domingo, 19 de outubro de 2008

aproveitem para esticar as pernas...

...ou fumar um cigarrinho.

Durante uns tempos preciso deste gajo. Por isso, o gajo durante uns tempos não bloga. Sorry, blogocoisa, amigas e amigos que recheiam a mesma. Quando voltar, será para lhe darem os parabéns. Isto, porque a magnitude daquilo onde o gajo se encontra metido é algo do além... Termos de comparação? Ok: julgo que em Portugal a última vez que se fez... foi a mesmo a última. Aqui é a primeira. E sou eu que a faço! Uauuu!!!
Sou capaz, mas as vossas energias positivas e o vosso afecto serão benvindos. Quando a obra se encontrar concluída, tudo o que contribuiu para a mesma pode reclamar um orgulhoso pedaço.

love you all

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

detesto MESMO ter razão

Portugal é o país da Europa onde mais se trabalha e menos se produz. Sabem porquê? Porque se desconhece o segredo do trabalho em equipa. Em Portugal não se trabalha em equipa, trabalha-se em turba. E sabem porquê? Porque se desconhece o segredo da liderança. E sabem qual é? Liderar é a capacidade de transformar a visão em realidade.
Scolari referia-se aos jogadores da selecção, dum país que não era o dele, como... ''os meus meninos''. Como eu o compreendo...
Era um líder.
Contaram-me aqui que quando o Cristiano Ronaldo se referiu ao seu treinador, disse algo do género...''aqui o Carlos...''
Acho que isto explica tudo.

O país está uma merda. E sabem porquê? Porque quem o supostamente lidera não tem um objectivo à dimensão de um povo. Não procura a grandeza. Procura apenas reduzir o défice. É esse o mísero objectivo de José Sócrates. E para o cumprir, ataca um povo que não produz riqueza, metendo a mão no bolso do mesmo tirando-lhe o pouco que tem, quando o seu primordial objectivo deveria ser gerar situações criadoras de riqueza, para depois a colher...
Ouvi alguém afirmar que Portugal poderia estar ali a noite toda e nunca marcaria um golo. Eu também acho, só que não se trata da noite toda, trata-se de gerações inteiras, ad continuum, a tentar marcar um golo.
Com líderes destes, nunca o conseguirão. Scolari não era um melhor técnico, era apenas um melhor homem. Ou pelo menos era isso que transmitia...pois seguiam-no. Sócrates não é seguido, é apenas um mal menor. Será que é isto que merecemos?
Num país sem um projecto, a arrastar-se miserávelmente na cauda de tudo, havia porém algo que ainda lhe dava algum alento. Eram aqueles miúdos. A que alguém devia ter considerado entretanto como ''os seus meninos''. Mas isso não aconteceu.
Não chamem nomes aos rapazes, Não mencionem os seus ordenados milionários. O futebol é um desporto de equipa. E uma equipa tem de ter alguém que a lidere. Que a faça acreditar. Que a informe inequivocamente que é melhor que as outras.

Estou a pensar seriamente em depositar os meus ganhos em qualquer outro sítio que não Portugal, lugar tornado miserável. Lamento que isto vos possa soar demasiado violento, mas para quem realmente o vê de fora... é o que sente.

Detesto MESMO ter razão.

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

express yourself

Num certo dia a professora chega e pede ao Joãozinho:
- Joãozinho, diga-me um verso em rima!
- Hum... a Madonna é uma cantora que tem pintelhos na c*na. A professora muito indignada repreende-o dizendo:
- JOÃZINHO ISSO NÃO SE DIZ!!
- Pronto stôra! A madonna é uma cantora que tem pintelhos na ameixa
- Joãozinho, isso não rima!
- Ok stôra, então é assim: a Madonna, é uma cantora que tem, pintelhos na ameixa, mas eu não digo c*na, porque a professora não deixa.

domingo, 12 de outubro de 2008

cano dá cana

Uns gajos em Nova Iorque andavam na marosca a roubar fémures, substituindo-os por canos.
Foram de cana...
Do processo mediático despoletado por este acontecimento retive o seguinte: Um corpo humano, vendido em partes, vale tanto como um apartamento no centro de Lisboa.

sábado, 11 de outubro de 2008

sul

Acordo para mais uma sexta-feira. As cortinas do quarto cumprem: ao esbater a claridade, falam dum dia menos luminoso que o que encontro mal as afasto... mentem, porque quero. Ainda meio a dormir, visto uns calções, calço uns nike e vou por aí a desenrolar os phones schnneizer que irão bombar Daft Punk na minha corrente sanguínea e dar o ritmo à minha corrida em Talatona, um futuro Tagus Park daqui, só que umas vinte vezes maior...
Chego a casa trinta encharcados minutos depois e faço quarenta flexões no meu quarto. Lembro-me do Covey: ''Se não conseguires fazer as tuas cinquenta flexões não conseguirás que a tua equipa faça as suas vinte''. No problem, Covey, faço as que quiseres e a minha equipa segue-me até ao inferno, a encher, com um sorriso nos lábios.
E é esse o desempenho da mesma durante mais um dia de trabalho.
Um deles, no princípio, perguntou-me se seria possível irem a Lisboa ter um período de formação, o que no caso dele queria dizer... ver gajas. Respondi-lhe, metálico, que comigo iria ter a melhor formação, com um nível que nunca encontraria em Lisboa. Agora eles próprios recordam a conversa, gratos. Deixa estar, Gajas, há-as por cá. Mas eu não lhes ligo nenhuma, por enquanto. A minha missão é prioritária. Sinto-me como um monje guerreiro. E ficou lá alguém que me espera. Eu continuo também eu à espera, embora me veja por aqui durante muito tempo.

Estou farto de ser europeu.
Uma condição que ganhou um novo significado, para mim.
Um ser urbano, decerto. Culto, sem dúvida. Mas alguém a quem retiraram a natureza. A única que lhe resta é a sua, na qual chafurda. Um ser sem árvores, planícies, bandos de patos selvagens. Resta-lhe apenas o prado seco da sua alma. O meu weblog é disso exemplo...
teria Hegel vivido dias tão intensos como estes meus de agora?

Só a viagem de mota até à Casa me secou a transpiração que mapeava a camisa. Nem o banho, nem o ar condicionado conseguiram travar o suor que a minha corrida me soltou dos poros.
Todos chegam de jipe. Eu chego todos os dias ao trabalho de peito aberto e cabelos colados. Pelo vento.

Sou o último a sair, a uma sexta-feira...Muito trabalho, pois. Sou interrompido, no fim do dia, por dois gajos que entram por ali, no andar de baixo, um deles é o guarda, de kalash carcomida a tiracolo. O outro vem lá procurar trabalho e sente-se aborrecido por ninguém estar lá para o receber ou algo do género, a exibir mau feitio. Com um sorriso amarelo continuo o meu trabalho, até ser interrompido de novo. Desço, sem sorriso algum, com ar de levar gajos e kalashnikovs, tudo à frente. ''Era só para dizer que o assunto está resolvido, chefe. Tudo fixe...''.
Saio. Às seis da tarde em Luanda é Noite. E já passaram duas horas. Está um calor magnífico, esbatido pelo vento que me molha a cara durante a viagem de mota até casa, onde chego, e saio, sessenta minutos depois. Ainda tenho tempo para manter uma conversa com uma amiga especial e dar-me conta no reader pelos títulos dos blogs que longe, muito, muito longe existem gripes e outonos e crises e o raio que parta isso tudo... Caramba, um gajo para se deprimir tem de ir à Europa...aqui é impossível!

Chego à Ilha dos contrastes, a Ilha de Luanda. Topos-de-gama passam numa estrada esburacada, separada por blocos de betão cravados pelo vértice inferior e assim assentes, oferecendo os outros cinco aos pneus que os rasam... Uma voz feminina dentro do carro fala dos professores de ginástica soviéticos enquanto um jipe Lincoln Navigator gigantesco esmaga a estrada que ficou para trás. Putos saem disparados de cruzamentos com as scooters em cavalinho. Estaciona-se o carro num local impensável em Lisboa, onde cabem menos. Aqui o pessoal adapta-se a tudo, e os carros ajeitam-se aos espaços diminutos.
Está muito calor. Mas bom.
O longo estrado de madeira do Chillout, assente na idílica praia, funciona como um espectáculo ao contrário: encontramo-nos no palco e a acção encontra-se à frente, no Oceano repleto de navios em fila interminável. Nunca se viu nada assim. Ficam ali dois meses, cada um, à espera da sua vez de entrar no porto. Um outro está na calha para ser construído, e aquela fila será uma longínqua lembrança. Mais uns quatro anos e Angola fará o mesmo que todos os países anteriormente roubados pelo ocidente estão agora a fazer: a comprá-lo aos pedaços...
São países como este que, mal ou bem, representam o futuro do planeta, agora falido pela lógica da gravata que dos pescoços passou para a economia... A verdade vem sempre ao de cima, e este dinheiro que andava por aí era mentira.

A minha amiga vai descrevendo as características das angolanas que estiveram na europa e as que são de cá, em maneira de exposição de manual de engate a quem chega. Eu sorrio, ele é muito mais bonita que qualquer uma delas, mas proibida. Todas o são, para mim. Não quero saber. Estou cá para trabalhar, gajas nunca me faltaram, nem em Lisboa nem em lado nenhum. Neste momento seria um problema a mais, em troca de momentos de prazer.
Tenho a sorte de poder escolher os meus problemas, vou continuar a gozá-la. É uma sorte impagável e magnífica, esta que vem no pack de renascimento, não vos passa pela cabeça...

Os gajos são uma tristeza. Escolhidos a dedo pelo seu aspecto medíocre de gringos barrigudos de rua de Bangcok.
Mas encontram-se pessoas elegantes. Angolanas sobretudo. É uma vergonha para os estrangeiros presentes, a sua elegância.
E a música é excelente... very becoming com todo o resto. O calor, os sorrisos, o ar livre... Angola é um país ao ar livre. Cheio de espaços convidativos a uma viagem.
Danço. Muito mesmo. Já não me lembrava de dançar assim. Ao observar quem comigo dança recordo-me dum pormenor: será que todos se apercebem que pela forma de dançar se vê como se fornica? Contenho-me um pouco, a sorrir... Vou desvendando segredos, ano após ano, desta poça que chamamos vida.
Todos bebem, menos eu, que mantenho a minha frescura e lucidez. Vou saboreando o calor, a beleza das mulheres, de bela cabeleira gigante que se esfuma em penugem escura, que dançam em contraluz. Olho para o céu estrelado e vejo constelações desconhecidas. Estarei noutro planeta?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Praia

Pois. E protector solar, por aqui? Pode ser factor 8, que sou moreninho. Embora não tanto como a malta destas quietudes... : )

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quero beber da tua água...

....Foi o que ouvi. Quem o proferiu foi um dos membros da minha equipa, quando estratégicamente, lhe indiquei o meu adjunto para lhe tirar uma dúvida.
Esta gente quer mesmo aprender.
Cada dia de formação é acompanhado por mim atentamente, enquanto preparo a minha, bem grande, parte da estrutura de um dos maiores órgãos de comunicação social do continete africano.
Intervenho em alturas-chave, quando sinto que existe uma quebra de ritmo devido ao cansaço, ou quando tenho realmente algo a acrescentar.
E estou mesmo satisfeito.
Peguei numa equipa que se encontrava impreparada, abandonada e desmotivada pelos sucessivos atrasos do projecto e consegui transmitir-lhes a minha garra, visão e aquilo que os líderes a brincar temem ceder: conhecimento. Quero que eles saibam tudo. Quero-os bons. E, dia-a-dia, sinto a melhoria. E o entusiasmo, esse, nem falar.
Encontro-me em África, sim. Mas... não se iludam, estive à frente de várias poules, e esta, técnicamente, não fica a dever muito a algumas daí. Mostraram logo qualidades. A grande diferença é que aqui as pessoas comportam-se como a vegetação: querem crescer.
Leio o drama que é ser professor e formador em Portugal... Que diferença... aqui, adultos frequentam aulas do preparatório, e os jovens que estudam vão à escola fazer aquilo que qualquer estudante deveria cumprir: aprender.
''Quero beber da tua água''... Esta é que é a verdadeira sede de conhecimento.
Soube-me bem ouvi-lo, claro, mas julgo que qualquer professor em Portugal ficaria com um sorriso bem maior que o meu...

domingo, 5 de outubro de 2008

almoço de domingo

Rocket-Caramba, este é o primeiro restaurante em que, no menu, leio a lagosta ao preço da picanha...
Pitigrili-A lagosta apanha-se já ali, a picanha apanha-se mais longe...

sábado, 4 de outubro de 2008

o meu almoço de sábado

Uma lagosta e três lavagantes.
Eram à descrição.
Vida dura, a dum expatriado...

indiana jr

Um casal descobre uma revista sado-masoquista escondida no quarto do filho. Diz a mãe:
- O que fazemos ao miúdo?
Resposta do pai:
- Pelos vistos não adianta bater-lhe...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

zen?

Sou danado. Uma hora à espera para encher o depósito?
Não, se o puder evitar.
E gasto só o equivalente a dois euros e meio por tanque...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

a minha sala de reuniões

Antes de me sentar, sopro o pó vermelho, antes de pousar o bloco em cima da mesa branca. Quem se senta comigo faz o mesmo à cadeira que arrasta pelo chão encharcado pela chuva nocturna. Eu já o tinha feito... Estremecem o ar os camiões que passam a alguns metros da casa. Carregam toneladas de materiais para as que se controem no fundo da rua.
Por estes dias reuno-me com a minha equipa, e com quem virá, ou não, a fazer parte da mesma. Esqueço-me das palavras que me habitavam dantes, quando tratava de assuntos iguais, talvez porque atrás de com quem falo se erga uma jovem árvore que num breve dia dará mamões graças ao calor que não me incomoda. Agora só me lembro, a custo, de termos, como timeline e interface, coisas que se chamam a coisas que pretendo criar para colocar a andar tudo sobre rodas, em vez de agilizar o processo de produção... Isto faz-me lembrar que tenho que passar logo a seguir na Gráfica, para recolher provas da mais moderna máquina de impressão do continente... Sou interrompido pela brutal carga de decibéis do gerador que acorda, mas prefiro este rugir ao ganido das ups da sala ao lado da Arte a queixarem-se da contínua falta da voltagem que as faz felizes... E com os computadores a ligarem de desligarem continuamente numa dança automática do logotipo do Windows e de aparições de DOS branco em brilhante tela negra Hewlett-Packard. Mas não temo. Sei que no dia tudo estará afinado e sem falhas. É o que sempre sucede... Um pássaro canta, a poucos metros, uma melodia por mim desconhecida. Quem fala comigo sorri optimismo...
...É assim, uma sala de reuniões num país que passa, de bebé a adulto, em meses...