segunda-feira, 30 de junho de 2008

ricos por três dias

Sábado à noite tive a noção de viver num país de milionários. Não se conseguia estacionar o carro em lado nenhum, não se conseguia chegar a nenhum tampo de balcão e toda a gente vivia na pele a realidade de um árbitro dos emirados, ao exibir o cartão dourado a empregados brasileiros... porque português agora é rico e não serve ao balcão... A vida são dois dias, e com o subsídio...três.

...coisas de fim do mês...

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domingo, 29 de junho de 2008

nem tudo é mau, no aquecimento globau...

...a água, no mar, tem estado uma maravilha...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

mesa em perigo

A minha cria pertence ao Greenpeace. Entre outras coisas, fiquei a saber que o tamboril é uma espécie ameaçada.

Qualquer dia fico sem ingredientes para os meus pratos...
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Perfeitinhos

Se eu tivesse nascido em Esparta, minutos após ter vindo ao mundo estaria despedaçado no fundo dum penhasco. O Silvester Stallone também. Tanto eu como ele nascemos com raquitismo. O Stephen Hawking, esse, poderia nem sequer passar do terreiro da casa onde nasceu. Seria esmagado ali mesmo, contra uma parede, e depois atirado aos cães. Sofre de esclerose lateral amiotrófica. Na Alemanha dos anos trinta, ele até teria sobrevivido, mas apenas inté o momento de existir uma vaga para ele entrar para um vagão com destino a Dachau...
Há dois anos uma amiga relatou-me o seguinte: Uma outra amiga sua, que eu não conhecia, tinha vários gatos e um deles estava a sofrer uma marcação violenta por parte dos outros. As feridas eram mais que muitas e ela não conseguia protegê-lo. Sofria o equivalente felino da trissomia 21...

Esparta era uma sociedade guerreira e não podia esperar dezoito anos para chegar à conclusão que, graças a uma vontade férrea de se ultrapassar, o Stallone se tornaria quase um sex-symbol e um ícone dos action man (que é termo com que já me mimaram à laia de velado insulto...). Em Esparta, a comida era pouca e a gestão de material de combate (homens) e fábricas do mesmo (mulheres) era uma prioridade. Andavam sempre em guerra.
A Alemanha de Hitler queria seguir o exemplo espartano e alargá-lo a toda a actividade humana da sociedade. Pretendia-se que a raça ariana fosse uma raça conquistadora de territórios e de riquezas, a herrenvolk, que subjugaria pela força todas as outras.
Deixo para outro tópico uma reflexão sobre racional-irracional, porque quero escrever, mesmo, sobre isto. E quando escrevo escrever, é o acto de pegar na vassoura... contudo, convém analisar o que motiva os gatos e outros animais a ostracizarem violentamente os menos válidos, quer atacando-os, quer desprotegendo-os, de forma a colocá-los à frente de outros predadores e assim poupar os mais capazes de perpetuar os bons genes da espécie...

Qual é a diferença entre a nossa sociedade e os exemplos referidos?
Pelos vistos... nenhuma, se nós deixarmos...
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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Era o verão de oitenta e dois, mas na altura eu não pensava nisso.

Ela segurava a foto com uma suave firmeza. Sorria enlevada com aquele pedaço de papel, por entre o caos das fatias de cabelo claro. Amava a imagem do homem que segurava por entre os dedos através do cheiro a sexo que submergia o quarto. Naquela foto, iluminada pela tarde que ela devorou com o meu corpo, ele aparecia a vestir, sorridente, uma farda do exército suíço na caserna onde atrás apareciam os camaradas recortados pelos cantos da imagem e pela dentada do flash.
Pousou a foto, de costas, na mesa ao lado da cama de tecidos de ondas revoltas que nada tinham que ver com o mar liso que me entrava pela varanda enquanto a penetrava depois dela abrir, uma vez mais, os braços e o corpo.
O mundo encontrava-se calmo, como aquele horizonte azul. As pessoas navegavam nele como os longíquos barcos que se deslocavam imóveis.

Era o verão de oitenta e dois, mas na altura eu não pensava nisso.
Era apenas um puto de dezanove anos à descoberta de tudo.

Dias antes, pela mesma hora, dentro dum carro no poeirento terreiro que servia de estacionamento, com a Bebé... 
O calor era insuportável em Vilamoura, às quatro da tarde. Contudo, as janelas mantiveram-se fechadas até derretermos os dois.
Encharcado, apareci a seguir à frente dos meus amigos, na marina. Vermelhos, explodiam em adrenalina. Respiravam às golfadas enchendo muito o peito. Onde estavas tu? Precisámos de ti. Um gajo de bicicleta foi contra mim, e deu caldeirada, ali debaixo das arcadas. Eram mais que nós.
O André já não me falava há dias. Era com ele que tinha vindo acampar. Só fiquei uma noite na tenda, a primeira. Sentiu-se sem companhia e chamava-me devasso... coisas dessas. Mas abriu a boca para comentar a minha resposta com algo parecido com é sempre a mesma merda enquanto via os barcos, de olhos semicerrados... Só eu e o Fernando é que usávamos óculos escuros.
Eu, sobretudo, vítima da fotofobia de quem apenas usava a praia e a piscina para dormir, que as noites não eram para isso.
Essas começavam como meu regresso dos lençóis. Se não tinha jantado, lá repetíamos o nosso golpe, quase sempre nos mesmos sítios, atentos à mudança de turnos: depois de comer, sair, descontraidamente com os mesmos trocos que tínhamos no bolso. Na altura não havia multibanco...
A seguir, a discoteca mais chunga de Vilamoura. Qual Summertime, qual Kiss... mal chegávamos a esses sítios queríamos logo voltar para a Zebra. A savana era connosco... divertíamo-nos e cantávamos discalhada como esta...
À saída, as cadeiras e mesas de plástico dos aldeamentos... tudo para a piscina. Isso e as outras pequenas maldades...
De resto...como era possível a vertigem de envolvimentos em simultâneo numa noite de verão, com dezanove anos... como é o sexo tão belo, quando os lençóis que nos cobrem são os farrapos macios do mar cálido da madrugada de uma praia vazia... e o que se ouve é o tapete de água a alisar a areia...
E os cheiros... e a pele...as penugens...os cabelos...os sabores...os sussurros...os olhares. Todas poucos anos mais velhas que eu, o suposto aprendiz...

Um dia tentei fazer as pazes com o André. Eu iria dormir ao parque de campismo. Não lhe contei os pormenores: o facto da Veronique e da Françoise virem comigo para uma tenda que compraram só para aquela noite. Nunca tinham acampado e era uma variação engraçada ao apartamento.
O André continuou amuado.
A Françoise era casada com um grego, dono de um restaurante em Paris. Ela era chefe de compras da Fnac Paris e encheu-me, por correio, as poucas estantes que eu tinha com livros do Moebius. Ainda os tenho. A sua paixão distante durou meses.

Nesse verão nunca estive intimamente com nenhuma bifa. Francesas, belgas, portuguesas, suíças, suecas, portuguesas, norueguesas, espanholas, portuguesas, holandesas...mas... bifas, só as que via muito brancas, ao longe. Não me agradava o tom de pele, o sotaque rasca e deixava-as para o zezé camarinha.

Os amigos dessa altura mantiveram-se para a vida.
Um deles, na foto, já não se encontra entre nós, com muita mágoa nossa.

kiss me

Sexo puro e duro.
É só do que se fala, e do que se escreve.
Quando ouvia isto, conhecia lá o sabor
de um bom beijo... é muito bom.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

...obrigado.

Por terem correspondido ao meu apelo em "façam-me um favor...", a meio da tarde recebi duas propostas por telefone, quase em simultâneo, das nossas duas principais federações de futebol. Tratava-se do convite para assumir a Direcção de Marketing e Protocolo das mesmas. Como só podia aceitar uma, decidi-me pela mais prestigiada... a de Matraquilhos.

domingo, 22 de junho de 2008

país de machos...

Há muitos anos atrás, ao entrar num táxi, um amigo meu ficou satisfeito ao ouvir esta música, sintonizada no auto-rádio de cartucho. Após um minuto e meio a acompanhá-la mentalmente, viu o taxista a mudar bruscamente de posto, com um movimento enérgico do pulso.
— Música de paneleiros... — ouviu, em jeito de desculpa, enquanto uma pimbalhada escorria pelas fanhosas colunas...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

façam-me um favor...

Não vos pediria isto se não fosse importante.

Pessoal, segunda-feira de manhã, pelas oito horas, esperam-me numa empresa que fica ali no quarteirão em frente. Vou cumprir uma colaboração mensal que dura entre duas e três semanas. Assim, às sete e cinquenta e dois encontrar-me-ei a sair pela porta do meu prédio, para depois, tranquilamente atravessar uma estrada, chegar a um passeio e esperar pelo sinal verde para peões, atravessar outra estrada e repetir o processo até chegar ao passeio da Miguel Bombarda. Aí, após trinta metros de caminhada, vou entrar num prédio, cumprimentar o porteiro e apanhar o elevador para o terceiro andar...

Sendo assim, peço-vos:

Não me venham esperar à porta do meu prédio. Aviso-os com objectivo de tornar ilegal qualquer situação do género. Quem me vier esperar e empatar o trânsito, sofre as penalidades previstas na lei referentes a aglomerações ilegais sem pré-aviso às entidades competentes.

Não me acompanhem de carro, moto ou a pé, durante o percurso descrito. Contribuem para a poluição, engarrafamentos de trânsito, mal-estar dos utentes da Cinco de Outubro... enfim, já não bastasse ser uma segunda-feira... além disso... quem me acompanhar de carro, moto ou a pé, durante o percurso descrito, sofre as penalidades previstas na lei referentes a aglomerações ilegais sem pré-aviso às entidades competentes.

Não me empurrem! Tenho uma energia super positiva, a sério. A minha deslocação pedestre é não-poluente, tenho um passo decidido, sou saudável e detesto que me toquem na rua numa segunda-feira de manhã. Além disso, como sabem, não pego de empurrão.

Não forcem a entrada no prédio onde vou prestar a minha colaboração. Um porteiro não é barreira para uma multidão. Haverá gente que queira entrar no edifício de escritórios para começar a sua semana de trabalho. Não os impeçam com aglomerações... além disso, o porteiro pegará automaticamente no telefone para chamar as entidades competentes que fazem cumprir a lei relativa a aglomerações ilegais, fazendo sofrer as penalidades previstas na mesma.

Não andem por aí com cópias da minha roupa. Tenho um estilo exclusivo que quero manter como tal.
Não coloquem bandeiras com qualquer elemento gráfico deste blogue, com a minha foto, ou até com a minha silhueta. Aos muçulmanos fundamentalistas peço o seguinte: não exibam citações escritas cuja génese a mim se refere em qualquer tipo de caligrafia artística.

Durante o fim-de-semana, nem pensem em ocupar o horário nobre das tv's nacionais com reportagens referentes à minha pessoa, directos nas praias onde estarei e invasão de privacidade das pessoas que me acompanharem. Não quero carrinhas de reportagem na minha rua. Não quero apresentadores a baterem-me à minha porta, nem à dos meus vizinhos. Se alguém assustar os meus gatos, está fodido. Não tenho nenhum compromisso comercial com nenhuma gasolineira e com nenhum banco, sendo assim, se aparecer algum anúncio onde eu for mencionado, eu mesmo trato do ataque legal.
O mesmo se aplica para as rádios, jornais diários e suplementos.

Segunda-feira não vou ficar lá o dia todo. À tarde desloco-me para outro lado, para fora de Lisboa ( ... nem pensem!)
De manhã, quando estiver a trabalhar, se por acaso, devido a alguma distracção de quem abre a porta da empresa onde colaboro, alguém entrar... que não pense em ficar a observar-me enquanto trabalho. Não me agrada assistência enquanto produzo. Contudo, posso estar tão absorto que não me dê conta da presença de alguém. Se assim for... silêncio absoluto. Nem um único som. Eu sei que a minha actividade se presta a mandar uns palpites, uns bitaites, mas não vos aconselho. Possuo um olhar fulminante...

Durante a colaboração referida, que pode ir até três semanas, Não quero ver uma única capa de revista com a minha foto, ou o meu nome, ou alguma menção à minha pessoa, à minha vida privada, ao meu passado, ao meu futuro, ou a alguém das minhas relações.

Não publiquem reportagens, não promovam debates, não mediatizem esta minha colaboração. Sei que a mesma é do interesse público, mas acreditem que é melhor assim...

Peço-vos isto tudo pelo seguinte:

O meu ramo de actividade atravessa uma crise profunda.
Qualquer avença, colaboração ou similar é extremamente importante para as partes envolvidas.
Se não cumprirem tudo o que vos peço, o resultado será este:
Garanto a qualidade da minha prestação em cinquenta por cento do total de trabalho envolvido, mas com a ingerência externa, que tento evitar, os restantes cinquenta por cento não conseguirei levar a bom termo.

Não necessito de apoio popular para fazer um bom trabalho. Nem de mediatização. Nem de slogans. Nem de campanhas. Nem de histeria colectiva.
Não necessito que parem um país por minha causa, por causa do meu trabalho.

Necessito apenas dum cheque ou de uma transferência bancária... como qualquer profissional.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

energia positiva...

Telefonema:
— Rocket, passei lá no teu blogue e reparei
numa palavra dum comentário...galpar...
...tem a ver com a Galp?

zoofilia

Um urso formigueiro encontrou um Cão Lobo. O Urso Formigueiro perguntou-lhe:
- Olha lá, porque é que te chamas Cão Lobo?
- Porque a minha mãe é uma loba e o meu pai é um cão.
- E tu como te chamas?
- Urso Formigueiro.
- Estás a brincar comigo, não?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Saltadores de Séculos Perdidos

É grave. Hoje não queria acreditar no que via e ouvia...

Está científicamente provado que o ser humano crê mais fácilmente num boato que em algo que assista mas que vá contra todos os fundamentos da sua realidade.
Tinha-me acontecido duas vezes, ao longo da minha vida.
Com esta são três.

Uma, de tão inacreditável, a minha memória quase a apagou... não por completo, porque vagamente me lembro duma gaja, que eu nunca tinha visto à frente, numa fila de pagamento do totoloto a declarar-se-me como se tivesse descoberto um príncipe ou o raio que parta...mas como aquilo foi ali para a Avenida do Brasil não liguei... ao ligar o evento à geografia...

A outra tem o seu quê de divertido: há alguns anos atrás, ia a uma churrasqueira cujos donos eram um casal já entradote, pelos sessenta e tais, que trabalhavam com as três filhas, no meio do fumo dos frangos, do sal, dos estalidos do carvão e dos chhh da água a apagar as chamas que iam brotando no meio da frangalhada... Resolveram pois partilhar, em voz alta, as memórias das suas proezas sexuais de juventude no meio dos sorrisos das filhas e dos olhares de incredulidade de quem se encontrava por lá na imensa fila que se comprimia contra o balcão..." E quando te esqueceste da marmita e ta fui levar a meio das escadas? Foi ali mesmo, com uma perna em cima do corrimão... que maravilha, aquilo eram duas e três vezes por dia, se não mais...agora...enfim..."

Quanto à terceira, a de hoje...
Pela tarde ouvi, da boca dum administrador de empresa de comunicação social, algo do género:
"Arte? Se calhar refere-se ao Dali e às parvoíces com que ele enchia os seus quadros... ou a picassos, van gogues e aos outros que tais, que aquilo eram só disparates, o que faziam...E vejo isso assim porque sou uma pessoa... normal..."

Para quem não tem jeito para datas, como eu, dou uma ajuda: Vicent van Gogh faleceu em 1890, Picasso em 1973, e Salvador Dali em 1989. Um no século dezanove, os outros dois no século vinte...

É claro que a coisa não ficou por ali, é que eu... gosto de ajudar e sou um pouquinho...zeloso.
Trata-se de comunicação social né? As crianças vêm... e um dia serão adultos...normais.
A pessoa em questão é por mim deveras estimada e não tem culpa de se encontrar mergulhado na cultura de uma sociedade que ainda não chegou ao século vinte... e sinceramente, olhando para o nosso universo cultural, para as televisões e para o que se promove, começo a acreditar que...

... vamos saltar mais um século...

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domingo, 15 de junho de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

ecrãs gigantes

Tendo a França perdido com a Holanda por quatro a um, o realizador da transmissão televisiva resolveu, após o término, explorar o que de mais interessante acontecia no campo: o desalento francês.
Assim, começaram a aparecer, em paralelo com os tristes jogadores franceses vestidos de laranja ao terem trocado de camisola com os eufóricos holandeses, imagens de pessoas de azul cobertas de cachecóis, bandeiras, pintadas com garridas cores de guerra. Autênticas telas vivas num atroz contraste, ao exibir o mais miserável dos semblantes, ostentando um desânimo de fazer chorar as pedras (que eu sei que não somos...)...
Uns enfiavam a cara nos braços.
Outros depositavam longe o seu olhar quebrado e perdido...

E então... um milagre acontecia.

Aquelas madalenas a quem parecia ter falecido metade da família, de repente (sim, de repente!) Detonavam, aos saltos, numa explosão de alegria eufórica, acenando e esbracejando, fazendo saltar os cachecóis e a cor, abrindo muitos os olhos...
...Se me tivesse saído o euromilhões, eu, decerto, em privado e em silêncio, ficaria assim...

Tinham-se visto no ecrã gigante do estádio, e tão contentes com isso, agiram como se tivessem ganho o mundo...

...

Horas antes eu tinha ido às compras a um centro comercial na linha, ao supermercado. O amigo que me acompanhava desviou-nos do percurso para comprar tabaco e passámos por um stand no meio do shopping, onde com um design festivo, a palavra CASTINGS, aparecia pintada com brilhos, rodeada de estrelas, nos painéis da frente. Nos de trás, encontrava-se uma galeria de fotos de crianças, cada qual com a sua enorme estrela a acompanhar...não olhei com uma atenção de minúcia, mas, ao longe, pareciam-me crianças vulgares...
Uma amiga tinha-me contado que levara a filha a um casting e que no fim a informaram que as hipóteses da cria ser chamada para os altos voos que a levaram ali aumentariam exponecialmente duma forma brutal se a filha se inscrevesse num dos cursos que eles facultavam e que em seguida minuciaram sem deixar referir timidamente, e por último, os quatrocentos e tal euros do seu custo...
A minha filha também foi a um casting, embora limitado, para um filme de um realizador português. Tendo contactado na altura com figurantes e actores de segundo plano, ela ficou e transmitiu uma ideia de como as coisas decorreriam a um nível efectivo. Embora eu já soubesse. Aos vinte anos, também fui a um, e depois chamaram-me para o filme. Aí interpretei o papel de um membro da assistência de uma gala de entrega de prémios, de um polícia e até disse umas linhas como gangster...
Nunca mais repeti, mas foi engraçado, há vinte e tal anos atrás.
Dias antes, li, na Dica da Semana, uma entrevista com a mais recente girls band que a série dos Morangos lançou para o mercado de cérebros cansados. Lá elas minuciaram todo o processo de selecção e fiquei genuínamente impressionado como número de raparigas que concorreu. Era absurdo...
Ao longo da vida já tinha conhecido várias candidatas a misses. Quando andavam comigo eram apenas miúdas giras, mas um ou dois anos depois, quando as encontrava em qualquer lado, era com um tímido aceno com que nos cumprimentávamos, não fosse a plebe que as cercava aperceber-se da minha presença. Mas essas eram as que venciam. Havia outras, que eu com caridade ouvia os seus anseios de se passearem em fato de banho no casino a segurarem um molho de hortaliça... embora com muito boa vontade, o sítio mais prestigiado onde eu as imaginava a desfilarem era onde se encontravam, o chão do meu quarto...
Este país é um dos mais pessimistas que conheço. Talvez o mais, até. Contudo, sinto uma reviravolta no ânimo desta gente. A equipa que discute agora o Euro, independentemente do resultado, é um alimento para o nosso ego. Coloca-nos nos píncaros, enquanto andar a ganhar, e até depois...
As revistas de maior consumo são as em que aparecem as pessoas do brilho das luzes, da carreira artística, dos futebóis. Se eu quiser ser conhecido de um dia para o outro, basta sacar uma atriz de telenovela, e esperar os flashes. Lá no meu ginásio há várias, e por sorte, nenhuma é a mais bonita que para ali anda...

O sonho com a notoriedade é a nova droga e há quem pague por isso quatrocentos euros, o que dá para alguns jeitosos pacotinhos de coca ou um abastecimento de cavalo para um bom tempo. Para quem fuma charros, resolvia-lhe o problema para muitos meses...
Há quem pague mais até, em favores e em sacrifício dos estudos e dum futuro mais seguro.
As pessoas atropelam-se para aparecer. E mesmo estando fora do prazo, ainda possuem o seu maior trunfo, a sua maior vingança: os filhos.
É claro que existem crianças e adolescentes lindos (como é o caso da filha da amiga que referi) e a primeira coisa em que pensamos quando os vemos é na sua entrada num anúncio de algo. Mas não é desses que falo. É daqueles que são lindos só para os seus pais, como os que vi naqueles painéis...

Consultem as estatísticas. Estudem os números referentes à venda de ansiolíticos e antidepressivos. Com todas as crises, e pior, com o leque de falta de soluções que gentilmente nos disponibiliza quem nos governa, só vejo uma saída, inspirado no final do jogo entre a Holanda e a França, e noutros:

Coloquem câmeras em todas as ruas, e, no fim das mesmas...

...ecrãs gigantes...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

sardinhas alemãs

Tenho um amigo alemão que, há uns anos atrás, comprou um restaurante com jardim ali para as bandas do Castelo.
Por altura do Santo António, informado do carácter churrasqueiro da enorme festa popular, foi às compras ao hipermercado, e trouxe quase uma tonelada de sardinhas...

...alemãs.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Bronze II

Adormeci, ao sol, à beira da piscina...quem deitou soporífero no meu copo? Vingativos...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O diabo é um gajo porreiro.

Barak, sem parar de aplaudir o fim da apoteose, dirige-se, eufórico, ao seu director de campanha, David Plouffe.
— David, é o glorioso começo... o glorioso arranque do glorioso começo.
— Barak, será até... "il grande finale" se cativarmos o resto da ala direita do partido...
— Sim...e?
— E... Tenho uma na manga. Infalível.
Barak sorri. Anda cansado, "infalível" acelera-lhe o batimento cardíaco... e o das mãos... uma na outra. Às vezes julga que as palmas estão a calejar, de tanto se aplaudir por essa América fora...mas agora não tem tempo para pensar nisso...
— Qual é?...Coreia?— Grita-lhe a pergunta numa discreta careta, através do bruáá da multidão. David responde-lhe com um indisfarçável olhar diabólico.
— O Irão.


E é assim...

Já não existe Guerra Fria. O comunismo morreu. Com ele foi-se o romantismo na política. Não haverá mais "Ches" no Ocidente.
Não que as raízes do conflito tenham acabado. Muito pelo contrário. O que provávelmente aí virá será motivado pelo ódio mais profundo, o ódio religioso. É por amor a Deus que se odeia mais. Viu-se isso aqui bem perto, na ex-Jugoslávia. Ver-se-á pior...

Mas não quero escrever sobre isto... hoje.
Interessa-me olhar, à minha maneira, para o que a política se tornou, ou voltou a ser, depois do socialismo: um mero e barato jogo, de interesses, rasca.
Já não estávamos habituados a nada disto... esquerda era esquerda e direita era direita. Sabíamos distinguir isso na postura, no discurso, na filosofia de quem andava por aí nessas lides. Agora não, a política voltou a ser o espectáculo de variedades dos ódios sorridentes, entredentes, das comadres dos partidos. Como o era, antes de Marx, Engels... da Comuna de Paris.
Mas como espectáculo é fraco, principalmente nas variedades em si.
Voltemos muito trás...O peso da religião sempre foi algo determinante até à Revolução Francesa. A Monarquia era justificada por Deus. A primeira revolução política teve assim um cunho religioso, com Lutero e Calvino. Quase na mesma altura, e em consequência, a República foi ressuscitada, no Norte da Europa, para se finar pouco depois...

...Ui que me estico... bem... Isto é um blog, a malta quer ir rir-se noutros, por isso tem que ser em versão resumida, a atroplelar coisas, como Cromwell, etc...

Isto tudo para afirmar que a política antes da revolução francesa era uma seca, e com o fim da mesma, voltou a sê-lo até à revolução industrial e ao senhor judeu de barbas grandes. Karl Marx.
O papão.
Ainda bem que existiu.
Em matéria de tiro curvo, costumo apontar para o céu, se quero atingir o telhado. Marx apontou para o céu. E lá se atingiu o telhado.
Sem Marx, não existiria social-democracia, classe média, férias, lazer, consumo, liberdade, política social, não estaria aqui a teclar convosco após ter vindo do ginásio e ter passado no Lidl, estaria a sair duma fábrica, ou ainda lá...ou talvez não, com a minha idade já estaria morto por uma sociedade cuja esperança de vida seria tão curta como um pavio, como no tempo de Dickens... sem contar com o prato do jantar...só batatas e já gozas... Se anda para aí tudo a curtir, após sete ou oito horas de trabalho diárias, bem pode agradecer ao barbudo. Quando se referirem aos comunas, lembrem-se disso. O homem não teve culpa do Estaline e do Mao...
Eles até não eram assim tão maus...estou a brincar. Eram péssimos.
Mas ser mau é apenas uma questão de chegar ao poder e ficar lá durante muito tempo...depois não se quer outra coisa, e até se mata por isso. E para matar nem sequer é necessário lá chegar, basta tomar-lhe o cheiro.
Barak Obama sempre me pareceu bom demais. Um americano com sangue negro, que iria passar a borracha final sobre os traumas da escravatura numa sociedade jovem, como o é a americana.
Um democrata. Simpático, humanista...um gajo porreiro.
O diabo...
O diabo é como Marx, mal-amado.
Porquê? Por acaso fez mal a alguém? Quem se lembra? Eu não...
Anjos e Arcanjos, na Biblía destruíam cidades. Matavam gente. Fulminavam. E andavam sempre de espada em punho. Os pobres dos diabos andavam com um tridentezito, nos quadros do Hieronymus Bosch, e ficaram depois gravados como tal na nossa memória, a apascentar almas más no inferno...uns criaditos de Deus que se aborrecia com eles porque, para se divertirem, vinham para aqui fumar um cigarrito nos intervalos e chatear a malta com propostas indecorosas, como aqueles putos que nos abordam na baixa que, mal educados, já tiveram para levar no focinho mais que uma vez...
Mas o diabo não é mal-educado. É um cavalheiro que aprendeu com os melhores, lá na escola de anjos. É simpático, polido, atencioso, transpira charme. Cativa.
Como Barak Obama.

Estive caladinho este tempo todo em relação ao futuro presidente dos EUA. Não me parece conveniente avançar com opiniões sem fundamento. Mas agora, depois de o ter visto a comportar-se como uma puta rasca a mostrar as mamas a velhos babosos... É que isto do vale-tudo, só na guerra.
Uma coisa é ver uma amiga a ser aborrecida por um mastunço qualquer aí na noite e eu chegar lá, varrer-lhe os tornozelos com a perna e depois partir-lhe três dentes com o calcanhar, pirando-me em seguida com a amiga pelo braço, discretamente, sem sequer sujar as mãos... e outra é fazer como o Obama, começar aos gritos de "faço-te a folha!" para impressionar as meninas e mandar mais umas bocas, a capitalizar a coisa, antes que os seguranças cheguem para acabar a festa.
Barak, Presidente, se se justificasse, mandava os Marines passar a fronteira depois dum bombardeamento maciço, e de seguida lá começava a guerrazita que me iria tirar o sono... mas?... antes de lá chegar? É a sede, pornográfica, do poder.
E é a isto que se resume a política, hoje em dia. Basta olhar para o lado. Ou melhor, para baixo. Aqui neste país.
Onde estão os políticos? Sim, os verdadeiros! Onde está um Sá Carneiro, um Mário Soares, um Álvaro Cunhal?...Onde se encontram as grandes causas? Os grandes debates? As grandes paixões? As barricadas?...
Vejo os "políticos" de hoje. Varriam o chão no tempo do Sá Carneiro e dos outros. Faço questão de, mal ouvindo um nome, esquecer-me do mesmo em seguida... tenho vergonha desta gente. Vou votar, porque a passeata atá ao Palácio Galveias é agradável...mas nunca preencho o boletim de voto.
Há uns anos atrás, houve um que quase me convencia, mas foi convidado para um cargo teóricamente inferior ao de primeiro-ministro de um país soberano e aceitou-o, sem hesitar. Na altura imaginei o Tony Blair a ser convidado para o mesmo e a perder a compostura, com a afronta...

É assim tão mau, ser primeiro ministro deste país? Tão rasca...tão bera?

É.

Bronze

Que mentes distorcidas...
...fala-se em bronze e pensam logo em... praia.

domingo, 8 de junho de 2008

a rémora

Hoje apeteceu-me parasitar. Fingir-me de rémora...que, para quem não sabe, são aqueles peixes que apanham boleia dos tubarões...Ora aqui está onde me vou colar hoje. É para onde eu clico quando me quero rir a sério... mas isso sou eu, que tenho gostos requintados... e conheço-o graças a uma menina bem comportada, a nossa Lady Attenborough da blogocoisa...

Recomendo os grupos de letras um pouco mais abaixo, antes de ele partir de férias. Plexu, obrigado. Confirmas que as coisas mais simples que temos são as melhores e...
...de graça.

sábado, 7 de junho de 2008

O Verão

Tenho toda a discografia destes caramelos. É das poucas coisas em que me misturo...vai-se ao Youtube e todos os vídeos são cinco estrelas... e normalmente quando chega o Verão sopro a poeira dos cds e inundo a casa com isto... é liiindo! Não sei porquê, mas o Verão para mim sempre foi B52's...
Baby... Yeah! Take Me Awaaay!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

a queca

Existem coisas aparententemente inexplicáveis. Contudo... eu explico, mais uma vez.

Queca.

Nem me dou ao trabalho de encetar uma busca de algo parecido no âmbito linguístico anglo-saxónico, francófono ou castelhano. Porque pura e simplesmente...não existe. Mas já que estamos com um pé fora do rectângulozinho verde-rubro vamos ver o porquê da não-existência deste eufemismo rasca fora do tracejado onde que nos encontramos...

Curiosamente, primeiro que tudo, é algo que tem a ver com a forma de vestir. Neste país encontramos um tipo de indumentária único, mesmo a nível mundial. É um estilo criado a partir da imitação, daquilo que para nós, era um povo civilizado, os ingleses.
Nunca tivemos muito o hábito de viajar, e a geografia também não foi de grande ajuda, como tal, foram os ingleses o povo com o qual tivemos mais contacto ao longo dos séculos. Afortunadamente, os que para cá vinham, interessados no nosso Vinho do Porto e da Madeira, era gente de um extracto social elevado. Digo social, não cultural. Ainda assim, uma tão grande colónia, de colonizadores por excelência, não prescinde da sua cultura...como poderiam eles fazer crescer os seus infantes sem Shakespeare, Alexander Selkirk, Jonathan Swift, Byron, Shelley, Keats, Jane Austen, Dickens, Tennyson, Conan Doyle, Kipling, D.H. Lawrence...hein? Cá não se ensinava nada disso... nem Dante, quanto mais os bifes...

Daí os colégios ingleses. E com os colégios ingleses veio a fardinha dos mesmos: os pullovers, os sapatinhos, as gravatinhas, a flanela... e não é que, com isto, aqui se criou uma moda que ainda perdura?

Por falta de outro modelo, as classes endinheiradas deste país começaram a vestir os filhos da mesma maneira que os putos dos colégios ingleses.
E assim nasceram os queques.
Não os bolos, mas já que falamos neles...são bolos desinteressantes, secos...colam-se ao céu da boca. Felizmente alguns pasteleiros com imaginação enriqueceram os quequezinhos com nozes, chocolate ou bebidas espirituosas, ou com outra qualquer coisa que os torne mais divertidos.
Também os ingleses tentaram tornar mais divertida a farda masculina, daí, nos sapatos, os berloquezinhos, os mocassins, as franjinhas, tudo isto sem sair do código vitoriano do college...
Contudo, a moda masculina em Portugal ainda sofre desse ridículo estigma. Fala-se da nossa indústria do calçado. É uma indústria sem design, um mastigar contínuo de velhos modelos cuja forma vem do que os meninos ingleses calçavam para ir para a escola há sessenta anos atrás...
Por isso é que eu, quando quero comprar um par de sapatos, respiro fundo e debito todos os mantras que conheço e mais alguns que vou inventando...
...acho mesmo que já desisti. Vou comprando botins, todos iguais, alguns até no Verão uso... e ténis, sneackers...
E mulheres? Agora já começo a encontrar mulheres como gosto, vestidas com uma certa sofisticação...houve uma altura em que era quase como os sapatos. Normalmente, as que saíam comigo andavam para aí a embasbacar o povo...
Uma delas, educada em outras paragens, afirmava que nas mesmas só os nerds se vestiam como os nossos queques ou betos, por falta de imaginação, por preguiça cultural...

E isto na moda...
...e quando se chega à foda (ai que feio, é um termo muito cru, muito violento... as consoantes agridem as vogais, principalmente na primeira sílaba)... então os queques, para não fazerem saltar da cadeira as pessoas que eu fiz saltar quando escrevi... foda...

Vá lá.
Dêm saltos na cadeira.
Pulem.
Mas habituem-se... porque eu é que estou certo.
Podem continuar a partir a mobília... Paços de Ferreira agradece...ou, já tomaram juízo e compram no IKEA para os senhores do móvel abrirem os olhos e preceberem finalmente que aparelho industrial, já o têm e agora só falta dar emprego às dezenas de putos que saem dos bons cursos, que há cá, de design industrial?

...continuando...os queques, para não fazerem saltar da cadeira as pessoas que eu fiz saltar quando escrevi foda... inventaram a queca.

Nunca dei nenhuma. Mas com isto, acho que já fodi uma deficiente forma de ver as coisas, como sempre.

Sons do Tejo

Hoje estou lá. Este homem, um dos maiores guitarristas portugueses vivos, vai apresentar o seu novo álbum. Dolce Barroco.
Pois é. Até o nome denuncia o requinte que ele, de facto, possui. Cozinha com a mesma solenidade com que toca para as mais distintas plateias por esse mundo fora: estadistas, reis, príncipes... e toca para
os outros, como eu, com
a mesma reverência
e humildade.

Podemos encontrá-lo num palácio em Marrocos, ou num botequim em Cabo-Verde, numa cadeira forrada a veludo ou numa outra de plástico... com cães a latirem ao fundo da rua. O resultado é sempre o mesmo: a magia duma guitarra a calar, suavemente, o mundo.
Escreve e fala com a mesma generosidade com que afaga as cordas. Como se de família se tratasse, quem o ouve ou lê.
Sons do Tejo um dia forrará um filme. E nesse dia talvez o mundo conheça, ou adivinhe, a excelência de ser humano que é Silvestre Fonseca. Um dos nossos melhores portugueses.

Quem toca, aqui, é a sua filha, Inês.
Abençoada por ter um pai assim.

terça-feira, 3 de junho de 2008

há por aí uma estante a mais?

Sair do ginásio e caminhar até ali, à Feira do Livro, chegar a uma banca e encontrar, uns ao lado dos outros, sete livros que sempre sonhei ter. Comer uma fartura, ao som do namoro entre folhas de árvores, iluminado pelo dia que acaba com vozes raras. Dizer adeus aos livros onde os meus netos um dia me irão conhecer. Ir devagarinho, a pé, de mochila às costas e de saco de livros na mão...só faltava um assobio. É tão bom morar em Lisboa... há por aí uma estante a mais?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

a velha

Encontrava-me eu, numa destas manhãs, a ser tosquiado no cabeleireiro dumas amigas. Não completamente acordado, ouvia em off uma transmissão radiofónica deveras estranha. Sentia, meio a dormitar com o tic-tic hipnótico da tesoura da Regina, que era um programa com público, e a apresentadora, ou animadora, possuía uma voz de velha. Mas não era a voz de uma velha qualquer... era uma voz... sebosa, melada, abichanada, devassa, impúdica, dissoluta, licenciosa, depravada...

Não. Havia ali qualquer coisa que não estava bem... devia ser do sono.
— Ó Regina, diz-me uma coisa...o que é que está a dar?
— Ah...Rocket! É o programa do...

Não...
Do?

Dooo?
Era um gajo? Com aquela voz de velha?

Não.
Eu devia ainda estar a dormir, na certa...

Tic-tic-tic... agora eram os pelitos que me caíam no nariz. Soprava-os, como sempre, tapando um lado da boca, enquanto a Regina, com a conversa, me tentava acordar mais um pouco...

...mas a velha...
Lá continuava, com aquela voz de idosa assanhada... De facto, fazia sentido que não fosse uma velha, porque eu não conhecia nenhuma senhora de provecta idade com uma fala tão libidiniosa... mas agora... um gajo?

A Regina afastou-se para ir pegar a máquina de aparar. Segui-a com o olhar... Surpresa! Uma televisão!
Afinal não era rádio, era um programa televisivo... eu não tinha acordado...e de facto lá estava o gajo, todo aparadinho, com voz de velha porca...

Aí acordei.

Alguém que me ajude nisto: Porque será que na sociedade ocidental, mal um homem qualquer começa a levar na anilha, tenta imitar as mulheres no tom de voz, nos trejeitos, no aflautanço forçado?

Atenção! Nada tenho de homofóbico. Não é disso que se trata. Conheço gente dos dois lados do Atlântico com toda a variedade de hábitos, vidas e orientação sexual... respeito todos sem excepção, inclusive os indivíduos cujo comportamento descrevo...mas não respeito o comportamento em si, tenham paciência...

As mulheres que levam na anilha, que conheço, não falam num tom abichanado...falam normalmente, algumas até num registo bastante grave...tipo Marlene Dietrich.
Então porque será que uma grande maioria de homossexuais passivos tente uma imitação forçada de uma donna?
Será que julgam que isso os torna mais atrativos para os activos? Estarão a competir com as mulheres (ah ah ah) na obtenção de favores de outros machos? É por isso que exageram?

Eu dos outros não sei, mas a mim, esse tipo de comportamento provoca-me repulsa, mesmo física. Nojo. E tristeza...

Sou um apaixonado por História. Não só são os grandes eventos que eu acompanho, com gosto, ao longo os séculos. Os costumes, a moral, os valores e os prazeres também merecem a minha atenção.

Um dos personagens históricos que mais admiro é Alcibíades. Detinha uma personalidade magnética que arrastava povos a cometerem loucuras.
Era bissexual.
Quer mulheres, quer homens, tiveram por ele paixões arrebatadoras. Como ele, eram bissexuais quase todos os cidadãos seus contemporâneos... à excepção dos que eram exclusivamente homossexuais.
Todos os exércitos gregos, quer atenienses, quer espartanos, ou de outra cidade-estado, possuíam companhias de amantes. Eram os que lutavam mais selváticamente para salvar o couro ao amado...
O envolvimento homossexual entre valentes, na antiguidade, foi uma constante desde os primórdios, e nem sequer o termo (homossexualidade) existia. Desde os sumérios até aos gregos, gostar de homens era até um sinal de virilidade...

Não entendo, mas não é para eu entender... quem sou eu... Mas imagino que muitos homossexuais e bissexuais se sintam agredidos com tamanha deselegância. Ou não? Já não sei nada...
Não é pela moral, pelos valores. É porque é feio. É porque mete nojo. Um indivíduo que se comporta assim mete-me tanto asco como alguém que andasse por aí pintado com diarreia... é verdade, é uma genuína repulsa, não estou a inventar, nem a exagerar.
É deselegante, gratuito, de mau gosto, invasivo, inestético. Um perdido-por-cem-perdido-por-mil. Porque é um tiro no pé, e destesto ver isso. Andam a lutar pelo fim da discriminação, atitude que admiro e que respeito, e assim dão um passo à frente e dois atrás... E não há necessidade, julgo. Trabalhei num sítio em que alguns sócios eram gays e só me apercebi disso (algo completamente acessório) ao fim de quatro meses, quando alguém me contou...

Ontem lá estava a velha outra vez. Num programa que passou o domingo inteiro, em todos os canais, que eu não percebi lá muito bem: sobre transportes (autocarros, aviões... será um adeus ao petróleo? ).
E hoje, à hora de almoço, lá estava ela de novo, no ecrãzinho. Ouvi-a vilipendiar uma mulher da assistência com insultos... de velha nojenta.

domingo, 1 de junho de 2008

se eu fosse sapateiro...

Este gajo é sete a oito décimos da excelência de qualquer filme em que entre, por mais brilhante que seja o resto.

Dissuadido por um mau cartaz, adiei sempre os "88 minutos".
Ontem não deu mais. Chegados tardiamente ao Campo Pequeno para ver os salteadores e com lugares apenas na primeira fila, eu e a minha cria optámos pelo Al. E em boa hora.
Esqueçam o filme. Não é disso que escrevo.

A principal missão de um símbolo, de um logotipo, é o ser reconhecido. A segunda é o ser associado a...

Este gajo é reconhecido. E se eu fosse produtor, estaria-me nas tintas para a segunda. Ontem não fui ver os "88 minutos", fui ao cinema ver o Al Pacino... a pedra basilar à volta da qual se constrói cada trama...

...E é péssimo a construir personagens. Dos piores que conheço. Nunca consegue sair da sua pele... Ontem não era o Dr. Jack Graham...foi o Al Pacino que vi. Mas não o Al Pacino da vida. Esse está aí ao lado. Não se parece com nada.
Refiro-me à Fórmula Al Pacino. Viciante.

O logosímbolo Al Pacino...

...se eu fosse sapateiro ganhava muito, mas muito mais guito, segundo um velhote que trabalhava debaixo dum vão de escada, que morreu podre de rico...

sábado, 31 de maio de 2008

Se ninguém souber... como é que aprendo?


Dá para acreditar
que os cientistas ainda não descobriram porque e como ronronam
os gatos?!?

Uns "desconfiam" que é devido a pregas vestibulares, ou falsas cordas vocais na traqueia, que vibram quando o gato respira.

Outros "desconfiam" que é uma turbulência da circulação sanguínea no peito, amplificada pelo diafragma... ou lá o que é.

Vão "desconfiar" para o raio que os parta... trabalhem!

O drama é que os grandes felinos não ronronam. E ronronar dá um enooooorme jeito...

E agora? Se ninguém souber... como é que aprendo?...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O Meu Totem

Águias? Leões? Dragões? Um coelhinho make love, not war...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

solução final

Esta expressão, tristemente característica duma terrível realidade, deve-se talvez ao facto de eu ter entre mãos duas capas a ela relativas: Uma sobre a família Himmler e outra sobre o drama de um milhão de judeus húngaros, já no fim da guerra.

Para uma delas, já tenho imagens.
Uma primeira foto dos Irmãos Himmler; uma segunda do mais tristemente célebre dos mesmos, Heinrich, fardado; e uma terceira da autora, uma sobrinha-neta do bicho, chamada Katrin.
Como existiu uma Katrin no meu percurso de vida, cujo pai fora SS, fiquei mais descansado ao observar, num relance, a terceira foto...

Solução Final.

Escrito assim, com as maiúsculas no princípio de cada palavra (caixa alta, para um assassino verde...) este termo evoca sem dúvida algo que a humanidade quererá esquecer, lembrando.
Foi horrível, é claro que foi. Não pelos números do massacre, seis milhões, bastante inferiores aos das vítimas de Estaline no mesmo período, ou das vítimas dos europeus nas américas, equivalentes a todos os mortos da segunda guerra mundial, ou até mesmo da Grande Fome causada pelo desespero incompetente de Maozedong durante a Revolução Cultural...

Não, não é pelos números.
É pela filosofia.

Pela primeira vez na história o Método foi aplicado num genocídio. Com uma logística impecável, com uma organização irrepreensível, com um planeamento invejável... à alemã.

Uma coisa é, uma turba de soldados americanos, fartos de verem os seus camaradas morrerem estilhaçados por bombas disfarçadas em montes de lixo, entrarem bêbados numa casa iraquiana e matarem toda a família excepto a miúda de quinze anos que ao passar todos os dias no checkpoint lhes provoca sempre uma breve erecção e que agora vai ser violada.
Outra é, desapaixonadamente, com método, eliminar milhões...

É uma pena, terem usado esse termo. Porque é meu. Sou um homem de soluções... e como gosto de trabalhar e não gosto de ter trabalho, quero que cada uma delas seja... final.

Existe um problema do catano. Abordei-o anteriormente em alguns tópicos: "Cuidado Humanos!" I e II e "Discos Voadores".

Está a tornar-se insustentável, a nossa dependência dos combustíveis fósseis. Neste momento toda a gente está de queixo espetado para os aumentos de preço da gasolina, mas isso é o que menos me preocupa agora.
Assim como há meses atrás cheirei este dramazito, cheiro de novo uma tragédia...
Não vou bater no ceguinho e explicar de novo o "porquê" conceptual de correr com o petróleo das nossas vidas. Neste momento começou a contagem decrescente para o culminar disto tudo: uma guerra. Mas não uma guerra como a do Yom Kippur, que funcionou como assobio duma panela de pressão numa crise parecida, ou de outra ida ao urinol como foi a invasão e ocupação do Iraque. Não...trata-se de uma guerra a sério, daquelas que limpam gerações.
Gosto de História, e este timeline de eventos tem o perfil de muitos que aconteceram ao longo da mesma, cujo desfecho foi esse.

É tempo de soluções. Se ainda forem a tempo...

Se eu mandasse... bastaria estar à frente de um pequeno país.
Este serve. De costas voltadas para a Europa e nariz enfiado no Atlântico.
Sempre foi um handicap, isso. Sendo assim, vamos usar a filosofia do judo e tornar a nossa desvantagem na nossa maior vantagem...

Ok...se eu mandasse...

— Sr. Primeiro Ministro, chegou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, para a reunião das onze e trinta.
— Muito bem, ele que entre.
— Como está, Sr. Primeiro ministro?— Pergunta o cientista, sempre embirrei com bigodes, mas aquele...
— Bem, podíamos estar todos melhor, não é verdade? — abro os olhos, e com a mão virada para a janela elucido-o— esta crise dos combustíveis, onde irá parar?— Pergunto.
— Bem...Sr. Primeiro Ministro, não é, de todo, a minha área... e a futurologia...
— Era uma pergunta de retórica, caro Mariano. Eu respondo-lhe: vai parar agora. Aqui e agora, neste gabinete. — Vejo-o a abrir os olhos, e curiosamente a boca também se distende enchendo-lhe a cara de brilhos, quer nos óculos, quer nos dentes. Deveria ser ao contrário, por questões de lógica muscular... E continuei — Temos algo mais eficaz, não poluente, potencialmente mais poderoso que qualquer combustível, e à borla...— Olhou para mim com um ar de desespero, o que me divertiu, devia estar a adivinhar uma qualquer crise de loucura...— Não olhe assim para mim, homem. Falo de água. Água destilada. Não é preciso ser engenheiro para saber que possui tudo o que é necessário para uma combustão: H2O. Oxigénio e Hidrogénio. Comburente e combustível. É o que gasta o sol. Quero que o meu carro gaste o mesmo...dentro de um ano. — o homem afundou-se na cadeira. — Mariano, não diz nada?...Tanto melhor...quem cala consente. É possível, não é? Vi logo. Você é homem para isto (apesar dessas gravatas, pensei eu...). Sempre admirei a sua capacidade científica...
— Mas senhor Primeiro-Ministro?... E os fundos?
— Os fundos... Os fundos, Mariano? Isso é lá ao fundo, o meu secretário passa-lhe um cheque...não vale a pena incomodar os meus contribuintes com esta ninharia...sacrifico as minhas férias, de qualquer forma não as iria ter, devido a esta crise... Eu é que vou dar o litro, nesta questão, não é você. Aturar os bancos, o seu colega dos Negócios Estrangeiros, os lobbys todos, as tentativas de assassínio... mas já tenho solução na manga para isso tudo. Neste momento a União Europeia está de olhos em mim...e em si. É a nossa última hipótese, face à Ameaça Chinesa. Vá lá, não lhe estou a pedir a Levitação, isso é a seguir, talvez para o ano... Não faça essa cara, homem. Os Irmãos Wright eram fabricantes de bicicletas...desenrasque-se. É o seu trabalho...


... E eu também tenho que me desenrascar, não tenho imagens para a segunda capa- aquela sobre o drama de um milhão de judeus húngaros, já no fim da guerra. Tenho que encontrar várias imagens... ou então inventar uma.


É o meu trabalho.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Assassino Verde

Existe um monstro dentro de mim. Há anos.

É a minha profissão.

Sou designer de comunicação, na vertente editorial.
Revistas, jornais e livros. Newsletters e boletins.
Sou um criminoso.
Um criminoso responsável pela morte de milhares de árvores. Devia ser julgado num tribunal internacional de defesa do ambiente.
Muitos dos títulos que vocês vêm nas bancas, e que provávelmente compram, ou pior, coleccionam, têm a minha marca.
Ou fui eu que os criei, ou lhes dei o nome, desenhei ou redesenhei o logotipo. Fiz centenas (e continuo a fazer) de capas, durante anos... nem imaginam... duas, três, por semana. Até 2001 fazia, por vezes, mais que uma por dia...
Façam as contas: ando nisto desde o fim do curso, devia ter vinte e um, vinte e dois anos... hum...possivelmente falamos já em milhares...
É o que digo: culpado, com todas as letras.
Director de arte de algumas das revistas e jornais de maior tiragem e circulação, quer especializadas, quer generalistas.
E pior, agora um experiente e desumano consultor de comunicação capaz de chegar a qualquer tasco e montar uma redacção eficiente, um Auschwitz de papel: um Himmler à frente dum plano de extermínio florestal.
O chefe da mortandade verde.

Meses atrás, tentei enveredar por outro caminho, mas o assassino de árvores que há em mim não deixou.
Voltei a matar.

Cada vez que uma rotativa dispara milhares de exemplares numa gráfica em Queluz, isso significa um hectare, ou mais, de ausência de floresta nas nossas vidas. Menos um exército de devoradores naturais de CO2, menos um habitat de alguém com penas ou pêlos...menos um horizonte verde onde repousar os olhos.

Julgam que eu não tenho noção da gravidade da coisa?

É claro que tenho! Não imaginam o contrasenso. Evito, ao máximo, usar uma impressora... quando olho para a folha que ela devora, sinto uma coisa...

Começou tudo antes de aprender a ler, quando me fascinava com os logotipos que se faziam: como as suas letras casavam entre si para criar uma nova forma, com harmonia e habilidade...
Uau! Considerava quem fazia coisas daquelas... um mago...

Ainda continuo a fazê-los assim. Acredito num logotipo que deslumbre pela surpresa, pela habilidade... como um número de circo...
Na faculdade tirei design de comunicação. Antes mesmo do fim do curso, um professor enviou-me para o mundo das revistas. Nunca mais de lá saí. Mesmo quando director de arte de um dos nossos maiores jornais, subia o elevador do mesmo prédio para me sentar com os gráficos numa sala a corrigir impressões de algumas revistas que saíriam no mês a seguir...

Bem digo, ao olhar-me no espelho, que sou um assassino verde, uma espécie de criminoso em vias de extinção. Que a net vai matar as revistas como o vídeo matou a rádio ("tufonia", segundo a minha ex-assistente beta) e o cd matou o vídeo e o dvd matou o cd e um meteoro matou os dinossauros...

Anos atrás tirei um curso de web design. Serviu para muito...

Andava às voltas com quatro revistas e agora ando com mais outras tantas. Daqui a dois meses meses serão mais ainda...
Pelos vistos, continuarei a matar... até morrer...

Um dia serei considerado bárbaro. Ao mesmo nível de um qualquer director de departamento duma tabaqueira ou de... uma petrolífera.

Um dia. Muito, muito depois da minha morte...

domingo, 25 de maio de 2008

rolling stoned

Se o Mick Jagger nunca conseguiu satisfaction, e ele que bem tentou, tentou, tentou, tentou, tentou, tentou...
ui se tentou...
...tentou, tentou, tentou... olá se tentou...

então e nós?...

...conseguimos?

sábado, 24 de maio de 2008

Palavras Sexualmente Transmitidas

Era uma vez uma, que andava com dois,
que nunca se conheceram.

Acabaram todos a falar da mesma maneira,
usando as mesmas palavras.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

via láctea

Nu Brasiú... 
Ela: Quirido, mi djiga augo qui mi deleitxe... Ele:Vaaaaaaaca*...


...*Click!...tsk, tsk...

terça-feira, 20 de maio de 2008

O ódio

Nunca odiei ninguém.
Já pensei ter odiado antes... mas não, não era ódio.

Isto dos blogues faz lembrar um pouco o Speakers'corner do Hide Park, onde cada um tem o seu palanquezito, e sobre ele empertigado, manda os seus bitaites, como agora o faço, embora estes bytes permaneçam bem para além da vibração do ar em frente da boca dos speakers. Podemos a eles ter acesso em qualquer momento, no quentinho das salas onde temos os nossos computadores.
Com calma. Com tempo. Mente e canais abertos...

O ódio...

Circulam nesta nossa blogocoisa desafios aparentemente inócuos em que a temática é o ódio. Parecem inocentes. E quando chegam, quem lhes pega devora-os logo como um carnívoro ataca um bife, a rosnar:
"Eu odeio gente assim/gente assado, convencidos, emperuados, mentirosos, o galo do vizinho, o zé da esquina, pretos, homossexuais, judeus, árabes, ciganos, romenos, ratos, mestiços, brasileiros, russos e ucranianos, tchetchenos, gajos que têm sempre razão, gajas que não me dão o pito quando o dão ao vizinho, vizinhos que dão o lolypop à outra mas não à escrevente, invejosos, a proibição de fumar, os gajos que fumam para cima de mim, a asae, os restaurantes porcos com baratas"...

Eu cá não odeio nada nem ninguém. Nem sequer o próprio ódio.

Mas não sou nenhum menino. Quem mas faz paga-mas.
Aliás, sem ser capaz de odiar, sou pragmática e eficientemente vingativo.
Mas sou-o por justiça. Por uma justificada necessidade de repor equilíbrio
...é uma coisa, assim, de... Yin e Yang...
Muitas vezes a própria vingança é ficar quieto, e deixar que as coisas aconteçam por si.
As últimas que me fizeram foram cobradas, e bem, assim. Na última nem fiquei para assistir, tão óbvio o resultado...
Mas se é necessário mexer-me, então isso acontece. Mas friamente, sem paixão, com elegância, sem ódio, com cirúrgica eficácia...
Por exemplo: o homem mais habilidoso que conheço a andar à pera, despacha-os, à meia-dúzia, sem qualquer emoção...

O ódio é um péssimo comburente para a eficaz combustão duma vingança ou de qualquer outro acto determinado. Porque a sua essência é o medo. E o medo é só o passo atrás que se mostra convidativo...

Quem odeia, habitualmente, é sempre gente boa.
Conheço muçulmanos que fariam tudo por mim, embora eu conheça os seus ódios adormecidos.
Na tropa dava-me sempre com malta do Norte: era a mais fixe. Sempre. Mas no que tocava a ódios, transfigurava-se, quando se falava do Sul. A mãe da minha cria é de lá, e com ela passava-se o mesmo... demorou década e meia para diluir o ódio que tinha a isto.
A minha cria veio de lá após o secundário, à espera de encontrar na capital um espírito mais aberto. Mas eis que, numa escola perto da Avenida de Roma, ela se depara com uma dose de racismo, xenofobia e homofobia que de todo não contava. Bem, os colegas são uns porreiraços, mas também são isso tudo.

Vocês também são uns gajos muita fixes, mas, nos blogues de alguns, li, preto no branco, que odeiam...

Uma coisa é embirrarmos com algo, ou alguém. Por exemplo, eu embirro com o ódio. Só não embirro com peúgas brancas porque o Michael Jackson (com quem embirrava) se desmembrou. A embirração é um sentimento simpático e elegante. E, sem uma pinga de ódio, colocamos num delicioso ridículo aquilo com que embirramos.

Agora o ódio... é uma manifestação agressiva de medo.

Ontem num blogue, alguém teve a coragem de publicar um filme onde é assassinada uma mulher em nome da Xaria, a lei islâmica. Ela tinha quebrado um dos preceitos, julgo que o adultério (embora o blogger desse outra justificação). É um filme horrível em que ela é apedrejada até à morte. Quem o faz, na multidão, tem o cuidado de, estando ela no chão a levar com pedras e tijolos, lhe cobrir as pernas com as saias que de quando em vez se levantam... Tudo acaba com um enorme bloco de cimento...
Quem faz uma coisa destas fá-lo por medo.
Medo que lhe aconteça isso no seio da sua família, da sua comunidade... E quem odeia nunca comete a maldade movida pelo ódio, a solo. Precisa sempre de companhia...

Eu conheço o medo. Não por o ter... mas por o ver estampado em rostos alheios.
Vejamos. A nível profissional, quantas vezes não fui considerado uma ameaça?...Sempre, talvez... tanto medo...
A nível moral...
Vamos aos valores. Não sou nenhum menino de coro mas prezo muito certos valores. Caldo entornado. Lá vem the boogie man...
E quando entro, sózinho, numa festa? Ui! É vê-los a agarrá-las, a enlaçá-las, a reclamá-las, com o ódio estampado no rosto. E a estupidez?... porque não percebem que a coisa funciona ao contrário. Qualquer gajo que entre desacompanhado é olhado com desconfiança pelas mulheres. Isso do James Bond... só nos filmes. Um homem só, num sítio público, para qualquer mulher representa "perigo"... mas não daquele romântico... Ao agarrá-las, e ao demonstrarem posse, eles despertam apenas uma curiosidade morta à nascença...
No ginásio há lá um casalinho nas aulas de Body Pump. Ela, uma brasa, cumprimenta-me efusivamente, ele cumprimentava-me... antes de ver a quantidade de peso que coloco...agora parece um animal a tentar competir comigo, e nos intervalos dos exercícios não a larga com as manápulas à volta da cintura. Não me saúda, rosna-me um olá, a tirar-me as medidas.

Quem odeia é sempre gente boa. E os motivos também são fixes. Odeia-se em nome da Moral, dos Bons Costumes, do Senso Comum (que é uma espécie de nivelamento pela mediocridade). Odeia-se em nome do Amor. Odeia-se em nome de Deus...

Parem de odiar.

Foi gente como nós, movida por esse sentimento, que matou atrozmente aquele senhor que aparece crucificado nos altares...

...que agora é amado como ninguém...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Aaah Leeeããão!

O acto sexual dum leão dura só cinco segundos, sabiam?
Eis o claro significado do...
"Só Eu Seeei... Porque Não Fico Em Caaasa"...

domingo, 18 de maio de 2008

Picky

Não. Não peço desculpa. Picuínhas não é, de todo, um termo que me faça boa companhia.
Meticuloso também não serve. Sou-o quando ajo. Não quando fruo, quando aprecio...
E foi o que fui ontem fazer, com a minha cria. Fomos ver o último do Peter Greenway: "The Night Wach".
Primeiro, o quadro nunca teve esse título. Ganhou-o por portas e travessas. Foi pago para se intitular, traduzido, em "A Companhia do Capitão Frans Banning Cocq e do tenente Willem van Ruytenburch" e é um retrato diurno... preparam-se para exercícios de tiro. Rembrandt pintou-o sombrio sobretudo para denunciar um crime.

Rembrandt van Rijn era um homem de atitudes. E tomou uma, de peso, ao pintar este quadro. Encerrou nele uma história extremamente rica, trágica, cómica, teatral. Nesta tela, como referido, denunciou um crime, ou vários. Até pecadilhos daqueles smeerlap desvendou... e pagou caro por isso.
Paga-se sempre, quando se é grande, à margem do sistema aferidor vigente...
Enfim, se querem pormenores, vejam a fita ou liguem ao tio Google...

A foto de cima pertence ao filme.
Retrata uma cena campestre perto de Amsterdão.

É uma farsa. É mentira, e porquê?

Conheço bem a Holanda... Não é grande feito, aquilo é minúsculo...
O maior susto da minha vida (e não estou a exagerar... acreditem ou não) aconteceu ao andar na rua em Leiden, completamente distraído. Encontrava-me no país há três semanas e tinha-me habituado a um terreno plano, liso, sem qualquer elevação ou depressão. Um terreno sempre nivelado...
O maior susto da minha vida aconteceu quando me deparei com uma subida no meio da rua, em Leiden.

Era uma ponte...

Gostei do filme, mas não gosto destas coisas.
Godverdomme Peter!...

sábado, 17 de maio de 2008

A Desculpa do Elefante

Como nasceram as ferramentas?

Em termos funcionais, possuímos um corpo débil, comparado com os nossos primeiros competidores, no mundo animal. Não temos velocidade que chegue (umas pernas fraquitas), força que chegue (um sistema muscular que é uma anedota), nem sequer protecção suficiente (se dependesse da nossa pele, estaríamos todos mortos de calor, frio ou de... qualquer outra coisa).
Comparados com um gorila, um leão, uma águia, uma carpa, um búfalo, ou um periquito, somos mesmo...a vergonha da selva.

Por isso tivémos que reeinventar um novo corpo com a ajuda do cérebro, o nosso único truque, e das mãos, que dão realmente muito jeito.
Não temos força nos braços? Uma alavanca é a solução. Se não chegar, vamos evoluindo até chegar ao braço dum buldozzer. Chega? Depois apareça lá o tal gorila...
Não há dentes, garras, algo que faça estragos a sério como os dum tigre, ou as dum milhafre. No problem....uma faca, uma flecha, uma bala, resolvem o assunto.
E voar? Fartos de olhar para o céu com inveja dos pardais, lá inventámos nós coisas com asas... com casa de banho e tudo..
Não temos protecção suficiente? Uma pele de animal abriga-nos do calor e do frio. Uma armadura, dos golpes em batalha. Um colete Dragon Skin protege-nos de tudo, menos de um apito...
Ai pai... Queria ver tão bem como uma águia... Não fiques assim filho... já temos o Hubble...

Pronto. Já estamos até em superioridade, com este novo corpo. Já podemos dar cartas no mundo animal e vegetal. E damos. Estamos metódicamente a destruí-lo. Deve ser vingança por aquilo que ele fez aos nossos avós das cavernas quando eles, coitados, não podiam recorrer a uma P90 com munição perfurante ou a uma Metal Storm®...

Ok. Os animais estão sobre controle...os outros animais.
Porque os mais perigosos... esses, ainda somos nós.
Falo por mim. Sou o meu mais terrível adversário, e as vezes em que me venci são as vitórias de que mais me orgulho. As derrotas auto-infligidas são as que me mandam realmente abaixo...

Mas os outros...também são um perigo. Não porque nos façam mal, mas é necessário cuidado com eles. Muito cuidado.

Conhecem aquelas placas perfuradas colocadas nas paredes das garagens onde estão desenhadas as ferramentas a colocar lá no fim do dia?
Pois.
Nós também temos disso, mas não é com chaves de estrela, alicates, chaves de boca, chaves de fenda, Philips, Pozidriv, Torx, Precisão, Jogos,luneta, sextavadas, Stillson, Martelos, Serrotes, Corta-rebites, Fitas métricas, Esquadros, X-atos, Níveis, Tesouras, Limas, Espátulas, Escovas de arame, Pés de cabra, Garribaldes, Agrafadores, Funis, etc…

A nossa placa de ferramentas é diferente...

Para controlar vontades, as minhas ferramentas são... sorrisos. Cada qual com a sua numeração lá na plaquinha perfurada pendurada na parede.
A minha voz é outra outra ferramenta extremamente útil: quanto mais baixo falo, mais os bichos se encolhem.
Essa história do "parto-te o focinho!" só funciona em termos dissuassores. Tenho na família um campeão de boxe, que até conduz agressivamente, por vezes. As vezes em que baixam os vidros dos carros para o insultarem com o pior... e ele continua, impassível. Depois, se inquirido, responde: "sabes as chatices que quase toda a gente lá do ginásio (ele tem um ginásio de desportos de combate) tem com a Justiça por ter dado uns açoites em alguém em merdas destas? São notificações, tribunais, penas suspensas, chatices, dinheiro e tempo perdido..."

O grande problema é com o nosso desempenho. Não podemos ser melhores que os outros. Assim de repente.

Em termos laborais, por exemplo, um patrão adora isso. Enche-lhe os bolsos. Os colegas não.
E aí chegamos a outra ferramenta: a Política. Compromissos, alianças, protocolos, território, diplomacia.
A política é complexa. Como qualquer negociador de reféns sabe, uma das tácticas utilizadas é tornar as condições dos reféns e dos captores o mais miseráveis possível, de forma a dirigir o ódio para um novo inimigo, no exterior, e criar uma tácita aliança entre eles.
Já vi alianças serem criadas entre quem mais se odeia para combaterem um inimigo comum: uma ameaça comum.

E contra esse tipo coisas não há charme (outra) que chegue...

Mas a ferramenta a que eu acho mais graça é o pedido de desculpas.

Um pedido de desculpas funciona num nanosegundo.
Pode transformar a maior fera num gatinho de meses, nesse limite de tempo. Um pedido de desculpas é uma ferramenta diplomática de peso: pode evitar uma guerra. Um pedido de desculpas por vezes exige-se, como compensação, ou seja: pode valer o equivalente em muitos milhões de euros. Um pedido de desculpas foi o que o mundo muçulmano exigiu a este Papa fascizóide que nós temos quando ele abordou duma forma filosófica a sua cultura. Um pedido de desculpas pode calar uma fêmea que nos atazana durante uma tarde inteira por causa da merda dum cu qualquer... Um pedido de desculpas pode acalmá-la até mesmo em TPM...

Um pedido de desculpas até pode fazer esquecer algo, o que é um milagre!

Eu cá utilizo a palavra desculpa bué da vezes... não custa nada. E é uma farramenta do catano...
Mas normalmente, e desculpem lá (vêm?) o termo... CAGO no pedido de desculpas alheio.

A sinceridade do arrependimento sente-se, não necessita da verbalização duma ferramenta diplomática barata.

Mas existe uma desculpa pela qual eu nutro um certo... carinho:

A Desculpa do Elefante.

Trata-se de algo do género: " desculpem lá as palhotas, as culturas, as árvores que destruí à minha passagem...Que querem?...EU SOU GRAAAAANDEEEE...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mein Herz Brennt

Ontem alguém que me conhece há muitos anos disse que eu estava com... mau ar. Talvez por andar assim.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Desafio

Sublime, a obra de Lucio Fontana.
São seis palavras, não são, Lenib?
Pois. Hoje resolvi tentar encontrar alguém no mundo da Arte em cuja obra eu me dilua... Fontana resume o meu pragmatismo. Fontana resume a minha simplicidade. Fontana resume a minha verdade. Fontana resume a linha da minha lâmina. Fontana resume a minha essência, a tela. Fontana resume...

Pragmatismo

Click!> Esta faz-me lembrar outra: há uns anos atrás jogava o Chalana e Portugal disputou com a Inglaterra um jogo amigável. Nessa altura tínhamos jogadores muito habilidosos, dos que fintam muito, mas que não marcavam golos. Estavam sempre naquilo, a brincar-na-areia, a dar um baile aos ingleses...
...levámos 3-0.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

entre aspas

Seguem-se dois excertos, adaptados, do Homem Voador. Trata-se de uma obra de ficção acabada em 2004.
Foram baseados, contudo, em relatos de visitantes a um país africano.
Um foi em negócios e os seus contactos efectuaram-se ao mais alto nível.
O outro foi trabalhar como assalariado.
Acusem-me de falta de imaginação, mas o livro tem 321 páginas. E é sempre interessante dar a conhecer histórias que o sejam...

Certo?...

«...liguei o Mac adormecido, com um raspar do rato em cima da mesa, e o fino tabuleiro verde escuro à minha frente iluminou-se num caótico mosaico de janelas brancas.
Tinha chegado um mail do Máximo. Encontrava-se num país africano, com o Melo, a concretizar mais um negócio milionário. Nunca cessava de se surpreender a cada visita naquelas latitudes, escrevia. Tratava-se de um país tropical, abrasador todo o ano, e tinha visto na garagem do tipo com quem estavam a negociar, que era um ministro… um par de limpa-neves filandeses, novinhos em folha. Resplandecentes. Escreveu que ficou paralisado ainda algum tempo, a olhar para aquilo de boca aberta, até o tal ministro mostrar um certo desagrado impaciente.
Mais um gole.
Então o Melo estava em Angola.»

...

«...choquei com uma gaja, que me molhou de scotch aguado. Bem, graças aos deuses não era coca-cola ou cuba-livre ou alguma dessas merdas coloridas… Ela pediu-me desculpa em câmera lenta e afastei-me com os seus olhos pastosos colados à minha visão periférica. Ia procurar o pessoal. Mas encontrei o Guilherme. Já não o via há um ano.
— João Marcos!
— William, que é feito de ti… foste para Angola, não é? e que tal?
— É o máximo, meu, faz-se lá uma vida fantástica. Arranjei lá um grupo porreiro, de malta daqui, e aquilo é tudo nosso.
Tirei mais uma cigarrilha, e com ela presa num sorriso, ia perguntando… — Ah é? E o país, como está?
— Uma confusão. Mas com o fim da guerra as coisas começaram a mexer. Nascem coisas em Luanda como cogumelos, de um dia para o outro.
— E tens lá casa, ou vives no hotel? — continuava com o meu interrogatório... quem sabe se um dia não precisaria lá de guarida…
— Estou numa casa com um amigo meu e... com o avô dele… — disse-me, com um ar arrastado e triste.
— Com o avô?— perguntei, espantado, a levantar a cigarrilha a vinte graus.
— Sim. Este meu amigo foi para lá trabalhar. O avô é a única família dele. Reformado, passava os dias por aí, nos bancos de jardim, a jogar às cartas. Foi lá passar uns tempos com o meu amigo… eu ainda não tinha ido para lá morar… estou lá provisóriamente, graças a Deus!… — ia-me intrigando com o relato — E…um dia o meu amigo chega a casa… quem lhe abre a porta é o avô, todo nu, e, lá dentro, no quarto de porta aberta, encontrava-se uma pitinha, que não devia ter mais de treze ou quatorze anos. Ele contou que a seguir o velho entra e é ruído de colchão durante mais de uma hora. Quando a pitinha sai, tem mesmo quatroze anos. O velho agora não quer outra coisa… lá são as quatorzinhas. O velho tem setenta e quatro anos, almoça e janta Viagra. Está a divertir-se pela vida. Eu é que já não acho graça à coisa. Moro lá, por enquanto…e dormir é mentira...
Depois de nos rirmos à gargalhada, eu, a minha cigarrilha e o Bourbon, filosofei o possível, já tocado.
Realmente… é tudo relativo. Basta de mudar de Paralelo, de época. Basta mesmo sentarmo-nos no chão e olhar para as coisas, como agora, com um grãozinho na asa, para a realidade mudar de contornos...
Aquele velho, aqui, exalaria o último suspiro no xilindró, infeliz, se continuasse a fazer merdas daquelas. Lá, está nas nuvens e não tem o mínimo problema de consciência com o que faz...»