para me fazerem a folha, e se tiver sorte, talvez o dia seja meu... mas, se forem mais que isso, e se conseguir fugir, sei que não descansam enquanto me encontrarem, por isso, pego no telefone e ligo para alguém com quem mantenho uma aliança, um pacto. Assim quando me aparecerem quatro gajos, do meu lado aparecem outros tantos... ou mais (é claro que tenho que estar para eles, quando necessário). Na política internacional as coisas também funcionam de forma análoga, embora mais elaborada, mas o princípio da aliança é algo poderoso. O facto é que o Tibete era um estado espiritual, e não se preocupou, de todo, em salvaguardar a sua soberania, deixando-a nas mãos da geografia e da sorte. E é agora que o Dalai Lama se preocupa... tarde de mais. A cedência dos Jogos Olímpicos funcionou como uma chancela diplomática internacional à ocupação chinesa... não há nada a fazer com o que há, e a única hipótese seria um banho de sangue mediático. Mas, mesmo isso...

Neste momento sinto que o Ocidente está a dar, completamente, o cu à China. Não só na questão Olímpica, mas também na comercial e industrial. Económica, em suma. Oferecemos, de mão beijada, tecnologia de vanguarda, e o que se recebe em troca é questionável. A indústria automóvel chinesa está tecnologicanente avançada, graças à cedência de engenheiros e know-how, nomeadamente da BMW. Constroem-se Bms e só o logotipo, parte do design...e o preço, é chinês. O sumo é bávaro. Estamos a muscular e transmitir uma enorme dose de confiança aquele gigante.

E eis a prova que a China encheu o peito: nos Jogos Olímpicos, vinte e seis regras, alguma de natureza quase medieval, para nós ocidentais (e como nos pesou a Idade Média...) e, a acrescentar, interdições de natureza mediática, algumas de índole moral... Toma lá.

O destaque que a China terá nestes Jogos Olímpicos, a par das vitórias desportivas, que irá somar mais que outro país, vai oxigenar e fortalecer ainda mais este dragão que acorda. E o resultado vai ser funesto, para nós ocidentais. Imaginem: malta nas fábricas a trabalhar quase à borla... e não só nas fábricas: escritórios, poules informáticas, estúdios discográficos e, dentro de muito pouco tempo, gabinetes de engenharia, design, arquitectura... (vá lá, escapam-se os advogados...).

Esta situação, da esparrela onde todo o Ocidente se meteu, evoca-me a imagem daquela mulher que se casa com um milionário, com o qual se deita na noite de núpcias, e que, ao acordar, o mesmo revela aquilo que escondeu durante o noivado: a sua natureza psicopata.
Agora já está, e pela primeira vez na História, uns Jogos Olímpicos vão definir de forma atroz o futuro de várias gerações. Irreversívelmente.

Mas a melhor imagem, quanto a mim, é a da posição "à rodeo":
Quem está por cima, sussurra a quem está por baixo, o nome repetido de outrém, e depois... tenta aguentar, em cima, o máximo tempo possível... como num rodeo.

E quem vai estar por cima... é a China.
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No Cú???

Um sujeito entra num bar com o seu macaquinho. Pede uma bebida e enquanto a toma, o macaco vai pulando de mesa em mesa.
Numa das mesas pega umas azeitonas e engole-as. Numa outra mesa pega umas fatias de limão e engole-os. Finalmente, pula na mesa de snooker, pega uma bola, enfia-a na boca e engole-a.
O dono do bar grita para o dono do macaco:
- Você viu o que o seu macaco fez?
- Não! O que foi?
- Ele engoliu uma bola de snooker inteira!
- Bem, isso nao me surpreende. Ele come tudo o que vê. Não se preocupe que eu pago a bola de snooker e as outras coisas que ele comeu.
Termina a bebida, paga e sai.
Duas semanas depois, entra no bar novamente com o seu macaquinho.Pede uma bebida e o macaco vai pulando de mesa em mesa.
Enquanto ele toma a sua bebida, o macaco encontra umas cerejas no balcão.
Pega uma, enfia no cú, tira e come-a. O dono do bar fica enojado...
- Você viu o que o seu macaco fez desta vez?
- Não! O que foi?
- Bem, ele enfiou uma cereja no cú, tirou-a e engoliu-a!
- Isso não me surpreende! Desde que engoliu aquela bola de snooker...
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Vou ter que me repetir, mas de outra forma. Quero que agora nada te passe ao lado, como o que, anteriormente com delicadeza escrevi...

Não, querida, não tens que me pedir desculpa pela tua intervenção no
blog... divertiu-me, a mim, e a todos...

Tens que te ajoelhar, sim, mas por me teres insultado!... Porque, se te apanho em algum lugar, se me cheira quem tu és, abro-te os maxilares, a estalar, com com estes dois camiões de carne que tenho pregados ao tronco, estas duas escavadoras, o suficiente para fazer deslizar uma das minhas garras pela tua faringe até chegar ao peito, apontando-a em seguida ao teu coração, esmagando pelo caminho com difícil precisão as viscosas traqueia, aorta e artéria pulmonar, para o colher, trazendo-o logo pela mesma via da recolha, ainda palpitante e a escorrer o sangue untuoso que me desequilibra, ao escorregar, enquanto tento delicadamente provar com uma sorvida dentada, o teu ovo de carne vil...

...

Que coisa feroz... crua... de uma náusea insuportável...
Mas nunca tão feroz como uma bofetada desferida numa mulher num cenário de violência doméstica... não tão cru como o sabor que ela sente na sua glote entupida pelo horror que decorre...não tão nauseante como ela se dói nos dias seguintes, antes de ganhar a coragem suficiente para observar o canto do seu próprio olho num espelho manchado pelo pó das noites de luto por si...
Milhões de mulheres por todo o mundo, são vítimas deste horror, tendo caído no poço do mesmo na maior parte das vezes por acidente... mas uma pequena parte é isso que procura... por incrível que pareça...
Juntam ao seu rol de emoções a explorar, a busca de um... homem interessante. Mas procuram-no da pior maneira. A correcta seria uma exibição tranquila da sua própria natureza interessante, e deixar que a lei da atracção se cumprisse de forma natural.
Simples.
Mas não. Lançam o fogo, pisam o acelerador até para bem lá do vermelho e o cheiro a borracha queimada se tornar insuportável. Provocam, atiçam...entram em guerra.
Conheci várias. Agora não tenho nem um segundo de paciência, mas tive, durante anos, algumas mulheres assim. Não durava muito, e porquê? Todas, sem excepção, traziam consigo um historial de violência exercida por anteriores parceiros. E, a dado ponto do relacionamento (os deuses que me perdoem...) eu compreendia porquê. Elas próprias eram geradoras de violência. Quer ciúmes agressivos, que as levavam a partir coisas (algumas até carros), à violência de me empurrar contra uma parede enquanto me enchiam com gritos e perdigotos, as sapatadas com que me tiravam coisas das mãos... Depois era o arrependimento, quando eu regressava de uma fuga que por vezes demorava horas ou um dia inteiro...
Agora nem um minuto aguento disto a mais ninguém. Aliás, a minha tolerância, em termos de relacionamentos, rege-se por um sistema de valores invulgar nos tempos que correm: os meus.

Fui ver o Batman, este último. Tive uma vontade contínua de me levantar e abandonar a sala, não pela qualidade do filme, impecável, mas porque todo ele, numa atmosfera de náusea, denuncia continuamente aquilo que para mim é a maior praga social: a falta de valores. Todo o filme se baseia nisso. Vivemos numa sociedade em que os valores saíram pela janela em andamento. Não os há. Lembro-me de ler a Bíblia em miúdo e ficar impressionado com as descrições de Sodoma e Gomorra. Neste momento, vivemos em Sodoma e Gomorra. Não existem regras algumas. Na minha actividade deve-se durante meses, ninguém paga a ninguém. A nível social ninguém tem dinheiro, mas toda a gente consome. Basta ver o parque automóvel...
Dantes era o patrão, o lobo mau nas empresas, agora são os colegas. A malta que ainda não chegou à idade adulta não tem referências, não tem heróis. Os pais não os educam, são uns fracos, e são o exemplo
a não seguir, na maior parte das vezes...

...E depois dá nisto.

Apareceu aqui uma criatura do sexo feminino há uns
posts atrás. Declarou, à cabeça, que vinha em busca de uma boa luta, disposta a ridicularizar-me... Ok. Com um sorriso, deixei-a tentar, tendo o cuidado para eu próprio não me exceder na defesa da dignidade de tudo isto, colocando-a a ela no ridículo. Na verdade, Não me agrada ridicularizar ninguém. De vários comentários por cada post, a blogger passou para o gmail, para uma abordagem mais personalizada.
Apercebi-me que o objectivo inicial tinha sido ultrapassado, evoluindo para um certo interesse na personagem que protagoniza o
blog, que lhe dava luta, sugeria. Contudo, e eu compreendo, de quando em vez, no escorregadio discurso do desdenhanço típico de quem quer comprar, ela reencarnava a figura da provocadora da primeira fase, tentando não perder definitivamente o tom de desdém, agora uma pedra no sapato da sua caminhada em direcção ao novo objectivo. Houve quem se apercebesse, naturalmente...

Ontem a Fernanda lançou um
post que ainda não comentei. Trata-se duma história tradicional açoriana. Lembra-me as mulheres mais velhas, que ao referirem os homens casados com mulheres agressivas defendem: uma bofatada naquelas ventas a ver se elas não se voltavam a comportar como mulheres de novo.
Sim. Também o estigma de uma sociedade rural.

Bem, em relação à rapariga que apareceu por aqui, eu até estava a pagar para ver... mas lamentavelmente, como em qualquer processo análogo, a ameaça da perda de controle gera atitudes bruscas, desajeitadas. E elas vieram: insultou-me.
Enfim... Provavelmente para ela não seria um insulto. Seria até um mimo com o qual brinda os amigos com frequência, mas... bem... o que foi fazer!... e eu, que até lhe achava uma certa graça...bastou-me para delicadamente cortar o contacto não sem antes ler que... para alguém com ideias avançadas, eu defendia princípios caretas... algo do género.

Existe uma freira, julgo que para os lados de Abrantes, que mantém trinta crianças, outrora abandonadas, num lar digno desse nome. Assisti a uma reportagem televisiva sobre isso. A senhora vive para aquelas crianças. Contudo, nunca lhe vemos o amor que lhes devotou. A reportagem abordava o dia-a-dia das crianças e sobressaía uma férrea disciplina. Questionada sobre isso, a madre retorquiu que numa sociedade sem regras como a nossa, a habituação ao cumprimento das mesmas seria um factor fundamental na educação e posterior sobrevivência dos miúdos. Queria dizer ela com isto, que, aquelas crianças, habituadas a regras e a valores, iriam automaticamente entrar em vantagem numa sociedade de onde eles se ausentaram. Eu acredito nisso.

Voltando à
blogger. Não demorou muito a aparecer um e-mail, não com um pedido de desculpas, mas sim com um pedido de... perdão. Contudo apercebi-me que não era o perdão, o objectivo, por isso respondi-lhe. Na resposta de volta reafirmou o perdão, mas sempre com a mesma atitude. Dizendo, pelo meio, que os meus apelos à boa educação que esperava que ela exercesse lhe passavam muito ao lado, que eram valores que não cultivava...
Confessou que escolhia aleatoriamente um
blog, e provocava deliberadamente o proprietário, até ele aguentar, e que me pedia perdão sobretudo por isso, ao dar conta da minha natureza, ou algo do género.
O que ela deve fazer no mundo dos
blogs, decerto fará no seu universo afectivo, o que neste caso já se manifestava. É, sem dúvida, alguém que procura emoção e adrenalina no confronto. Nova como é, irá encontrá-lo. Pode até manter uma relação com alguém tranquilo, que lhe apare todos os golpes, mas continuará sempre em busca de sangue. Espero sinceramente que nunca o encontre, para seu bem.

O texto de abertura do
post é ficcional, claro. Jamais faria mal a uma mulher. A minha ficção tem uma componente de crueza muito grande... vivi muito. Porém, mesmo no universo da ficção em que decorreu a escrita do texto, foi de válida inspiração a sua última afirmação: a de que ela que tinha gozado, em privado, com os comentadores deste blog...

Sou aqui, o que sou em minha casa. Um bom anfitrião.

Domingo, 27 de Julho de 2008

fogo amigo

Tenho que me acalmar. Ao dar uma palmada num mosquito pousado no meu ombro fiquei com a impressão que, mais kg menos kg, e lá ficava com um ombro deslocado... Sacana da mão... não é enorme, mas uma bofatada pode causar mais estragos que muitos murros... Com um braço destes...

Sábado, 26 de Julho de 2008

de facto...

Um ventríloquo encontrava-se a actuar num bar. Debitava o seu repertório habitual de piadas sobre loiras, quando uma loiraça sentada na quarta mesa se levantou e disse:
- Já ouvi o suficiente das suas piadas a denegrir as loiras, seu idiota. O que é que o faz pensar que pode estereotipar as mulheres dessa maneira? O que é que têm a ver os atributos físicos de uma pessoa com o seu valor como ser humano? São homens como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, o que nos impede de alcançar o pleno potencial como pessoa. Por sua causa e por causa das pessoas da sua laia perpetua-se a discriminação nao só contra as loiras, mas contra as mulheres em geral...tudo em nome do humor!!!
Confuso, o ventríloquo começou a pedir desculpa, e a loira diz:
- O senhor não se meta. Estou a falar com esse rapazinho que está sentado no seu colo!!!

Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

hoje...

...era para fazer isto,....mas, devido a isto............fiz só isto
Pois é. Ia andar de balão. Tinha já um molho de pilhas carregadinhas de amperes para substituir as gastas na câmera, no tiroteio de fotos ao nascer do sol, a várias dezenas de metros de altura. Mas as nuvens...
Era o aniversário de empresa... e caramba, mesmo estando lá há dois meses, até mereço, pelo bom rapaz que sou...
Ainda assim, acabei numa marquesa, depois duma hidromassagem...
Desta vez é que foi. E escrevo isto porque nunca tinha levado até ao fim uma massagem. Muito peso teve o profissionalismo da Dª Alice, uma jovial avó de quatro netos, que começou uma massagem relaxante que imediatamente passou a fisioterapia, ao dar conta das inúmeras mazelas que a minha falta de juízo, no ginásio, semeou nas minhas costas... Contracturas, contou ela cinco. Resolveu quatro, porque a dos gémeos (ganha numa rotura de ligamentos na praia, ruidosa como um disparo, a jogar raquetes) essa ficará por cá, com o tendão eternamente inflamado, porque faço exercício várias vezes por semana.
Dª Alice quatro... contracturas um...
Foi tão bom, que lamento que a Dª Alice esteja tão longe de Lisboa... E tão bom, que a meio, até já gostava da música de fundo...

... a do Richard Clayderman...
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

summer phone call

"...tu tens uma conversa... hum...hum...agrada-me!..." 
Reforço cada vez mais a minha impressão de que nas relações humanas prevalece o perigoso desconhecimento do facto de que, quanto mais quentes são as águas...
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

engatilhado

A grande diferença entre um carnívoro e um herbívoro reside no facto da comida do primeiro se encontrar sempre em movimento...
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fénix

Serei sempre jovem, enquanto mantiver, intacta, a minha capacidade de renascer.

FOTO: ERUPÇÃO NO MONTE ETNA | CARSTEN PETER | NATIONAL GEOGRAPHIC
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

erro fatal

Duas mulheres estavam a jogar golf numa manhã de sábado. Uma delas errou a tacada e atingiu um jogador que estava próximo. Quando a bola atingiu o homem, este juntou, de imediato, as suas mãos entre as pernas e ajoelhou-se, gemendo de dor. A mulher correu até ao local e pediu desculpas, explicando que era fisioterapeuta....
- Por favor, deixe-me ajudá-lo. Sou fisioterapeuta e sei como aliviar a dor que está a sentir! Posso fazê-lo sentir-se melhor se me deixar!
- Ummph, oooooh, não..., já vai passar...é só uma questão de minutos- disse o homem, quase sem poder respirar, e continuando em posição fetal com as mãos entre as pernas.
Mas ela insistiu e ele, finalmente, permitiu que esta o ajudasse.
Delicadamente, ela afastou as mãos do homem e deitou-o de lado, abrindo-lhe as calças. Colocou a mão por dentro e iniciou uma bela massagem... Após alguns minutos, ela finalmente pergunta:
- Sente-se melhor?
- Melhor? Sinto-me fantástico!! O pior é o meu dedo indicador que continua a doer-me imenso...
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Domingo, 20 de Julho de 2008

sétimo dia

Já imaginaram se todos os vossos dias fossem domingo? Para este caramelo de olhos azuis, chamado Alex, é sempre...
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Sábado, 19 de Julho de 2008

a revista que parte costelas

Sempre li revistas femininas. Durante o meu longínquo casamento, houve, pelo meio, enorme uma mudança de casa. Na altura eram sempre grandes e, muito do esforço muscular despendido era-o no transporte de caixotes com livros e revistas. Durante essa mudança gigantesca, brilhava o machado sobre um enorme espólio de Elles, Máximas e Maries Claires. Não fui eu que decidi, mas foram todas para o lixo e fiquei com pena. Eram as únicas no mercado que, quando eu comecei a fazer revistas, possuíam capas com design com tanta qualidade como as minhas.
E fartava-me de ler aquilo. Um homem aprende muito sobre mulheres, ao ler revistas femininas.
Na altura, nos 90's, o que aprendi era que... elas sabiam pouco. E saíam, muito pouco, da casca.
Por mim tudo bem. Passei toda a década casado... Ainda hoje quando me falam do Alcântara encolho os ombros...

Mas apareceu, na nova década, outro tipo de mulher...
Esta já atrevida, culturalmente mais rica e esclarecida. E, com ela, apareceu um novo tipo de revista para lhe fornecer o apoio de artilharia: a Happy.
É claro que, como bela rémora, sigo coladinho ao tubarão. E lá estou eu a lê-la, todo feliz e contente, mês após mês.
Até mesmo em termos comerciais se adapta aos tempos, pois a circulação paga é relegada para último plano e a revista ganha o seu lucro assumindo o seu carácter de suporte publicitário privilegiado, sendo distribuída gratuitamente criando parcerias que, com uma política de vauchers colocam toda uma máquina comercial e de charme em movimento.
Tenho a colecção quase toda. É distribuída gratuitamente no meu ginásio. Basta chegar a uma das mesas e colocar na mochila uma ou mais. Normalmente duas, pois a minha cria adolescente pede-ma todos os meses. Assim, quando vou buscá-la à dança jazz, na altura tem sempre uma revista à sua espera no banco do carro.
Uma das vezes que ela me enviou a mensagem do... "Papá, não te esqueças da minha Happy..." Ia eu a ler a revista que tinha saído naquele mês e, resolvendo meter-me com ela, liguei-lhe:...tens aqui a tua Happy cheínha de artigos super-úteis para a tua existência: como organizar uma festa sexual, férias eróticas ou os melhores destinos a pensar em sexo...
Oh papá... É a sua expressão para: "tens um senso de humor embaraçante, progenitor meu."... É pelos vauchers...Dizia...
Enfim, de qualquer forma, acho que ela deve conhecer a realidade por si mesma, que por histórias contadas. E assim leva já um avanço, para as alturas em que caramelos como eu cheguem lá a tirar coelhos da cartola. Esforcem-se mais...
Uma vez, há para aí dois ou três anos, convidei uma namorada para experimentar o meu ginásio. À entrada, recolheu, toda contente, uma Happy, e passou o tempo que estivemos na esplanada a folhear e a chamar-me a atenção para os artigos. Um deles era sobre swing e ela mostrou um particular interesse.
Lá em baixo, começámos na passadeira. Eu a correr, ouvindo Cafe del Mar e ela a caminhar. Normalmente atencioso, resolvi partilhar o mp3. Ela colocou-o nos ouvidos numa das partes chillout e, após cinco minutos, devolve-mo. Quando mo entregou, lembro-me do seu olhar...estranho. Fixava-me. Dir-se-ía... com ódio...

Até que, no meio do tapete rolante, parou. Parou de caminhar!
E o tapete continuou a rolar...
Foi projectada com violência contra as passadeiras que se encontravam atrás.
Partiu três costelas.

Mais tarde, quando lhe perguntei o que tinha ela na cabeça para estacar em cima duma passadeira em movimento, referiu o artigo da Happy sobre swing... Tentava imaginar-me, a mim, numa situação daquelas, e encontrava-se cheia de raiva, pois era muito ciumenta. A ciúmeira raivosa e imbecil colou-a ao tapete rolante em movimento, que a cuspiu...

E depois... a culpa é minha...
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

il catalogo

Tem graça. Fui ver este filme do Joseph Losey com a minha primeira namorada a sério.
Aos dezasseis...
Nesta parte fiquei impressionado com a extensa lista do bicho.
Mal sabia eu que o D. Giovanni se tornaria na minha ópera favorita...
Madamina, il catalogo é questo... Mal sabia eu...

Mozart do cacete... viajas no tempo, é, sacana? Parto-te os dentes e como-te a gaja...
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

bolo pdl

A primeira vez que o provei foi em cozinha alheia.
Encontrava-me a conversar com o dono da casa, na sala. E da cozinha vinha o gargalhar das meninas... e um aroma soberbo, a coco.
Parti em exploração.
Ó Jorge, aguenta aí uma beca...
Já no terreno, observei o inimigo ocupado com a janta, no chilreio do costume...
E dei com o bolo.
O aroma a coco trespassava todos os outros que saíam do fogão e minimizava o volume do registo sonoro, água em pedras, a voz delas.
A grossa rodela de bolo já não o era. Tinha uma boquinha querida, que engolia uma faca redonda. Olhei em volta, e, furtivo... fui generoso no pedaço com que recheei o guardanapo...
Dez minutos depois, o meu amigo lá foi provar o bolo recomendado por mim (a lamber os dedos, na sala... desistira de tentar outro guardanapo... daria nas vistas).
Onze minutos... a água a cair sobre pedras passou a pano rasgado à bruta:
Jorge! Deste cabo do bolo todo! Vejam! Ainda há um quarto de hora atrás só lhe faltava uma fatia e agora sobram o quê...umas quatro...sai já daqui!... O resto do bolo fica racionado para o fim da refeição, chô!

...

Pois é. Muito bom, o bolo que faço em cinco minutos.
A minha amiga Silvinha recebeu a receita do Sílvio, amigo nosso, cirurgião plástico (diverte-me imaginá-lo a olhar para as maminhas de silicone e antecipar a confeitaria, depois, em casa...).
Leva só cinco ingredientes: Uma lata de leite condensado, uma lata de milho cozido, três ovos, uma colher de sopa de fermento e uma embalagem de duzentos e cinquenta gramas de coco ralado.
Pois, não leva farinha nenhuma, por isso é que fica com aquele ar cremoso...
Faço-o em cinco minutos, porquê? Deito tudo na batedeira, ou lá o que é aquela cena transparente onde faço batidos e granizados com umas lâminas rotativas no fim, e após uns zein,zeiiiin, zeiiin, derramo a papa numa forma de bolos, daquelas com buraco no meio, prévia e generosamente untada com manteiga, e deixo no forno durante uns quarenta ou quarenta e cinco minutos.
Há quem lhe acrescente corante, ao lamber os dedos que limparam a batcoisa...

Não tinha nome, fui eu que o baptizei... pdl... mesmo.
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bat blur

Um bêbado encontra uma freira na rua, agarra-a e leva-a para um beco, onde a espanca até à morte.
Diz o bêbado:
- Pensei que desses mais luta, Batman.
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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

o motor

Quanto mais bate, mais longe tu vais.
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Domingo, 13 de Julho de 2008

seleccionador nacional seleccionado

meninas...o vosso sonho

Eu cá não me importava. Diz-se que uma sociedade matriarcal é mais próspera e pacífica...
Quando as mulheres deste mundo finalmente se entenderem e unirem, as coisas passarão a ser assim...

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

stealth

Stealth é uma qualidade de veículos, sobretudo voadores, que mentem ao radar. Afirmam-lhe descaradamente que são ternurentos bandos de patos, ou amorosos milhafres. Quem monitoriza o ecrâ dos sistemas de detecção e telemetria pelo rádio, não adivinha que o que lá vem em voo, é algo do mais avassalador que se pode conceber... ou imaginar...
Este gajo, a quem emprestei uma peça de roupa (adivinhem qual), explica melhor...

Bom fim de semana. Esqueçam o radar, é inútil...
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o culpado

Quem? Eu? Não... ele. Um homem ouve uma coisa destas, com meia dúzia de anos em cima do pêlo, e depois... fica traumatizado, e age em conformidade, durante todo o resto da sua vida... Maledetto!

FLASH: A BLUEMINERVA JÁ TERMINOU "A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR ABEL".
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

"what happens in summer, stays in summer"... ...ou... sex & drugs ...drugs & sex

"What happens in Vegas, stays in Vegas". É o aviso à navegação duma cidade do deserto em que é Verão todos os dias... Porque, nesta estação, se vive segundo padrões morais tão ligeiros como a roupa que se veste...
Passei, no Verão, por episódios do arco da velha... Gente insuspeita a ostentar o comportamento mais suspeito possível... isso e outras coisas que o comprovam... e não é só o calor, o responsável... é tudo...
Com o Verão, chega uma boa dose de tes... Tempo livre? No meu caso, sim. A maior parte dos meus clientes vai para férias, fico quase só com as avenças... e até podia aproveitar para escrever tópicos longos, como de costume... mas nesta altura a malta gosta é de petiscar... É a silly season...

Qual era o assunto? Sex & drugs...ou ...drugs & sex?
Ok... mas, antes: "what happens in summer, stays in summer". Isto significa que este post será apagado dia 21 de Setembro, mal acabe o verão... toda a gente que o leu se vais esquecer do mesmo. Aliás, nunca existiu, se perguntarem por ele...vai-se desvanecer com o calor...

Sendo assim... Esta vai já direitinha à cabeça:
Deixem-se de merdas: toda a gente se droga.

Ai não...
E a sangriazinha.... a bejeca, o gin tónico, o whysquizinho, o cafézinho, o cigarrinho?... não?
E um Xanaxzinho, uma Fluoxetina, um anti-ansiolíticozito, um tónico, um speed... um chocolate...
Pois é. Certos hábitos, na sua maioria alimentares, tornam-se diária e, por vezes horariamente, recorrentes, pela necessidade do corpo em suprir substâncias às quais se foi, paulatinamente, habituando...
Drogas não são só as da cartilha, como os haxes, as cocas, os speeds, os drunfos, os mds, os ecstasis, os cavalos e outros animais como a morfina... os lsds, os cogumelos, os mets... Aliás, nem são esses que quero enfatizar, são tão massacrados que é um pouco como bater no ceguinho...
E quero acrescentar algo da minha visão pessoal da coisa.
Ser criativo.

Considera-se droga qualquer substância que altera as funções de um organismo, ao ser ingerida. Classificam-se ordinariamente em três categorias: estimulantes, depressoras e perturbadoras. Aqui vou alargar a definição e abarcar algo mais, e vou demonstrar que não é necessário ingerir qualquer substância para experimentar alucinações, para ficar estimulado, ou para ficar com vontade de deixar um testamento na mesinha de cabeceira... (hum...bem...essa fica, talvez, para outro dia... é verão!)... Porque, pura e simplesmente, tal não é necessário.
Ela pode já estar cá dentro.
Existem substâncias químicas das quis estou dependente.
Pois é... dramático. Sou um drogado. Um agarrado.
E quando as quero, com maior ou menor desespero, vou ter com um dealer muito especial, alguém em quem confio, aliás, em quem mais confio: eu mesmo.
A minha droga de eleição é a endorfina. Abarca um grupo de químicos, sintetizados pelo próprio corpo, neuromediadores ligados à origem do bem-estar e do prazer.
O corpo gera endorfinas quando obrigado a esforço físico na forma de exercício. E é um potente fornecedor. Principalmente se praticado com regularidade, como no meu caso. E cria uma dependência... brutal.
A libertação de endorfinas provoca uma sensação de euforia, de bem-estar, de plenitude. E o facto de psicologicamente nos sentirmos fortes com as barreiras que ultrapassamos, revela-se numa melhoria da auto-estima (pois é... mais ainda...).

Mas nada bate o sexo, como gerador de prazer. Isto em minha opinião. E existem fortes apoios à mesma: adrenalina, estrógenio, testosterona, dopamina, noradrenalina ...até hormonas de crescimento (também faz crescer, e esta?... hum... estou a lembrar-me de alguém... sua tarada!) são libertadas durante o festim sexual. É um foguetório!
Mas a malta é insatisfeita por natureza, e assim sendo, este parque de diversões não chega, e... toca de lançar, para a fogueira, mais petróleo... e começa-se a inventar.
É por isso que muita gente estica a velocidade máxima com um pouquinho de óxido nitroso... ou seja, metem mais qualquer coisinha à mistura...
Eu, como não tenho posses para pagar um estudo a uma universidade sobre o assunto, vou ter de me recorrer da minha rica experiência pessoal e confiar no meu discernimento, neste âmbito... vejamos...

Coca. Nos anos oitenta começou a circular e como todos os começos, foi em grande. Lembro-me de ter estado presente em festas onde alguém mais velho me afirmava: "man, não adianta sequer pensar em voz alta sobre isto fora daqui, por todos os motivos, mas o principal é que ninguém ia acreditar..." e não dava para acreditar, mesmo. Era uma droga divertida. Escrevo Era, porque Foi ...No more. Mas quando era, e porque eu também era divertido, havia umas meninas que começavam a noite de chapéu à "bolero" e levavam-no para a cama pois eu fazia questão disso. Mas... nã. Eu não me convencia, Ou curtia a droga, ou a toureira... Coca na cama... out.

Cannabis. Bem... erva é uma coisa e haxe é outra, e também...nã. Excepto se a parceira for alguém muito familiar. É que a porcaria da cannabis amplifica as emoções...se estás alegre, ficas mais ainda, se estás preocupado...
E, se não conheceres a gaja de lado nenhum, o chamon reforça a sua categoria de estranha... quem és tu? Se a coisa correr mal, podem ir ambos para a cozinha, que aquilo dá uma fome do cacete...

Opiácios? Passo. Nunca experimentei. Também nunca experimentei a sensação de alojar no crâneo uma bala de nove milímetros... existem coisas que acho que vou morrer sem saber... mas não fico triste por isso.

Álcool. Isto faz-me lembrar alguém, de extrema beleza, que se entristecia comigo por eu adormecer mal chegava a casa depois de jantar... era grave, ela trazia sempre lingerie de endoidecer...mas, quem lhe mandava beber só um copo de vinho e deixar o resto da garrafa por minha conta em dias de trabalho extenuante, após uns valentes aperitivos?
O álcool tem a sua importância como desinibidor. O mesmo princípio químico que dava coragem, fibra ou nervo a um soldado napoleónico para enfrentar canhões (ou encarar um matulão que nos quisesse rachar ao meio, a segurar um machado do nosso tamanho) aplica-se ao tipo que bebe mais um trago para ir meter conversa com aquela que, no bar, olhou para ele mais que uma vez. Mas só. Álcool na cama é para esquecer... à excepção da vodka... Não sei o que tem a puta da bebida, mas em pequenos goles, dá algumas noites gloriosas... noites, mesmo. Até ao nascer do sol. E parte da manhã. Não sei porquê...

Md. Dilui-se num dedo de Frize Limão e vai-se beijando a garrafinha, durante uma hora, enquanto se dança. É um caso sério. É tão bom o sexo com Md como qualquer outra coisa que se faça, com a porcaria da droga no bucho... e sempre com um sorriso estúpido estampado nas fuças...

Mas a minha favorita é a endorfina, mais uma vez.
Já se leu aqui que durante o acto sexual a mesma é libertada, mas... e se já levarmos uma dose? Pois é. Em minha opinião, o melhor sexo (dez a zero) é o que se faz depois de uma boa dose de exercício. O corpo já vem carregadinho dela e com a que chega depois é o nec plus ultra... porque ninguém aguenta tanto prazer sem overload... prztt..tzz...tszzth...pztah

...

Para quem não gosta de sexo, queira apanhar uma pedrada e além disso emagrecer uns quilinhos, recomendo um jejum prolongado. Ao fim de alguns dias começam-se a ver coisas. O corpo liberta psicotrópicos homemade. Foi esse fenómeno que deu o nome a muitos índios.

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

ando viciado...

...nisto.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

ciúmes...



...Foi com que eu me deparei, após o último tópico.

Era apenas um caixote do lixo, senhores. Embora, por alguns comentários, perceba a razão da popularidade da cozinha durante as festas cá em casa, entre as meninas...

Ciúmes, referia eu. Pois é. E agora estes caramelos, o galheteiro do azeite, o do vinagre, o saleiro e o pimenteiro também querem aparecer. Dizem que também são esticadinhos, e até brilham...
...E o do azeite anda cá com umas ideias...

Bah...silly season...

Domingo, 6 de Julho de 2008

o meu caixote de lixo

"Gostava de ver o teu caixote de lixo", pediu-me a Coragem em comentário a "tinha que haver uma... ". Em resposta, dei a entender que se ela o conhecesse, teria a minha garantia de se divertir com o facto.
Como cavalheiro, jamais recusaria aceder ao pedido de uma senhora, por isso... aqui está ele. Julgo que, com todo o detalhe. Resolvi desenhá-lo e não fotografá-lo porque, sendo branco, e de polipropileno, a sua lavagem per si não o colocaria em condições publicáveis e perderia muito tempo em retoques, agarrado ao Photoshop... e o seu desenho demoraria apenas cinco minutos, como aconteceu...

Comprei-o há uns anos atrás na TomTom... e a história da sua compra tem o seu quê de interessante...
Decidido a comprar uma nova moto, resolvi andar por Lisboa a pé, de loja em loja, durante duas belas tardes de Verão. Foram enormes caminhadas, e com elas aprendi muito sobre a relatividade dos espaços e da realidade em si. Ou seja, a pé, lugares onde se passa habitualmente de carro ou de mota ganham um novo espírito, e suscitam-nos diferentes emoções. É como fazer turismo. Ao fim da tarde, quando chegava a casa tinha a sensação de descoberta de um novo lar, diferente do que tinha deixado de manhã. Luzes, cheiros... cores, é tudo renovado em nós...
No decorrer duma dessas caminhadas comprei três coisas: o candeeiro de chão do atelier, o Toto; o candeeiro de secretária Artemide, e o caixote de lixo, também ele uma peça de design, embora orfâ de nome.

E pronto. Não sei porque carga d'água quis a Coragem ver o meu caixote... mas aqui está ele...

Sábado, 5 de Julho de 2008

ninguém morde um lábio assim...

Il Gattopardo, de Luchino Visconti. Este filme foi um dos mais fantásticos lançado no ano do meu nascimento. Para não pensarem que gosto só de louras... havia-lá-uma-morena...
...Quem morde um lábio assim, excita-me mais que trinta beldades a exibirem, dengosas, o melhor da Victoria's Secret...
Aaah Claudia Cardinale, quando inventarem uma máquina do tempo, não me escapas...
VER COM ECRÂ TOTAL, GRANDE. MENINOS: COMO ELA MORDE AQUELE LÁBIO...

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

tinha que haver uma...

...que me enchesse as medidas. Quando os meus amigos, entre copos, falam de actrizes de sonho, encolho habitualmente os ombros. Quê! não gostas de nenhuma? Isso é estranho... nem da Scarlett Johansson? Não, essa é completamente camera-made, respondo. E da Milla Jovovich? Essa faz-me lembrar o Luc Besson, e mulheres casadas não me excitam. E a Pamela Anderson? Iii...poupem-me. E aquela indiana lindíssima, a Aishwarya Rai? É muito bonita mas abre a boca e adeus encanto... E a Angelina Jolie? Mulheres casadas não me excitam, já disse, lembro-me apenas da excelente profissional que é. E a mulata, a Beyonce? Ui, essa imagino-lhe as coxas à volta do meu pescoço até me fartar, mas sei que me ia fartar... não me perguntem porquê... Então e a Monica Bellucci? Muito parecida de corpo e estilo com alguém que andou comigo durante três anos, vocês conhecem... Ah, ok a... e a Catherine Zeta-Jones?... Sei lá, emana inteligência, mas não haveria química, na certa...
Porra, és um gajo complicado, afinal não gostas de nenhuma? Bem, há uns anos atrás achava graça a uma que nem sequer era muito bonita, a Rosanna Arquette, mas depois...

Agora já sei, porque cada vez que a vejo, como por exemplo no Aeon-Flux, com aquele estilo...huuum. Afinal eu sempre tive uma tara por esta menina, a Charlize Theron. Decanta requinte, inteligência, é loura como eu gosto, extremamente sensual e tem uns olhos que se colariam aos meus... na certa. A culpa é desta inútil e vagabunda memória de lazy cat...

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

o beco das traseiras

Uma televisão americana conduziu uma experiência interessante. Escolheu um fofo gato persa, da estimação de uma simpática senhora, habitante duma vivenda dos subúrbios. Colocou-lhe, bem fixa, na coleira, uma spycam, e soltou-o durante vinte e quatro horas.
Com as gravações de som e de imagem recolhidas, remontou uma versão resumida e passou-a em dvd no ecrã da televisão do lar da dona. As primeiras imagens revelaram a realidade doméstica, bem conhecida, do gatinho muito querido e tratado como um peluche... aí, o sorriso era uma constante na face da simpática e afável senhora.
Contudo, a sua expressão mudou... ao descobrir imagens do quotidiano do seu gato para si desconhecidas, reforçadas pela entrada em cena de lugares para ela desagradavelmente familiares... o beco das traseiras, onde habitualmente se amontoava o lixo em caixotes, e onde outros gatos se ouviam, à noite... uma mata abandonada, cinquenta metros atrás da casa... 
O terror instalou-se no seu rosto, ao assistir, com a câmera a milímetros da acção, à caça selvática de um rato enorme e à sua posterior devoração, por parte do querido peluche instalado a seu lado... Coberta pelo sangue e pêlos do roedor, a lente da câmera apenas registava os sacões das dentadas e rasgões sangrentos que o fofinho cometia...
Em pranto, a senhora sentiu-se traída. Levantou-se de um salto e apesar do esforço dos elementos da estação televisiva que a tentavam acalmar, ela começou a vaguear enlouquecida pelo andar térreo da casa. 
O gato permaneceu impassível.
Foi expulso do lar, minutos depois.

Sim.
Esta história pode servir de metáfora, para muitos afectos...

A importância de se chamar... Abel!

O desafio " PASSA-O-TEXTO-A-OUTRO-BLOGUEIRO-E-NÃO-AO-MESMO", tem o seu regulamento no blogue do ÿpslon - 20 de Maio.
Pretende-se "construir dois textos com alguma coerência, seguindo dois fios condutores lógicos e um estilo livre. O início dos dois textos é o mesmo, mas cada história será escrita por pessoas diferentes, evoluindo assim de forma distinta. Cada texto será composto por 10 parágrafos (ou 10 pedaços de texto) escritos por 10 pessoas que possuam um blogue" (Pinguim).
O "conto" que daqui sair seguinte foi iniciado pelo ÿpslon, continuado pelo voyager, Mário, Zeh, Will, Pinguim, Luís Galego e Jasmimdomeuquintal que teve a gentileza de me passar o desafio...


Aquela manhã de nevoeiro disperso estava a acordar aos poucos. Tal como aqueles olhos que iam abrindo de mansinho, a medo, e ficaram focados na janela gigante que dava para a praceta onde permanecia uma estátua de um qualquer marquês. Pôs-se de joelhos, com as mãos amarradas atrás das costas, e levantou um pouco a cabeça. Torceu todo o corpo para a esquerda e só então conseguiu lembrar-se do que tinha acontecido.
ÿpslon,
http://www.vitaminay.blogspot.com/

As imagens começaram a surgir-lhe na mente como num filme. A viagem até aos arredores da cidade. O prédio já extremamente degradado, vizinho dos sem-abrigo deitados pelo chão, naquela rua apática e sombria. O apartamento do 3º direito e a primeira impressão da Delfina, senhora tão afável e generosa. E a razão que o trouxe ali. Os flashes. Episódios quase surreais que a sua memória queria apagar, mas a sua consciência teimava em fazer virem à tona. Aquela humilde personagem especada à sua frente, franzina e com ar tão agradavelmente maternal, parecia realmente a personificação da solução para os seus problemas e devaneios recentes. Como as aparências iludem…
Voyager,
http://www.life-from-inside.blogspot.com/

O Sol continuava a subir iluminando lentamente a rua ao fundo, a praça, o prédio, a sala, a cara e também a mente de Abel que recuperava o seu equilíbrio e via-se gradualmente livre daquele inebriante zumbido sensorial. À esquerda, no canto escuro da sala, numa poça de vermelho-vivo como pano teatral, revelava-se, subindo na luz matinal, uma cena surreal: Ali jazia a Sra. Delfina, sem roupa nem vida, com um punhal ritual espetado no peito. Abel encontrava-se surpreendido, aterrorizado, abismado, congelado. Ciente do impacto causado, a sádica luz decidiu continuar a torturá-lo e subiu ainda mais um bocado. Na parede branca, da escuridão, a vermelho sangue surgia: "Não te livras de mim assim" por baixo assinava: "Caim"
Mário,
http://www.omeuoutroblog.blogspot.com/

A memória de Abel recua quatro anos num segundo, altura em que pela primeira vez ouvira aquele nome, desenhado pelos lábios de uma atraente rapariga “Caim, espera, estou a chamar-te há horas – não me ouves?” que, não esperando por uma resposta, apressa o passo até o alcançar e o beija com um fervor desconhecido, lábios nos lábios, língua na língua. Abel sente-se desorientado, no presente e há quatro anos, confuso pelo cheiro do sangue espalhado naquela sala e pelo perfume do cabelo daquela rapariga que o trata por um nome que não é o seu. Levantando-se lentamente, apercebe-se das mãos ainda amarradas e observa, com a cabeça a latejar, a sala em que Delfina agora jaz inerte, procura no nevoeiro que é a sua mente memórias que o ajudem a perceber a cena com que se confronta, mas tudo o que recolhe são os já habituais flashes de luz e cor, sensações de raiva e impotência que lhe consomem as energias do corpo e que o forçam a procurar apoio numa das cadeiras que ainda se mantêm em pé por entre confusão que reina na sala. Esgotado, senta-se desconfortável enquanto se apercebe do sangue espalhado pelo próprio corpo e, sem saber identificar se o vermelho é seu ou apenas parte da sala ensanguentada, fecha os olhos e com a escuridão sente regressar novamente o perfume delirante do cabelo e daquele beijo apaixonado, enquanto mãos suaves mas firmes se aproximam por detrás dele, aliviam os nós que lhe amarravam as mãos e, por entre a sensação inebriante que preenche aos poucos os seus pulmões lhe acariciam as costas e o pescoço, por entre beijos lascivos, e lhe segredam aos ouvidos: “Caim, amor… está feito!”.
zeh,
http://www.manualdoserhumano.blogspot.com/

Estas palavras transportam Abel àquele dia de há quatro anos antes. Àquilo que, na altura, lhe pareceu uma incrível coincidência. E depois o efeito envolvente do perfume de Carmen, a forma como aquele aroma lhe abrasava o sangue, a conversa fluente que o arrastou para uma noite que seria a primeira de muitas... As mesmas noites em que foi percebendo que Carmen não era uma mulher vulgar. Na verdade, estava bem longe de o ser...
Will,
http://looking-for-grace.blogspot.com/

E realmente Carmen nunca poderia ser uma mulher qualquer; só uma mulher muito especial o conseguiria levar ali naquela noite e em tantas outras, a ele que pertencia a um “outro mundo”. Talvez daí a confusão entre os dois nomes, Caim e Abel, as duas faces do seu “eu”…E toda a simbologia daquela cena, do sangue, das mãos atadas o fizeram pensar em castigo, castigo por ser diferente…Pinguim,
http://wwwdejanito.blogspot.com/

Um dia, cai ao chão, apodrecido, e sente que ela lhe faz falta. Sensação pavorosa. Sentir a perda de alguém. Olhar à volta e não entender a ausência. Dias partidos um a um. Dói-lhe nas veias. Antes sofrer a raiva e o sarcasmo. A saudade é bastante! Renova a decoração do apartamento e esconde as fotos, mas não. Não adianta. Sente a solidão percorrer-lhe a espinha. Dorme mal, passa metade da noite de olhos abertos, no escuro, como quem começa a exercitar-se para a morte. Horas insuportáveis. Sofreu muito, esteve quase ás portas da morte, ora se sentindo destruído, ora rejuvenescido a seu lado, em cada espasmo junto dela. Mas nem por um só momento arrependido. Sabe que ela não é perfeita…mas com ela aconteceu um Outono dourado, entre lábios e lábios toda a melodia era deles, uma vida em grande, intensa, e um mundo de aparato. Tem que viajar. A belíssima Vila que há tanto ansiava por conhecer, acolhe-o com requinte. Nas brumas dos atalhos por onde anda roçam olhares de enternecimento, que espreitam a sua angústia rouca de viajante nocturno, ou, numa circunspecta provocação, o seduzem, esgares femininos que soltam cirúrgicos recados. À noite, a música ecoa na margem do rio, saboreiam-se canções de cabaret ao abrigo da chama colorida dos candeeiros, o vinho tem travo adocicado, de um verde pálido, como um lago antes da tempestade e há amantes que dançam. Nestes lugares imersos, de toques e archotes, há sempre um banco num recinto, e alguém de conversa delicada. Acorda entre braços de mulheres, desgrenhado, em quartos com vista para a dor. Mas o que é deveras real é que ela partiu sem aviso para um qualquer lugar. Onde procurar? E se a encontrar, o que perguntar?
Luís Galego,
http://infinito-pessoal.blogspot.com/

Na sua dor Abel destruía-se, imaginando-a feliz nos braços de outro homem, dizendo e vivendo com outro aquilo que, no Outono da vida, julgara ser só dele. Não foi por acaso que foi parar àquela vila, como ela lhe dizia muitas vezes “Abel, meu querido, na vida não há coincidências”. Recorda agora como as suas frases e manifestações de uma fé, quase infantil, o faziam sorrir, contudo, por respeito aos seus sentimentos ficava com um ar sério. Mal sabia ele que ela fingia igualmente que acreditava nele; os seus olhos sempre foram mais transparentes que a alma dela.
O que será feito de Cármen? Numa vila junto ao mar ela procurou enganar os dias que compõem os anos. Pensa muitas vezes em Abel “será que alguma vez ele chegará a saber porque partiu?”
Não foi ausência de amor nem o tédio o que a fez fugir, foi acima de tudo o medo, medo de não conseguir preservar algo, que de tão grandioso só poderia ter um fim desastroso. Cármen não tinha palavras para lhe explicar esta sensação, ele era demasiado pragmático para a compreender.
Saberá Abel que Cármen é uma sombra? Perdeu a conta ao número de homens com quem já dormiu, em cada um deles julga encontrar um sinal, um vestígio de Abel. Porém, apercebe-se que se um tem as mãos parecidas com as dele, o acariciar é tão diferente que lhe chega a dar asco; outro até pode ter o olhar tão profundo que sente ver vestígios de Abel, mas ao acordar compreende que não passou de uma ilusão da miopia, do álcool ou da escuridão da noite. A maior dor foi quando encontrou, no bar da margem do rio, enquanto passavam as músicas de cabaret, um homem com uma voz igual à de Abel, tão igual que o sangue se lhe gelou. As palavras que saíram daquela voz foram tão desagradáveis que aquilo só poderia ser sacrilégio.
Continua naquela vila, variando entre o olhar no horizonte, durante o dia, a bebida no bar junto ao rio durante a noite e o acordar com um homem diferente na sua cama. Foram tantos que de manhã apenas se pergunta “o que será que vi de Abel neste homem?”. E pela enésima vez procura no recôndito do seu cérebro a recordação do cheiro de Abel. Esse é insubstituível!
jasmim:
">http://jasmimdomeuquintal.blogspot.com">

Abel bem trocaria, por outro cheiro qualquer, o vento fétido em brasa que lhe lhe esmagava o rosto. Deitado numa poça de pavor, tremia diante do enorme lagarto que lhe retirava, à chicotada, a pele do rosto com a língua afilada que saía colubreante da boca da largura duma gaveta. Só lhe via a cabeça, gigante como uma aparelhagem antiga.
A dor das golpeantes lambidelas foi substituída por mais um shot de terror, ao fixar os assassinos olhos do monstro, que entreabria os beiços de saliva gelatinosa, desvendando uns dentes criados na mente de um fabricante de giletes...
A proximidade do seu fim cerrou-lhe os olhos, mas ao ouvir um violento arrastar de enorme massa pelo poeirento soalho, abre-os, para ver o monstro recuar, urrando de dor aos sacões, como num filme de dinossauros a preto-e-branco. Rodeava-lhe o pescoço uma enorme coleira de fibra de carbono, e era ela que Abel sentia como a causa da tamanha agonia que via possuir o lagarto de três metros e meio que, vários passos já ao longe, se deixava avaliar.
Da sombra saiu um homem, de braço em riste. Tranquilo, calmo e elegante, na mão exibia um controlo remoto. Abel ouviu a voz suave de Caim antes de lhe ver o rosto, imerso ainda na penumbra da sala:
— Coleira electrónica. Todo o cônjuge devia ter uma ...— O lagarto, um Dragão de Comodo, jazia agora imóvel e exaurido, e a sua respiração ameaçadora passou a um pesado cicio aos pés daquele homem que, com o seu requinte, invadia, em contraste, a sala abandonada pelo estuque de décadas.
Com o antebraço, Abel limpou as gotas de suor que lhe dificultavam a visão de Caim, a três metros de si.
Petrificado, de sorriso curto, pela luz de néons longínquos que entravam pela enorme janela, caía-lhe um fato Yohji Yamamoto e pregavam-no ao chão uns Gucci 319, displiscentes, a empoeirarem-se com a película de estuque que flutuava na bruma de néon que a janela exalava. 
Foda-se...porque ficaria sempre o requinte para os vilões?... Lembrou Abel... Os SS foram vestidos por Hugo Boss...
— Sabes porque te encontras colado a esse chão, Abel?... É no que dá navegares no lixo mental que o homem vulgar confude com espírito. E deixaste-te corromper pelo mundo barato das emoções... como por exemplo, esse... amor...
Um sacerdote de Hórus passava atrás de Caim, agora em silêncio. Transportava, de braços dobrados junto ao tronco, uma salva na qual brilhava um punhal. Seguia-o um grupo de gente escura pela sombra no qual uma mulher se debatia amordaçada... Abel, ofegante, jurou reconhecer Delfina.
A osga gigante deixou-se abater por uma uma certa sonolência e o fedor da sala continuou...
 ... violentamente insuportável...
Rocket: http://rocket-slavetotherhythm.blogspot.com/

Quem dará um fim a esta saga será uma bela sereia perdida no meio do Charco Atlântico, a Blueminerva, que nos encanta a nós marinheiros, com as suas pérolas diárias...

Blue... solta...

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

demoncratic

Churchill afirmava que, para questionar a democracia, bastava conversar durante cinco minutos com um eleitor qualquer.
Nos Estados Unidos cinco segundos bastavam...
Conheçam quem elege o homem mais poderoso do planeta...

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

e se este deus não existir?

Para mim, os computadores são como maçãs mágicas. Depois de dar uma trinca numa, continuo às dentadas... até que esta não desaparece...

Falo de computadores pessoais, daqueles que temos ou em casa, numa mesa de trabalho em qualquer sítio. Os outros são pequenas abóboras, filhas das enormes abóboras dos anos sessenta, que ocupavam uma sala. Quem os criou não acreditava em magia, por isso nunca se preocupou em transformar as pesadas abóboras numa leve carruagem puxada por belos corcéis que nos pode levar a qualquer maravilhoso lado, como o é um Apple Macintosh.
Apenas diminuiram o tamanho dos bichos. E claro está, copiaram, e mal, o conceito do Mac para a vergonha não ser tão nítida.
Um computador é a ferramenta que mais aproxima o sapiens de um estatuto divino. Torna-o omnipresente, omnisciente e omnipotente. Contudo, um deus do Pc é um deus em dificuldades. Lida com um sistema pesado, complicado, com um manual de instruções obrigatório, e sobretudo uma interface doente. Atreita a constipações frequentes, vírus...
Mas, fenómeno interessante, graças ao marketing do sr. Bill Gates, o deus do Pc convence-se que é o único, que o mundo é monoteísta e que ele é o adorado... Allahu Akbar...

Fiz revistas de informática durante vários anos, e trabalhava com macs, sempre trabalhei. Por ironia, as revistas dedicavam-se ao mercado Pc, e os assuntos eram, obviamente as últimas novidades para Pc's...Nomeadamente os sistemas operativos, os famosos Windows.
Cada vez que era lançado um, mandava-me para o chão a rir agarrado à barriga... ria-me até me doerem os músculos do rosto. Chorava a gargalhar...
É que, para um utilizador de Mac e de qualquer plataforma OS, a versão do Windows lançada a seguir era uma cópia retocada, primitiva e colada com cuspo de uma qualquer interface Macintosh lançada seis anos antes...

...Mas não era isso que me fazia rir...

As lágrimas caíam-me pela face porque toda a humanidade era convencida de que o Windows era o único deus, e Bill Gates o seu profeta. E sei que assim era porque contribuía para isso, com as revistas e jornais de informática que fazia.

Acredito que muitos de vós nunca tenham utilizado um Mac.
Não só experimentar... utilizar, mesmo.
É como se o vosso mundo informático avançasse dez anos...
Mas isso não tem relevância absolutamente alguma, porque para a maior parte do mundo, excepto nos Estados Unidos, as abóboras criadas pela IBM, que enriqueceram algumas das maiores fortunas, como a do profeta Bill Gates ou o dono da Dell, são o que o homem comum reconhece como computador... que nunca tocou numa maçã...

Nunca utilizei Unix. Só conheço Mac's e Pc's. Cada vez que utilizo um Pc mordo os lábios, e como trabalho com um todos os dias fora do meu atelier, sei do que falo.
Como utilizador de Mac num mundo de Pc's, sinto-me numa aldeia primitiva da Polinésia onde se adora um deus do vulcão...

E se este deus não existir?
Não vou ser eu a informar os aldeões...

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

ricos por três dias

Sábado à noite tive a noção de viver num país de milionários. Não se conseguia estacionar o carro em lado nenhum, não se conseguia chegar a nenhum tampo de balcão e toda a gente vivia na pele a realidade de um árbitro dos emirados, ao exibir o cartão dourado a empregados brasileiros... porque português agora é rico e não serve ao balcão... A vida são dois dias, e com o subsídio...três.

...coisas de fim do mês...

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Domingo, 29 de Junho de 2008

nem tudo é mau, no aquecimento globau...

...a água, no mar, tem estado uma maravilha...

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

mesa em perigo

A minha cria pertence ao Greenpeace. Entre outras coisas, fiquei a saber que o tamboril é uma espécie ameaçada.

Qualquer dia fico sem ingredientes para os meus pratos...
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Perfeitinhos

Se eu tivesse nascido em Esparta, minutos após ter vindo ao mundo estaria despedaçado no fundo dum penhasco. O Silvester Stallone também. Tanto eu como ele nascemos com raquitismo. O Stephen Hawking, esse, poderia nem sequer passar do terreiro da casa onde nasceu. Seria esmagado ali mesmo, contra uma parede, e depois atirado aos cães. Sofre de esclerose lateral amiotrófica. Na Alemanha dos anos trinta, ele até teria sobrevivido, mas apenas inté o momento de existir uma vaga para ele entrar para um vagão com destino a Dachau...
Há dois anos uma amiga relatou-me o seguinte: Uma outra amiga sua, que eu não conhecia, tinha vários gatos e um deles estava a sofrer uma marcação violenta por parte dos outros. As feridas eram mais que muitas e ela não conseguia protegê-lo. Sofria o equivalente felino da trissomia 21...

Esparta era uma sociedade guerreira e não podia esperar dezoito anos para chegar à conclusão que, graças a uma vontade férrea de se ultrapassar, o Stallone se tornaria quase um sex-symbol e um ícone dos action man (que é termo com que já me mimaram à laia de velado insulto...). Em Esparta, a comida era pouca e a gestão de material de combate (homens) e fábricas do mesmo (mulheres) era uma prioridade. Andavam sempre em guerra.
A Alemanha de Hitler queria seguir o exemplo espartano e alargá-lo a toda a actividade humana da sociedade. Pretendia-se que a raça ariana fosse uma raça conquistadora de territórios e de riquezas, a herrenvolk, que subjugaria pela força todas as outras.
Deixo para outro tópico uma reflexão sobre racional-irracional, porque quero escrever, mesmo, sobre isto. E quando escrevo escrever, é o acto de pegar na vassoura... contudo, convém analisar o que motiva os gatos e outros animais a ostracizarem violentamente os menos válidos, quer atacando-os, quer desprotegendo-os, de forma a colocá-los à frente de outros predadores e assim poupar os mais capazes de perpetuar os bons genes da espécie...

Qual é a diferença entre a nossa sociedade e os exemplos referidos?
Pelos vistos... nenhuma, se nós deixarmos...
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Era o verão de oitenta e dois, mas na altura eu não pensava nisso.

Ela segurava a foto com uma suave firmeza. Sorria enlevada com aquele pedaço de papel, por entre o caos das fatias de cabelo claro. Amava a imagem do homem que segurava por entre os dedos através do cheiro a sexo que submergia o quarto. Naquela foto, iluminada pela tarde que ela devorou com o meu corpo, ele aparecia a vestir, sorridente, uma farda do exército suíço na caserna onde atrás apareciam os camaradas recortados pelos cantos da imagem e pela dentada do flash.
Pousou a foto, de costas, na mesa ao lado da cama de tecidos de ondas revoltas que nada tinham que ver com o mar liso que me entrava pela varanda enquanto a penetrava depois dela abrir, uma vez mais, os braços e o corpo.
O mundo encontrava-se calmo, como aquele horizonte azul. As pessoas navegavam nele como os longíquos barcos que se deslocavam imóveis.

Era o verão de oitenta e dois, mas na altura eu não pensava nisso.
Era apenas um puto de dezanove anos à descoberta de tudo.

Dias antes, pela mesma hora, dentro dum carro no poeirento terreiro que servia de estacionamento, com a Bebé... 
O calor era insuportável em Vilamoura, às quatro da tarde. Contudo, as janelas mantiveram-se fechadas até derretermos os dois.
Encharcado, apareci a seguir à frente dos meus amigos, na marina. Vermelhos, explodiam em adrenalina. Respiravam às golfadas enchendo muito o peito. Onde estavas tu? Precisámos de ti. Um gajo de bicicleta foi contra mim, e deu caldeirada, ali debaixo das arcadas. Eram mais que nós.
O André já não me falava há dias. Era com ele que tinha vindo acampar. Só fiquei uma noite na tenda, a primeira. Sentiu-se sem companhia e chamava-me devasso... coisas dessas. Mas abriu a boca para comentar a minha resposta com algo parecido com é sempre a mesma merda enquanto via os barcos, de olhos semicerrados... Só eu e o Fernando é que usávamos óculos escuros.
Eu, sobretudo, vítima da fotofobia de quem apenas usava a praia e a piscina para dormir, que as noites não eram para isso.
Essas começavam como meu regresso dos lençóis. Se não tinha jantado, lá repetíamos o nosso golpe, quase sempre nos mesmos sítios, atentos à mudança de turnos: depois de comer, sair, descontraidamente com os mesmos trocos que tínhamos no bolso. Na altura não havia multibanco...
A seguir, a discoteca mais chunga de Vilamoura. Qual Summertime, qual Kiss... mal chegávamos a esses sítios queríamos logo voltar para a Zebra. A savana era connosco... divertíamo-nos e cantávamos discalhada como esta...
À saída, as cadeiras e mesas de plástico dos aldeamentos... tudo para a piscina. Isso e as outras pequenas maldades...
De resto...como era possível a vertigem de envolvimentos em simultâneo numa noite de verão, com dezanove anos... como é o sexo tão belo, quando os lençóis que nos cobrem são os farrapos macios do mar cálido da madrugada de uma praia vazia... e o que se ouve é o tapete de água a alisar a areia...
E os cheiros... e a pele...as penugens...os cabelos...os sabores...os sussurros...os olhares. Todas poucos anos mais velhas que eu, o suposto aprendiz...

Um dia tentei fazer as pazes com o André. Eu iria dormir ao parque de campismo. Não lhe contei os pormenores: o facto da Veronique e da Françoise virem comigo para uma tenda que compraram só para aquela noite. Nunca tinham acampado e era uma variação engraçada ao apartamento.
O André continuou amuado.
A Françoise era casada com um grego, dono de um restaurante em Paris. Ela era chefe de compras da Fnac Paris e encheu-me, por correio, as poucas estantes que eu tinha com livros do Moebius. Ainda os tenho. A sua paixão distante durou meses.

Nesse verão nunca estive intimamente com nenhuma bifa. Francesas, belgas, portuguesas, suíças, suecas, portuguesas, norueguesas, espanholas, portuguesas, holandesas...mas... bifas, só as que via muito brancas, ao longe. Não me agradava o tom de pele, o sotaque rasca e deixava-as para o zezé camarinha.

Os amigos dessa altura mantiveram-se para a vida.
Um deles, na foto, já não se encontra entre nós, com muita mágoa nossa.

kiss me

Sexo puro e duro.
É só do que se fala, e do que se escreve.
Quando ouvia isto, conhecia lá o sabor
de um bom beijo... é muito bom.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

...obrigado.

Por terem correspondido ao meu apelo em "façam-me um favor...", a meio da tarde recebi duas propostas por telefone, quase em simultâneo, das nossas duas principais federações de futebol. Tratava-se do convite para assumir a Direcção de Marketing e Protocolo das mesmas. Como só podia aceitar uma, decidi-me pela mais prestigiada... a de Matraquilhos.

Domingo, 22 de Junho de 2008

país de machos...

Há muitos anos atrás, ao entrar num táxi, um amigo meu ficou satisfeito ao ouvir esta música, sintonizada no auto-rádio de cartucho. Após um minuto e meio a acompanhá-la mentalmente, viu o taxista a mudar bruscamente de posto, com um movimento enérgico do pulso.
— Música de paneleiros... — ouviu, em jeito de desculpa, enquanto uma pimbalhada escorria pelas fanhosas colunas...

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

façam-me um favor...

Não vos pediria isto se não fosse importante.

Pessoal, segunda-feira de manhã, pelas oito horas, esperam-me numa empresa que fica ali no quarteirão em frente. Vou cumprir uma colaboração mensal que dura entre duas e três semanas. Assim, às sete e cinquenta e dois encontrar-me-ei a sair pela porta do meu prédio, para depois, tranquilamente atravessar uma estrada, chegar a um passeio e esperar pelo sinal verde para peões, atravessar outra estrada e repetir o processo até chegar ao passeio da Miguel Bombarda. Aí, após trinta metros de caminhada, vou entrar num prédio, cumprimentar o porteiro e apanhar o elevador para o terceiro andar...

Sendo assim, peço-vos:

Não me venham esperar à porta do meu prédio. Aviso-os com objectivo de tornar ilegal qualquer situação do género. Quem me vier esperar e empatar o trânsito, sofre as penalidades previstas na lei referentes a aglomerações ilegais sem pré-aviso às entidades competentes.

Não me acompanhem de carro, moto ou a pé, durante o percurso descrito. Contribuem para a poluição, engarrafamentos de trânsito, mal-estar dos utentes da Cinco de Outubro... enfim, já não bastasse ser uma segunda-feira... além disso... quem me acompanhar de carro, moto ou a pé, durante o percurso descrito, sofre as penalidades previstas na lei referentes a aglomerações ilegais sem pré-aviso às entidades competentes.

Não me empurrem! Tenho uma energia super positiva, a sério. A minha deslocação pedestre é não-poluente, tenho um passo decidido, sou saudável e detesto que me toquem na rua numa segunda-feira de manhã. Além disso, como sabem, não pego de empurrão.

Não forcem a entrada no prédio onde vou prestar a minha colaboração. Um porteiro não é barreira para uma multidão. Haverá gente que queira entrar no edifício de escritórios para começar a sua semana de trabalho. Não os impeçam com aglomerações... além disso, o porteiro pegará automaticamente no telefone para chamar as entidades competentes que fazem cumprir a lei relativa a aglomerações ilegais, fazendo sofrer as penalidades previstas na mesma.

Não andem por aí com cópias da minha roupa. Tenho um estilo exclusivo que quero manter como tal.
Não coloquem bandeiras com qualquer elemento gráfico deste blogue, com a minha foto, ou até com a minha silhueta. Aos muçulmanos fundamentalistas peço o seguinte: não exibam citações escritas cuja génese a mim se refere em qualquer tipo de caligrafia artística.

Durante o fim-de-semana, nem pensem em ocupar o horário nobre das tv's nacionais com reportagens referentes à minha pessoa, directos nas praias onde estarei e invasão de privacidade das pessoas que me acompanharem. Não quero carrinhas de reportagem na minha rua. Não quero apresentadores a baterem-me à minha porta, nem à dos meus vizinhos. Se alguém assustar os meus gatos, está fodido. Não tenho nenhum compromisso comercial com nenhuma gasolineira e com nenhum banco, sendo assim, se aparecer algum anúncio onde eu for mencionado, eu mesmo trato do ataque legal.
O mesmo se aplica para as rádios, jornais diários e suplementos.

Segunda-feira não vou ficar lá o dia todo. À tarde desloco-me para outro lado, para fora de Lisboa ( ... nem pensem!)
De manhã, quando estiver a trabalhar, se por acaso, devido a alguma distracção de quem abre a porta da empresa onde colaboro, alguém entrar... que não pense em ficar a observar-me enquanto trabalho. Não me agrada assistência enquanto produzo. Contudo, posso estar tão absorto que não me dê conta da presença de alguém. Se assim for... silêncio absoluto. Nem um único som. Eu sei que a minha actividade se presta a mandar uns palpites, uns bitaites, mas não vos aconselho. Possuo um olhar fulminante...

Durante a colaboração referida, que pode ir até três semanas, Não quero ver uma única capa de revista com a minha foto, ou o meu nome, ou alguma menção à minha pessoa, à minha vida privada, ao meu passado, ao meu futuro, ou a alguém das minhas relações.

Não publiquem reportagens, não promovam debates, não mediatizem esta minha colaboração. Sei que a mesma é do interesse público, mas acreditem que é melhor assim...

Peço-vos isto tudo pelo seguinte:

O meu ramo de actividade atravessa uma crise profunda.
Qualquer avença, colaboração ou similar é extremamente importante para as partes envolvidas.
Se não cumprirem tudo o que vos peço, o resultado será este:
Garanto a qualidade da minha prestação em cinquenta por cento do total de trabalho envolvido, mas com a ingerência externa, que tento evitar, os restantes cinquenta por cento não conseguirei levar a bom termo.

Não necessito de apoio popular para fazer um bom trabalho. Nem de mediatização. Nem de slogans. Nem de campanhas. Nem de histeria colectiva.
Não necessito que parem um país por minha causa, por causa do meu trabalho.

Necessito apenas dum cheque ou de uma transferência bancária... como qualquer profissional.

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

energia positiva...

Telefonema:
— Rocket, passei lá no teu blogue e reparei
numa palavra dum comentário...galpar...
...tem a ver com a Galp?

zoofilia

Um urso formigueiro encontrou um Cão Lobo. O Urso Formigueiro perguntou-lhe:
- Olha lá, porque é que te chamas Cão Lobo?
- Porque a minha mãe é uma loba e o meu pai é um cão.
- E tu como te chamas?
- Urso Formigueiro.
- Estás a brincar comigo, não?

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

minimalismo // barroco

minimalismo // barroco

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Saltadores de Séculos Perdidos

É grave. Hoje não queria acreditar no que via e ouvia...

Está científicamente provado que o ser humano crê mais fácilmente num boato que em algo que assista mas que vá contra todos os fundamentos da sua realidade.
Tinha-me acontecido duas vezes, ao longo da minha vida.
Com esta são três.

Uma, de tão inacreditável, a minha memória quase a apagou... não por completo, porque vagamente me lembro duma gaja, que eu nunca tinha visto à frente, numa fila de pagamento do totoloto a declarar-se-me como se tivesse descoberto um príncipe ou o raio que parta...mas como aquilo foi ali para a Avenida do Brasil não liguei... ao ligar o evento à geografia...

A outra tem o seu quê de divertido: há alguns anos atrás, ia a uma churrasqueira cujos donos eram um casal já entradote, pelos sessenta e tais, que trabalhavam com as três filhas, no meio do fumo dos frangos, do sal, dos estalidos do carvão e dos chhh da água a apagar as chamas que iam brotando no meio da frangalhada... Resolveram pois partilhar, em voz alta, as memórias das suas proezas sexuais de juventude no meio dos sorrisos das filhas e dos olhares de incredulidade de quem se encontrava por lá na imensa fila que se comprimia contra o balcão..." E quando te esqueceste da marmita e ta fui levar a meio das escadas? Foi ali mesmo, com uma perna em cima do corrimão... que maravilha, aquilo eram duas e três vezes por dia, se não mais...agora...enfim..."

Quanto à terceira, a de hoje...
Pela tarde ouvi, da boca dum administrador de empresa de comunicação social, algo do género:
"Arte? Se calhar refere-se ao Dali e às parvoíces com que ele enchia os seus quadros... ou a picassos, van gogues e aos outros que tais, que aquilo eram só disparates, o que faziam...E vejo isso assim porque sou uma pessoa... normal..."

Para quem não tem jeito para datas, como eu, dou uma ajuda: Vicent van Gogh faleceu em 1890, Picasso em 1973, e Salvador Dali em 1989. Um no século dezanove, os outros dois no século vinte...

É claro que a coisa não ficou por ali, é que eu... gosto de ajudar e sou um pouquinho...zeloso.
Trata-se de comunicação social né? As crianças vêm... e um dia serão adultos...normais.
A pessoa em questão é por mim deveras estimada e não tem culpa de se encontrar mergulhado na cultura de uma sociedade que ainda não chegou ao século vinte... e sinceramente, olhando para o nosso universo cultural, para as televisões e para o que se promove, começo a acreditar que...

... vamos saltar mais um século...

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Domingo, 15 de Junho de 2008

a sensible fellow // charles bukowski

Sábado, 14 de Junho de 2008

ecrãs gigantes

Tendo a França perdido com a Holanda por quatro a um, o realizador da transmissão televisiva resolveu, após o término, explorar o que de mais interessante acontecia no campo: o desalento francês.
Assim, começaram a aparecer, em paralelo com os tristes jogadores franceses vestidos de laranja ao terem trocado de camisola com os eufóricos holandeses, imagens de pessoas de azul cobertas de cachecóis, bandeiras, pintadas com garridas cores de guerra. Autênticas telas vivas num atroz contraste, ao exibir o mais miserável dos semblantes, ostentando um desânimo de fazer chorar as pedras (que eu sei que não somos...)...
Uns enfiavam a cara nos braços.
Outros depositavam longe o seu olhar quebrado e perdido...

E então... um milagre acontecia.

Aquelas madalenas a quem parecia ter falecido metade da família, de repente (sim, de repente!) Detonavam, aos saltos, numa explosão de alegria eufórica, acenando e esbracejando, fazendo saltar os cachecóis e a cor, abrindo muitos os olhos...
...Se me tivesse saído o euromilhões, eu, decerto, em privado e em silêncio, ficaria assim...

Tinham-se visto no ecrã gigante do estádio, e tão contentes com isso, agiram como se tivessem ganho o mundo...

...

Horas antes eu tinha ido às compras a um centro comercial na linha, ao supermercado. O amigo que me acompanhava desviou-nos do percurso para comprar tabaco e passámos por um stand no meio do shopping, onde com um design festivo, a palavra CASTINGS, aparecia pintada com brilhos, rodeada de estrelas, nos painéis da frente. Nos de trás, encontrava-se uma galeria de fotos de crianças, cada qual com a sua enorme estrela a acompanhar...não olhei com uma atenção de minúcia, mas, ao longe, pareciam-me crianças vulgares...
Uma amiga tinha-me contado que levara a filha a um casting e que no fim a informaram que as hipóteses da cria ser chamada para os altos voos que a levaram ali aumentariam exponecialmente duma forma brutal se a filha se inscrevesse num dos cursos que eles facultavam e que em seguida minuciaram sem deixar referir timidamente, e por último, os quatrocentos e tal euros do seu custo...
A minha filha também foi a um casting, embora limitado, para um filme de um realizador português. Tendo contactado na altura com figurantes e actores de segundo plano, ela ficou e transmitiu uma ideia de como as coisas decorreriam a um nível efectivo. Embora eu já soubesse. Aos vinte anos, também fui a um, e depois chamaram-me para o filme. Aí interpretei o papel de um membro da assistência de uma gala de entrega de prémios, de um polícia e até disse umas linhas como gangster...
Nunca mais repeti, mas foi engraçado, há vinte e tal anos atrás.
Dias antes, li, na Dica da Semana, uma entrevista com a mais recente girls band que a série dos Morangos lançou para o mercado de cérebros cansados. Lá elas minuciaram todo o processo de selecção e fiquei genuínamente impressionado como número de raparigas que concorreu. Era absurdo...
Ao longo da vida já tinha conhecido várias candidatas a misses. Quando andavam comigo eram apenas miúdas giras, mas um ou dois anos depois, quando as encontrava em qualquer lado, era com um tímido aceno com que nos cumprimentávamos, não fosse a plebe que as cercava aperceber-se da minha presença. Mas essas eram as que venciam. Havia outras, que eu com caridade ouvia os seus anseios de se passearem em fato de banho no casino a segurarem um molho de hortaliça... embora com muito boa vontade, o sítio mais prestigiado onde eu as imaginava a desfilarem era onde se encontravam, o chão do meu quarto...
Este país é um dos mais pessimistas que conheço. Talvez o mais, até. Contudo, sinto uma reviravolta no ânimo desta gente. A equipa que discute agora o Euro, independentemente do resultado, é um alimento para o nosso ego. Coloca-nos nos píncaros, enquanto andar a ganhar, e até depois...
As revistas de maior consumo são as em que aparecem as pessoas do brilho das luzes, da carreira artística, dos futebóis. Se eu quiser ser conhecido de um dia para o outro, basta sacar uma atriz de telenovela, e esperar os flashes. Lá no meu ginásio há várias, e por sorte, nenhuma é a mais bonita que para ali anda...

O sonho com a notoriedade é a nova droga e há quem pague por isso quatrocentos euros, o que dá para alguns jeitosos pacotinhos de coca ou um abastecimento de cavalo para um bom tempo. Para quem fuma charros, resolvia-lhe o problema para muitos meses...
Há quem pague mais até, em favores e em sacrifício dos estudos e dum futuro mais seguro.
As pessoas atropelam-se para aparecer. E mesmo estando fora do prazo, ainda possuem o seu maior trunfo, a sua maior vingança: os filhos.
É claro que existem crianças e adolescentes lindos (como é o caso da filha da amiga que referi) e a primeira coisa em que pensamos quando os vemos é na sua entrada num anúncio de algo. Mas não é desses que falo. É daqueles que são lindos só para os seus pais, como os que vi naqueles painéis...

Consultem as estatísticas. Estudem os números referentes à venda de ansiolíticos e antidepressivos. Com todas as crises, e pior, com o leque de falta de soluções que gentilmente nos disponibiliza quem nos governa, só vejo uma saída, inspirado no final do jogo entre a Holanda e a França, e noutros:

Coloquem câmeras em todas as ruas, e, no fim das mesmas...

...ecrãs gigantes...

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

sardinhas japonesas

Click!» eh eh

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

sardinhas alemãs

Tenho um amigo alemão que, há uns anos atrás, comprou um restaurante com jardim ali para as bandas do Castelo.
Por altura do Santo António, informado do carácter churrasqueiro da enorme festa popular, foi às compras ao hipermercado, e trouxe quase uma tonelada de sardinhas...

...alemãs.

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Bronze II

Adormeci, ao sol, à beira da piscina...quem deitou soporífero no meu copo? Vingativos...